O problema do poder invisível é que ele só é percebido quando deixa de funcionar.
Naquela manhã, Luna acordou com a estranha sensação de que algo já havia acontecido antes mesmo de ela abrir os olhos. Não era ansiedade. Era percepção. Como se o mundo tivesse se movido durante a madrugada e agora estivesse mal encaixado.
O telefone confirmou.
Mensagens acumuladas. Não muitas — o suficiente para indicar urgência, não desespero. Ainda. Havia um padrão nelas: pedidos indiretos, tentativas de mediação, convites mal disfarçados de necessidade. Nenhuma pergunta real. Nenhum reconhecimento explícito. Apenas o velho hábito de presumir que Luna estaria disponível para reorganizar o caos.
Ela não respondeu.
Levantou-se devagar, mantendo o ritual intacto. Café. Janela. Respiração profunda. Aprendera que a pior coisa que alguém pode fazer quando o sistema entra em colapso é correr para salvá-lo sem entender quem o sabotou primeiro.
Do outro lado da cidade — e de algumas salas fechadas —, o clima e