Lyria sentiu antes de ouvir.
Não foi um som específico, nem um movimento evidente. Foi a mudança sutil no campo ao redor, como quando o ar se reorganiza antes de uma tempestade. O espaço parecia menos neutro, mais atento. As pessoas que haviam se dispersado não desapareceram por completo; apenas assumiram novas posições, menos visíveis, mais estratégicas.
Ela permaneceu onde estava.
Aprendera que recuar sem necessidade cria fraqueza, e avançar sem cálculo cria erro. O verdadeiro poder, agora entendia, estava em sustentar o centro enquanto o mundo se move ao redor.
— Eles não vão vir até você — disse a mulher mais velha, aproximando-se novamente. — Não ainda.
— Eu sei — respondeu Lyria, sem tirar os olhos do horizonte. — Quem move as peças nunca aparece no primeiro ato.
A mulher a observou por alguns segundos, como se tentasse decidir até onde podia confiar naquela lucidez recém-revelada.
— Então você entende o que isso significa — continuou. — Sua presença aqui já alterou equilíbrios