Mundo de ficçãoIniciar sessãoPara salvar sua família da falência, Maya aceita um sacrifício terrível: passar uma noite no escuro com o frio e implacável CEO Alfa, Dominic Rossini, fingindo ser sua irmã gêmea, Laura. Para ele, aquela mulher é apenas mais uma peça em um acordo que jamais deveria importar. Para Maya, porém, aquela noite mudará seu destino para sempre. Na manhã seguinte, Laura toma para si o que não lhe pertence e transforma uma mentira em um noivado. Enquanto a irmã desfruta do luxo da mansão Rossini, Maya é reduzida à condição de empregada, obrigada a conviver diariamente com o homem que jamais poderá saber o que realmente aconteceu naquela noite. Mas Maya carrega consigo uma consequência que não pode esconder para sempre. Em meio às humilhações, à crueldade de Laura e à atração inexplicável que Dominic sente pela mulher que acredita ser sua cunhada, Maya luta para proteger o segredo que pode colocar todo o império Rossini de joelhos. Porque aquela noite não terminou quando o amanhecer chegou. Ela deixou algo para trás. Algo que pertence ao Alfa. Quando a verdade finalmente começa a escapar pelas frestas da mentira, Dominic percebe que a mulher que desprezou pode ser muito mais importante do que imaginava. Só que, antes que ele consiga descobrir toda a verdade, Maya desaparece sem deixar rastros. Agora, o homem que sempre conseguiu comprar, conquistar e controlar tudo está diante da única coisa que não pode obrigar a voltar: a mulher que ama e o segredo que ela levou consigo. E se aquela noite tivesse sido apenas o começo de algo que Dominic jamais esteve preparado para enfrentar... o que ele fará quando descobrir que a maior mentira da sua vida talvez seja, na verdade, a única verdade que pode destruí-lo?
Ler maisMaya
Há correntes invisíveis que nos prendem mais do que o ferro. Minha mãe morreu no parto, me deixando neste mundo como a lembrança viva da traição do meu pai. Arthur obrigara sua esposa, Helena, a me criar sob o mesmo teto, e o ressentimento daquela mulher se transformou no meu pesadelo diário: fui reduzida à serva da casa, pagando o preço de um pecado que não era meu. Aos dezoito anos, aquela mansão não era o meu lar; era a minha prisão. A porta do porão se abriu com um solavanco. Os passos apressados de Helena ecoaram pela escada de madeira, seguidos pela postura altiva da minha meia-irmã, Laura. — Deixe essa poeira de lado, Maya — ordenou Helena, a voz gélida. — Levante-se agora. Ajeitei minha calça jeans gasta e me coloquei de pé, limpando as mãos no pano de prato. — O que aconteceu? — perguntei, encarando Laura. Ela usava um vestido de seda impecável, mas suas mãos tremiam levemente. — O seu pai acabou de chegar da cidade — respondeu Helena, aproximando-se com o olhar afiado. — Ele fechou um acordo com a dinastia Rossini. O Alfa Supremo, Dominic Rossini, virá a esta casa hoje à noite para pedir a mão de Laura em casamento. Um aperto violento esmagou o meu peito. Tempos atrás, acreditando na falsa amizade de irmã, cometi o erro ingênuo de confessar a Laura o meu maior segredo: eu sabia que Dominic era o meu companheiro predestinado, senti o chamado do meu lobo assim que completei 18 anos e o vi de longe numa cerimônia. Engoli em seco, forçando uma máscara de indiferença para não deixar transparecer o tamanho da minha dor. — Parabéns, Laura... — murmurei, mantendo a voz firme. — Não comemore ainda — cortou Helena, dando um passo intimidador. — Há um detalhe na negociação. Dominic exigiu passar uma noite com Laura para confirmar se a essência dela responde à dele antes de anunciar o noivado ao Conselho. Apertei as mãos contra o corpo, encarando as duas com indignação. — Vocês ficaram loucas?! Vocês sabem perfeitamente que a companheira do Dominic sou eu, não a Laura! Como ela pretende fingir isso se o elo de almas não mentirá para o lobo dele?! Helena sorriu, um sorriso vil que revelava toda a sua ganância. — É exatamente por isso que você está aqui, bastarda — disse a madrasta, a voz baixando para um tom perigosamente calculista. — Você tem a mesma altura da Laura, a mesma estrutura de corpo e carrega o sangue Davenport nas veias. Você vai subir para o quarto de hóspedes. Vai vestir o robe de seda da sua irmã, usar o perfume dela e se deitar com o Alfa Supremo no escuro absoluto. Você cumprirá a obrigação da sua irmã para que o vínculo se afirme e, assim que ele dormir, você sairá da cama para que a Laura entre no seu lugar e amanheça ao lado dele. A insanidade daquela proposta fez o meu sangue congelar. — Isso é uma loucura! — exclamei, recuando. — Se o Alfa Supremo descobrir que foi enganado dessa maneira, ele vai matar todos nós! Eu não vou fazer isso! — Você vai fazer exatamente o que estou mandando, Maya! — rosnou meu pai, surgindo do topo da escada com o olhar tomado por um desespero sombrio. Ele desceu os degraus a passos largos e segurou o meu braço com uma força brutal, encurralando-me contra as prateleiras. — Eu não sou uma moeda de troca! — enfrentei-o, o peito arfando. — Você