A fissura abriu como uma boca negra no chão.
A Ira emergiu — não como uma criatura com forma, mas como um peso, uma presença que dobrava o ar e curvava a luz.
Não tinha olhos.
Não tinha rosto.
Mas Lyria sentia que aquilo a observava.
Não com visão.
Com instinto.
Com fome.
Kael tentou se levantar, mancando, ainda tremendo do Julgamento.
— Lyria… por favor… volta.
Essa coisa é feita para matar gente como você.
Ela nem virou para ele.
— Eu não volto.
Não agora.
A Filha Perdida moveu-se como sombra.
“Lyria, um aviso.”
Lyria ergueu o queixo.
— Fala.
“A Ira não é inimiga.
É consequência.”
A mãe completou:
“Ela não escolhe quem ataca.
Ela responde à quebra.”
Lyria arregalou os olhos.
— Então ela está… machucada?
É isso?
A Filha Perdida encarou a fissura.
“Não.
Ela está FURIOSA.”
A Ira deu um passo que fez toda a sala tremer.
Kael estendeu o braço, como se pudesse impedir o mundo de cair.
— LYRIA, CUIDADO!
Lyria estendeu as mãos — e seu poder respondeu.
O prateado percorreu suas v