Mundo ficciónIniciar sesiónCinco anos após uma noite que mudou sua vida, Marino Bianchi — um Alfa poderoso e CEO implacável — continua obcecado pela ômega de cabelos vermelhos que desapareceu sem deixar rastros. O que ele não sabe é que Willow Nowak, forçada à prostituição por traições familiares e inimigos antigos, carrega o maior segredo de todos: um filho fruto daquele encontro. Enquanto antigas rivalidades entre as famílias Bianchi e Nowak ressurgem, um noivado arranjado, juras de vingança e um amor que nunca morreu ameaçam incendiar o passado. Entre dor, desejo e destino, duas almas marcadas lutam contra tudo para se reencontrar — ou se destruir para sempre.
Leer másCAPÍTULO 1
“Algumas marcas não ficam na pele. Ficam no instinto.” POV — Marino Bianchi O cheiro ainda estava ali. Cinco anos. Cinco malditos anos, e ainda assim o *Notte di Piacere* carregava o mesmo aroma denso de álcool caro, suor, feromônios misturados e memórias que se recusavam a morrer. Marino Bianchi atravessou a porta do clube com o corpo tenso, como fazia toda semana, no mesmo dia, no mesmo horário. Como se o destino pudesse se cansar primeiro que ele. Alfa. CEO. Bianchi. Três títulos que o mundo respeitava — e nenhum deles conseguia apagar a imagem dela. Marino era grande. Não apenas alto, mas imponente. Ombros largos sob o terno sob medida, músculos que não eram exibidos, mas sentidos. A pele escura contrastava com os olhos cinza profundo, frios para qualquer um… menos para uma única lembrança. A cicatriz em seu peito pulsou levemente sob a camisa. Não era dor. Era memória. Ele sentou-se no mesmo banco do bar. Sempre o mesmo. — O de sempre — disse, voz baixa, controlada. O barman levantou o olhar. Alessio Romano. Amigo antigo. O único que nunca fez perguntas demais. — Ainda esperando um fantasma, Marino? O copo foi colocado à sua frente. Uísque puro. Marino não respondeu de imediato. Seus olhos percorreram o clube, como sempre faziam. Cada ômega, cada riso ensaiado, cada toque calculado. Nenhuma delas era ela. Nunca eram. — Fantasmas não deixam marcas — murmurou. — Ela deixou. Alessio suspirou, apoiando os cotovelos no balcão. — Cinco anos. Você sabe o que dizem lá fora, não sabe? Marino deu um gole lento. — Não me importa. — Deveria. Um Alfa do seu nível… obcecado por uma prostituta. A palavra caiu pesada. Marino virou o rosto lentamente. O olhar cinza não demonstrava raiva — o que era pior. — Nunca mais use esse termo quando falar dela. O silêncio se instalou por um segundo. Do outro lado do bar, duas presenças familiares se aproximaram. Lorenzo De Luca e Matteo Rinaldi. Empresários. Alfas. Amigos desde a juventude. Homens que sabiam quando avançar… e quando recuar. — Ele ainda vem — comentou Lorenzo, sentando-se. — Toda semana. Mesmo clube. Mesmo banco. — É quase um ritual — completou Matteo. — Ou uma penitência. Marino não negou. — Vocês não entenderiam. Matteo arqueou a sobrancelha. — Tenta explicar então. Marino respirou fundo. O ar parecia pesado demais quando falava dela. — Eu nunca toquei uma mulher antes dela. Nunca quis. Nunca precisei. Alessio parou de limpar o copo. — Nós sabemos. — Aquela noite… — Marino fechou os olhos por um instante. — Não foi só desejo. Foi reconhecimento. Meu lobo reagiu antes de mim. Lorenzo franziu o cenho. — Reconhecimento de quê? Marino abriu os olhos. — De casa. O silêncio agora era diferente. — Você está dizendo… — Matteo começou, cuidadoso. — Sim. — Marino apertou o copo com força. — Ela era minha. Mesmo sem saber. Mesmo sem nome. Mesmo sem passado. Alessio engoliu em seco. — Marino… ela trabalhava aqui. Era famosa. Mas desapareceu do dia pra noite. Essas garotas… seguem em frente. — Não ela. A convicção na voz dele era absoluta. — Eu mandei procurar. — E nunca encontrou nada — Lorenzo lembrou. Marino assentiu lentamente. — Como se tivesse sido engolida pela terra. Ou protegida por alguém poderoso demais. O pensamento fez sua mandíbula travar. Edward Nowak. O nome ecoou em sua mente como veneno antigo. A família Nowak. Polônia. Inimigos jurados dos Bianchi. O juramento de vingança de seu pai, Apolo Bianchi, ainda ecoava nas paredes da mansão. Marino jamais misturara negócios com sentimentos. Até ela. — Você sabe que seu pai enlouqueceria se soubesse que você ainda pensa nela — murmurou Matteo. — Ainda mais agora. — Agora? — Marino ergueu o olhar. Lorenzo hesitou. — Edward Nowak propôs oficialmente o noivado. O mundo pareceu desacelerar. — A filha mais nova — continuou Lorenzo. — Wiktoria Nowak. Vinte anos. Ômega. Prometida a você. O copo trincou nas mãos de Marino. — Ele acha que isso apaga o passado — disse Marino, a voz baixa, perigosa. — Que une as famílias. — E você? — Alessio perguntou. — O que acha? Marino se levantou lentamente. Sua presença fez o bar parecer pequeno. — Acho que Edward Nowak vai pagar por tudo o que roubou. — Inclusive ela? — Matteo arriscou. -Se Edward descobrir