O portal se fechou atrás dela como um suspiro morrendo.
Lyria sentiu o chão sumir sob seus pés.
Por um momento, ela caiu — não para baixo, mas para dentro.
Dentro dela mesma.
Quando abriu os olhos, não havia templo, nem Luz, nem Filha Perdida.
Havia neve.
A mesma neve da visão falsa sobre Eran.
A mesma neve onde o medo congelava o ar.
Só que agora… ela não estava sozinha.
Uma criança estava sentada no meio do campo branco.
Uma menina.
Cinco anos talvez.
Cabelos escuros.
Olhos prateados.
Lyria parou.
— Quem…?
A menina ergueu o rosto e sorriu com a boca, não com os olhos.
— Você me esqueceu.
O estômago de Lyria afundou.
— Eu… não lembro de você.
A menina inclinou a cabeça.
— Lembra sim.
Lembra muito.
Eu sou a sua primeira versão.
A versão que você apagou.
Lyria recuou um passo.
— Não.
Isso é ilusão do Julgamento.
Isso não é real.
A menina ficou em pé.
E quando abriu o braço, a neve ao redor se curvou — como se o mundo estivesse obedecendo ela.
— Tudo aqui é real.
Porque tud