Mundo de ficçãoIniciar sessãoNòcluna foi fundada sobre o perdão. Séculos após sua criação, a ilha ainda guarda seu maior mistério: um sarcófago de sal e ferro que ninguém jamais conseguiu encontrar. Klaus Joseph passou trezentos anos aprisionado na Torre do Esquecimento. Sua vida foi forjada em sal, ferro e sofrimento. Agora, com o anúncio das Sete Provas Mortais, ele enxerga a oportunidade perfeita para recuperar seu nome e destruir aquele que o condenou. Mas em Nòcluna nada é o que parece. Entre bailes luxuosos, alianças perigosas, sedas e joias, verdades permanecem enterradas enquanto mentiras são vestidas como uma segunda pele. Alguns buscam poder. Outros desejam vingança. E há aqueles dispostos a sacrificar tudo para encontrar redenção. Porque em Nòcluna ninguém sai ileso. E o destino da ilha poderá ser decidido por aqueles forjados em sal, ferro e suor.
Ler maisCeleste — Você mentiu!Meu sapato é arremessado ao encontro do macho loiro pairando na minha janela.Seus lábios se moldam em um sorriso.O cavanhaque e o bigode marcados o deixam com cara de galanteador.Maldita hora…— Calma, Estrela.Estrela, é assim que ele me chama.Reviro os olhos.Dá um passo à frente pousando seus olhos pretos com reflexos azuis em mim.Tão frios que fazem jus a tatuagem de urutu em seu pescoço.Tribo da urutu.Manipuladores dia venenos.— Você falou que quando esse maldito tornei começasse iria participar pela minha mão e ganhar!Brando não me importando com os criados nos corredores.Heitor faz o sinal de silêncio.Encruzo meus braços na frente do peito.— Eu não pude participar, você sabe que a minha situação não é bem vista.Dou dois passos a frente.— A única coisa que sei é que você não quis, me desprezou como uma coisa insignificante.A sua situação pouco importa, nunca me contaste nada!Sinto o rubor em meu rosto.O perfume caro dele invade meus senti
Klaus Joseph A neve continua a cair.Repito desde ontem que preciso me vingar.Sou o rochedo que o mar tentou engolir.Mas continuo inabalável.Sou o rochedo e o mar não vai me apagar.O cheiro de orgulho e soberba paira no ar, semelhante a um antídoto.Os competidores me encaram com olhares azedos, alguns fingem sorrir.Mas sei que na primeira oportunidade um deles tentará matar alguém para conseguir a mão da princesa.Até esse momento, não cheguei a ver essa beldade com meus olhos, dizem que ela estava no torneio.Tão pouco faria diferença para mim.Não posso me desfocar do meu único e singular objetivo.Aperto os olhos quando ouço o estalar da língua venenosa de Zyhel.Esforço-me para ficar sério, ainda lembro-me de ontem quando não me curvei.A decepção no rosto do alfa.E de todos os demais.Endireito a postura.— Você não se envergonhe diante de outro alfa.A voz de Joshuel ecoa alto pelos Campos.O suor cai na terra vermelha.Meus membros fraquejam, os ossos estalam.Algo coli
Celeste EyraA arquibancada está lotada, vários gritos eufóricos ecoam pelo ambiente ao ar livre.Reviro os olhos à medida que o batalhão de machos de vários tipos adentra na arena.Abro o leque de seda e começo a abanar. Está nevando, mas não quero chamar a atenção de nenhum bastardo aqui.Liz fez questão de me arrumar como uma flor de estufa.Jóias e tecidos finos me cobrem.Um macho, o mais alto, de quase dois metros de altura, chama-me a atenção.Diferente dos outros, ele está com cara de poucos amigos.Seu rosto é a síntese de beleza masculina e isso só faz um gosto amargo preencher meu paladar.Desvio o olhar quando paro em um menor com barba grande e careca de porte truculento.Seu rosto é brutal, promete sofrimento.Engulo em seco, ignoro o arrepio que percorre minha coluna.Outro meio magricela olha para seus oponentes como quem encara a própria morte.Seus fios estão curtos, quase raspados.Solto o ar devagar.Todos param de murmurar à medida que o Alfa Zyhel Valkaire adentr
Klaus Joseph A neve cai, se agarrando à minha pele, fazendo-a queimar.Não trouxe nenhum criado ou adorno da realeza.Apenas uma mala de couro média com tudo que será necessário para utilizar sem desperdiçar com coisas desnecessárias.Os galopes do meu cavalo negro são o único som a ser ouvido entre as florestas.Estou nesse trajeto antes da hora morta final.Salém se encarrega de mandar um mensageiro para anunciar a minha participação.Por volta das velas ele já estará retornando, é possível que eu o encontre.Ainda me lembro da voz ressoando entre os arbustos daquela noite sem estrelas.— Um herdeiro que matou o próprio pai… isto é elegia.Ergo minhas mãos ensanguentadas para o alto.Lobos começam a surgir do alto das montanhas.Os uivos explodem em minha audição à medida que rosnados vão se seguindo cada vez mais próximos.Um enorme lobo de pelagem dourada irrompe à minha frente, seus dentes brancos brilham com reflexos do luar.Seguro o que sobrou do cadáver do meu pai.— Prenda
Último capítulo