Mundo de ficçãoIniciar sessãoDominic
A luz pálida da manhã mal começara a atravessar as janelas altas do meu gabinete quando a porta dupla foi aberta de golpe, chocando-se contra a parede com a força de um trovão. Não precisei erguer os olhos dos papéis sobre a mesa para saber quem era. O perfume forte de rosas nobres e a presença esmagadora da Matriarca preencheram o cômodo como uma tempestade iminente. Eleonora avançou pelo tapete com passos firmes, a fisionomia rígida e o olhar cinzento faiscando em pura indignação. — O que você fez, Dominic? — a voz da minha mãe ressoou gélida e cortante, sem qualquer espaço para cortesia. Respirei fundo, mantendo a postura ereta e apoiando as mãos espalmadas sobre a madeira da mesa. — Se a senhora veio interceder pela bastarda dos Davenport, aconselho que economize as suas palavras, minha mãe — respondi, o tom frio e impessoal de soberano. — A garota cometeu traição sob o meu teto. Ela usou a proteção da Coroa enquanto mantinha um caso vulgar com um dos meus guardas. — MENTIRA! — o brado de Eleonora fez o silêncio do palácio ruir. Ela deu três passos largos, parando a poucos centímetros da minha mesa, batendo a palma da mão na madeira. — Você ficou cego pela raiva, Dominic! Cego pelo orgulho medíocre que herdou dos piores momentos do seu pai! Você caiu como um tolo em uma armadilha grotesca armada bem debaixo do seu nariz! Tranquei o travessão da mandíbula, os meus olhos dourados faiscando de ódio. — Eu a vi com os meus próprios olhos nos braços dele! — esbravejei, ficando de pé e dominando o espaço com a minha altura. — Ouvi a confissão do soldado! A garota está grávida de um bastardo da guarda e pretendia usar a minha autoridade para amparar a sua desonra! Ela vai mofar na torre norte até que eu decida o banimento definitivo! Eleonora soltou uma risada amarga, cheia de um desdém que cortou o meu peito como uma lâmina. — Grávida? É claro que ela está grávida, seu idiota! — retrucou a Matriarca, apontando o dedo na minha direção com autoridade suprema. — E aquela criança carrega o sangue nobre dos Rossini nas veias! Aquele filho é SEU, Dominic! É o fruto da fêmea que a Deusa da Lua destinou a você e que você insiste em desacreditar para manter as aparências de um casamento de fachada com uma cobra! As palavras da minha mãe caíram como uma bomba no gabinete, mas a minha mente envenenada recusou-se a ceder. — Chega! — rosnei, a minha aura de Alfa expandindo-se, pesada e ameaçadora. — A minha decisão está tomada e a sentença foi dada! Maya permanecerá na cela da torre norte! Como Supremo deste bando, eu proíbo qualquer interferência! Eleonora ergueu o queixo, sem recuar um único milímetro diante do meu poder. Um sorriso desafiador e nobre curvou os seus lábios. — Você pode ser o Alfa Supremo para o reino, Dominic... mas nesta casa, eu ainda sou a Matriarca de Valência — declarou ela, a voz baixa, pausada e terrivelmente firme. — Eu não vou permitir que você destrua a vida de uma inocente e do seu próprio filho por causa da sua cegueira. Estou subindo para a torre norte agora mesmo. Eu pessoalmente vou tirar a Maya daquela cela e trazê-la de volta para os meus aposentos. Ela voltará a ser a minha dama de companhia sob a minha proteção direta, e você não moverá um único dedo contra ela enquanto eu respirar neste palácio. Girei a mesa para tentar interceptá-la, mas Eleonora deu meia-volta com a altivez de uma rainha e deixou o gabinete a passos decididos, deixando-me sozinho com o eco do seu desafio e a dúvida maldita que voltava a arranhar as entranhas do meu lobo.






