Os Preparativos do Trono

Dominic

Um reino não é mantido por incertezas ou devaneios; ele é governado por fatos, prazos e deveres inegociáveis.

De volta ao meu escritório na Mansão Rossini, o silêncio denso da sala de mapas finalmente começava a colocar as engrenagens da minha mente no lugar. Apoiei as duas mãos sobre a sólida mesa de carvalho, encarando a pilha de relatórios financeiros e os recibos de liquidação das dívidas da família Davenport, que meu assistente, Gabriel, acabara de organizar com sua costumeira precisão. As contas estavam pagas, o contrato selado e a honra daquela linhagem falida, restaurada.

Eu tinha a prova irrefutável da pele. Tinha a entrega consumada e o sangue da virgindade registrado nos lençóis. O elo de almas respondera com uma violência avassaladora na escuridão daquela noite, e a sede ancestral do meu lobo fora, finalmente, pacificada após meses de um tormento silencioso.

Se a atitude de Laura na manhã seguinte me pareceu fútil, se a postura dela sob a luz brilhante do sol parecia mimada, caprichosa e estranhamente distante da entrega apaixonada e faminta que partilhamos no escuro, eu agora atribuía isso apenas ao temperamento de uma jovem nobre. Era algo compreensível, afinal. Laura fora criada em berço de ouro, protegida do mundo externo, recatada e visivelmente assustada com a brutalidade do meu poder de Alfa Supremo.

A rejeição ao lençol manchado e a frieza no olhar eram apenas máscaras de uma garota mimada tentando lidar com o peso de se tornar a primeira-dama de Valência.

Quanto à rápida colisão no corredor, à reação assustada daquela criada chamada Maya e à ligeira onda de inquietação que percorrera as minhas costas... nada disso passava de ruído irrelevante. Eram apenas frutos do meu próprio estresse acumulado com a aproximação do eclipse e da tensão de meses buscando uma salvação para o meu trono.

O nervosismo da situação fizera meus sentidos vacilarem por um segundo. Uma serva tímida e desastrada que carregava panos sujos não tinha qualquer importância na hierarquia da alcatéia.

Laura Davenport era a minha companheira confirmada, a mulher que a própria Deusa da Lua reserva para mim, e era nela que todos os meus esforços se concentrariam a partir de agora.

O som suave da porta de madeira se abrindo cortou o fluxo dos meus pensamentos. Gabriel entrou a passos lentos, carregando uma pasta de couro cinza sob o armar e assumindo sua habitual postura ereta e impecável.

— Supremo — começou ele, fazendo uma breve reverência com a cabeça. — Os convites formais para o baile de noivado oficial já foram despachados através dos nossos mensageiros para os anciãos do Conselho e para os Alfas de todas as alcatéias vizinhas. Conforme suas ordens diretas, a cerimônia de marcação pública e a apresentação da sua noiva acontecerão no próximo mês, exatamente duas semanas antes do eclipse solar.

— Excelente — respondi, com a voz firme, baixa e totalmente desprovida de hesitação. — Quero um evento impecável, Gabriel. Sem margem para falhas, fofocas ou questionamentos da nobreza. O Conselho dos Anciãos precisa ver com os próprios olhos que a linhagem Rossini permanece inabalável e que a futura Rainha de Valência já tem o seu lugar garantido ao meu lado.

Gabriel assentiu devagar, ajustando a pasta nos braços e me observando com atenção.

— A Matriarca Eleonora já assumiu pessoalmente a supervisão da ornamentação do salão principal, a escolha dos vinhos e as exigências do banquete real. A família Davenport deverá chegar à mansão real na véspera da festa para os ensaios do protocolo de apresentação.

— Perfeito — caminhei até a grande vidraça que ia do teto ao chão, observando as vastas terras de Valência se estenderem sob o céu limpo da tarde.

— Arthur Davenport cumpriu a parte dele no acordo ao me entregar a filha. Laura entregou a prova de pureza e o vínculo que eu exigia, e agora eu cumprirei a minha palavra. Darei a ela a coroa, o luxo e cobrirei o seu pescoço com a minha marca diante de todo o nosso povo.

— O senhor parece absolutamente convencido de que este é o único caminho a seguir, Supremo.

— É o único caminho — declarei, gélido, virando-me para encará-lo e encerrando qualquer espaço para especulações. — O prazo imposto pelas leis ancestrais se esgota com o eclipse. Laura é a mulher que se deitou comigo, a mulher cujo sangue selou o nosso pacto. Não há mais tempo nem espaço para distrações.

Voltei para a minha mesa, puxando os documentos do governo e me concentrando inteiramente nos preparativos da cerimônia.

O destino da minha alcatéia e do meu trono estava traçado, e em poucas semanas, o noivado oficial selaria aquela história para sempre.

Sigue leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la APP
Explora y lee buenas novelas sin costo
Miles de novelas gratis en BueNovela. ¡Descarga y lee en cualquier momento!
Lee libros gratis en la app
Escanea el código para leer en la APP