não tem escolha! — sibilou Arthur, encostando o rosto ao meu. — Ou você sobe para aquele quarto e faz o Supremo acreditar que a Laura é a alma gêmea dele, ou eu cancelo a sua matrícula na faculdade do norte hoje mesmo! Eu destruo todos os arquivos e registros que tenho sobre a sua mãe. Você nunca vai descobrir quem ela foi, de onde veio ou qual era a sua verdadeira família! Vou te colocar no meio da rua sem um único centavo e marcada como banida desta alcatéia! A chantagem caiu sobre mim como um golpe devastador. O meu futuro e o único elo com o passado da minha falecida mãe estavam sendo usados como refém. Olhei para Laura, que me encarava com desprezo frio, e engoli a humilhação. — Se eu fizer isso... — a minha voz saiu trêmula —, você me entrega os documentos da minha mãe e a minha transferência amanhã? — Palavra de honra — disse meu pai, soltando meu braço com violência. — Agora suba. O Alfa Supremo estará aqui em uma hora, e as sombras daquele quarto serão a sua única salvação.Maya A escuridão gélida da cela na torre norte só não era mais gélida do que o desespero constante que continuava a corroer as minhas entranhas. O ar ali dentro era denso e pesado, impregnado com um cheiro acre de mofo, sujeira antiga e pedra molhada pelo tempo. Eu continuava encolhida sobre a palha encardida, tentando em vão me proteger da humilhação, mantendo as duas mãos firmemente cruzadas sobre o meu ventre para garantir que o calor do meu próprio corpo mantivesse a vida que crescia ali segura e aquecida. Quando a exaustão física, o frio extremo e o cansaço do choro pareciam prestes a me fazer sucumbir ao delírio, o eco distante de passos firmes e o som ritmado de saltos nobres batendo contra os degraus de pedra da escadaria espiralada começaram a romper o silêncio sepulcral da torre. Do lado de fora da cela, os guardas que faziam a custódia postaram-se em alerta imediato. O som de vozes alteradas no corredor indicava que alguém portador de uma autoridade inquestionável se apr
Dominic A luz pálida da manhã mal começara a atravessar as janelas altas do meu gabinete quando a porta dupla foi aberta de golpe, chocando-se contra a parede com a força de um trovão. Não precisei erguer os olhos dos papéis sobre a mesa para saber quem era. O perfume forte de rosas nobres e a presença esmagadora da Matriarca preencheram o cômodo como uma tempestade iminente. Eleonora avançou pelo tapete com passos firmes, a fisionomia rígida e o olhar cinzento faiscando em pura indignação. — O que você fez, Dominic? — a voz da minha mãe ressoou gélida e cortante, sem qualquer espaço para cortesia. Respirei fundo, mantendo a postura ereta e apoiando as mãos espalmadas sobre a madeira da mesa. — Se a senhora veio interceder pela bastarda dos Davenport, aconselho que economize as suas palavras, minha mãe — respondi, o tom frio e impessoal de soberano. — A garota cometeu traição sob o meu teto. Ela usou a proteção da Coroa enquanto mantinha um caso vulgar com um dos meus guardas. —
Maya A porta de ferro pesado da cela na torre norte fechou-se com um baque seco, definitivo e ensurdecedor, que reverberou friamente pelas paredes de pedra úmida e milenar. O som metálico do ferrolho correndo sobre o encaixe foi o golpe final que selou a minha escuridão e decretou a minha ruína. O estalo gélido ecoou na minha alma como a sentença de uma morte em vida, sepultando-me naquele limbo esquecido pelo resto do palácio. Acelerei os passos vacilantes até o canto mais distante da cela, sentindo as pernas cederem de vez e desabando sem forças sobre a esteira miserável de palha seca e pano encardido que servia como único leito. Abracei as minhas próprias pernas, encolhendo o meu corpo trêmulo contra o frio gélido e implacável que emanava do chão de rocha. O enjoo revirou o meu estômago de forma avassaladora, acompanhado por uma fisgada dolorosa e aguda na parte baixa do meu ventre, fruto do estresse e do terror que consumiam cada fibra do meu ser. — Calma, meu amor... por favo
Dominic A visão daquela garota, a bastarda que minara as minhas estruturas e deshonrara o meu nome, cravada nos braços de outro homem destruiu a última barreira da minha razão. O meu lobo, ferido na sua posse e no seu orgulho mais profundo, rosnou em fúria cega diante da imagem abjeta da traição. Avancei a passos pesados pelo corredor, a minha aura de poder expandindo-se como uma onda de choque que fez a poeira e o ar tremerem ao nosso redor. Thomas soltou os pulsos de Maya num gesto estudado de susto. Ele deu dois passos para trás, caindo de joelhos sobre o mármore frio e abaixando a cabeça em uma reverência rápida e ensaiada, enquanto mantinha os braços abertos num pedido de clemência que cheirava a puro cinismo. — Supremo! Misericórdia, Alfa! — gaguejou o guarda, elevando a voz para que a sua atuação reverberasse por toda a ala. — Eu tentei me afastar, juro pela minha vida que tentei! Mas essa garota vive me perseguindo nos corredores... ela veio até mim implorando por segredo,





Último capítulo