Kael segurava o rosto de Lyria entre as mãos como se ela fosse vidro — quebrado, precioso e insubstituível.
Mas ela não era vidro.
Ela era tempestade.
E agora… era também Ira.
O olhar dela estava diferente.
Mais fundo.
Mais antigo.
Mais consciente.
Kael tocou a lateral do rosto dela com a mão tremendo.
— Lyria… você me assusta assim… fala comigo… por favor…
Ela piscou devagar — como se estivesse voltando de um lugar que não tinha nome.
— Kael… eu lembro.
A voz dela era suave… mas carregada com algo que não pertencia a esse plano.
Kael sentiu a garganta fechar.
— Lembra… o quê?
Os dedos de Lyria escorregaram até o peito dele — exatamente sobre a marca.
A Filha Perdida observava, imóvel.
A mãe, atrás, parecia prestes a cair de joelhos.
Lyria sussurrou:
— Lembro do dia em que você me segurou no colo pela primeira vez.
Kael travou.
Ele não…
Ele nunca falou disso.
Ninguém sabia.
— Lyria… como…?
Ela continuou, a voz quase como uma memória sendo narrada:
— Você era pequeno também.
Tinha