Mundo ficciónIniciar sesiónMaya
O escuro não esconde a dor, ele apenas a torna mais ruidosa. Assim que meu pai deixou o porão, Helena me arrastou pelo pulso até a suíte principal de Laura. Lembro-me do desprezo na voz da minha madrasta quando me empurrou para dentro do banheiro luxuoso de mármore. “Não vou sujeitar o Alfa Supremo a se deitar com uma criada suja sem ao menos tomar um banho antes”, sibilou ela, trancando a porta por fora. Debaixo do jato fervente do chuveiro, me deixei desabar. Misturei meu choro ao som da água que escorria pelo meu corpo. O vapor denso escondia minhas lágrimas, mas não conseguia lavar a sensação de abandono e desesperança. Quando saí, Helena e Laura me esperavam como carcereiras. Sequei os cabelos em silêncio enquanto elas me vestiam como uma boneca de sacrifício: um robe de seda preta que pertencera à minha irmã e borrifadas genéricas do perfume doce e enjoativo de Laura no meu pescoço e pulsos para camuflar qualquer resquício da minha rotina de serva. Agora, eu estava ali. Parada no meio do quarto de hóspedes, mergulhado na mais absoluta e breu escuridão, sentada na beira da cama king-size como uma presa prestes a ir para o abate. As cortinas veladas impediam até mesmo a luz fraca da tempestade de entrar. A tranca da porta estalou. O som seco fez meu coração falhar uma batida. A porta se abriu e voltou a se fechar em um movimento sutil, quase inaudível. Não precisei ver nada para saber quem acabara de entrar. O ar do quarto mudou instantaneamente: ficou denso, pesado, carregado com uma aura avassaladora e um cheiro inebriante de amadeirado, chuva e perigo puro. Dominic Rossini estava ali. Ouvi seus passos lentos e calculados sobre o carpete. A presença dele era magnética, um predador caminhando na penumbra. O som da sua respiração profunda reverberava no silêncio do cômodo. — Finalmente te encontrei... — a voz dele ressoou, um tom grave, aveludado e rouco que fez cada poro da minha pele se arrepiar. Antes que eu pudesse formular qualquer pensamento, a sombra dele envolveu a minha. Duas mãos grandes, quentes e calejadas seguraram a minha cintura com uma firmeza possessiva, puxando o meu corpo contra o dele. Um arfar involuntário escapou dos meus lábios quando o meu peito colidiu contra o tórax rígido e despido de Dominic. No mesmo segundo em que a sua pele tocou a minha através do tecido fino da seda, um choque elétrico avassalador percorreu toda a minha espinha. A fagulha inconfundível do Elo Destinado queimou no meu peito como fogo vivo. Meu lobo interior, adormecido por anos na dor, uivou de alívio. Ele era o meu companheiro predestinado. Dominic travou por um segundo. Senti o corpo dele enrijecer contra o meu, uma lufada de ar saindo bruscamente de seus pulmões. Ele afundou o rosto no meu pescoço, aspirando o meu aroma entre o perfume artificial de Laura. Um rosnado baixo, gutural e carregado de um desejo ancestral vibrou no fundo do peito dele, ecoando direto na minha alma. — A Deusa da Lua... — murmurou ele, a voz falhando, dominada por uma paixão súbita e descontrolada. — O seu cheiro... a sua pele... O que você está fazendo comigo? Ele me ergueu sem esforço, deitando-me no colchão macio e cobrindo o meu corpo com o seu. As mãos dele subiram pela minha cintura, traçando a curva das minhas costelas com uma urgência quase desesperada, sem qualquer traço da frieza que diziam que ele possuía. A escuridão devorava tudo, mas o toque dele incendiava o meu sangue. Quando os lábios quentes e famintos de Dominic encontraram os meus no escuro, o beijo foi uma tempestade sem aviso. Ele devorou a minha boca com uma fome acumulada por anos de solidão, um domínio absoluto que fez o meu corpo todo estremecer. O peso de seu corpo pressionava o meu corpo contra o colchão macio, mas não havia violência; havia um desespero controlado, uma necessidade primitiva de se fundir a mim. Minhas mãos, que deveriam empurrá-lo, traíram minha mente e subiram por seus ombros largos, sentindo a firmeza da sua pele quente e o pulsar acelerado do seu coração. Dominic soltou um suspiro pesado contra os meus lábios, deslizando as mãos grandes pela linha da minha cintura até a barra do robe de seda, puxando o tecido fino com uma lentidão torturante. Cada toque das suas palmas calejadas na minha pele nua acendia uma corrente elétrica que me fazia arfar contra a sua boca. O cheiro dele, tempestade, madeira e pura autoridade de Alfa inundou todos os meus sentidos, apagando o perfume artificial de Laura que nos cercava. Ele beijou a curva do meu pescoço com uma intensidade devoradora, chupando a pele macia no ponto exato onde a marca de companheira deveria ser cravada, fazendo o meu quadril erguer-se involuntariamente ao encontro do seu. — Você é minha... — ele rosnou contra a minha garganta, a voz tão grave e vibração tão forte que ressoou dentro do meu próprio peito. — A Deusa sabe... eu esperei uma vida inteira por você. O calor no quarto tornou-se sufocante, uma tensão sexual densa e fluida onde cada movimento nos lençóis parecia sincronizado pelo próprio destino.