que ela existe, o que você acha que ele faria com ela? Marino fechou os olhos. A imagem voltou com força. Cabelos cacheados vermelhos como fogo vivo. Olhos azuis claros, cheios de medo e desejo. O jeito como ela tremia não de frio, mas de entrega contida. — Principalmente ela — respondeu. Ele caminhou em direção à saída. Mas antes de atravessar a porta, parou. Seu lobo rosnou baixo. Algo mudou no ar. Um cheiro. Fraco. Antigo. Ômega. Marino virou-se abruptamente, o coração acelerando pela primeira vez em cinco anos. — Alessio… — O quê? — o barman perguntou. Marino respirou fundo. — Diga ao dono do clube que… — sua voz falhou por um segundo. — Se ela voltar… se algum dia voltar… Ele engoliu seco. — Quero saber antes de qualquer um. Porque, em algum lugar de Milão, o destino respirava novamente. E Marino Bianchi jamais deixaria sua ômega desaparecer outra vez.Capítulo 49 POV - Marino Bianchi O dia seguinte nasceu pesado. O pátio da alcatéia estava lotado. Lobos, guerreiros, famílias — todos cercando o gramado onde Viktor estava ajoelhado, amarrado, sangue seco no rosto e olhos ainda cheios daquele deboche doentio. A atmosfera era tensa, como se o ar tivesse dentes. Marino avançou até o centro, o novo Alfa sem precisar de coroas, apenas com a marca da dor nos olhos e o poder do vínculo pulsando no peito. Dominik caminhava ao lado dele, silencioso, mas firme como um muro. Quando chegaram diante de Viktor, o barulho cessou como se o mundo tivesse prendido a respiração. — Viktor Kowalski — Marino disse, a voz grave ecoando. — Você feriu nossa alcatéia. Torturou inocentes. Tirou a paz dos nossos. Tocou no que era meu. E isso… foi o seu último erro. Viktor riu baixo, cuspindo sangue no chão. — Fraco
Capítulo 48 POV - Marino Bianchi O quarto era frio demais para alguém como ela. Máquinas piscavam com luzes fracas, o bip constante de um monitor marcando o tempo como um relógio do destino. O cheiro de antisséptico queimava o nariz, misturado com o perfume suave que ainda parecia colar na pele dela, como lembrança. Willow estava ali, imóvel, tão pequena naquela cama grande demais. Lençóis brancos, pele pálida, tubos, curativos. A respiração lenta como quem dorme num abismo. Meu coração quase parou ao vê-la. Entrei devagar, as mãos suadas, os passos pesados. Fechei a porta atrás de mim e o mundo sumiu — ficou só ela. Eu me aproximei da cama, sentando ao lado, como se o corpo tivesse vindo sozinho, puxado por uma força maior que eu. Minhas mãos tremeram quando toquei o rosto dela. A pele estava fria… e ainda assim era o único lugar que parecia casa. — Willow… — minha voz saiu como um sussurro rachado. — Eu tô aqui. Não vou sair. Nem por um segundo. Passei o polegar pela maç
CAPÍTULO 47 POV - Marino Bianchi A sala de espera parecia um túmulo. O silêncio não era silêncio… era grito preso na garganta. Dominik andava de um lado pro outro, rosnando baixinho, o lobo dele inquieto. Eu estava sentado, mas minhas pernas tremiam. O cheiro de sangue, medo e hospital grudava na pele como se fosse parte de mim agora. Quando as portas se abriram, três médicos apareceram. Três mundos prestes a desabar. — Edward Nowak? — disse o primeiro. Meu coração travou. — Ele está bem. Perdeu muito sangue, mas reagiu. Está em recuperação, sedado. Vai ficar alguns dias sob observação. O ar voltou pros meus pulmões. Dominik soltou um suspiro pesado, como se tivesse carregado o mundo nas costas. O segundo médico deu um passo à frente. — Apolo Bianchi? Eu engoli seco. — Também está estável. Pode receber visitas. Só precisa de repouso, ele forçou o corpo além do limite. Mas aí veio o terceiro. E o terceiro parecia trazer a sentença que ninguém queria ouvir.
CAPIÍTULO 46 POV — Apolo Bianchi O cheiro de sangue preencheu o ar. Quente. Metálico. Familiar demais. Edward estava caído nos meus braços, a respiração fraca, os olhos tentando se manter abertos como se o passado todo estivesse pesando em suas pálpebras. — Dominik! — minha voz saiu rouca, mais grito do que ordem. — Chama a ambulância. Agora. Dominik congelou por um segundo ao ver o pai daquele jeito, mas logo correu até o telefone, as mãos tremendo, a voz rasgando o ar enquanto chamava socorro. Marina estava ali perto, com Willow desmaiada nos braços, o olhar perdido entre desespero e fúria. Eu segurei Edward mais firme. Ele tossiu, sangue manchando meus dedos. — Não… não deixa… — Edward tentou falar, mas a voz falhou. — Não deixa ele… terminar. — Cala a boca — eu rosnei, e senti meus olhos queimarem de ódio e lembrança. — Você não morre aqui, Edward. Não desse jeito. Ele tentou rir, mas só tossiu mais sangue. — Desde quando… você se importa… Apolo? Eu aproximei o rosto
CAPÍTULO 45 POV — Willow O mundo voltou em pedaços. A luz fraca do galpão, o cheiro de ferrugem e pólvora, o eco da risada de Viktor se desfazendo no ar. Eu ainda sentia as cordas nos pulsos, como se elas estivessem queimadas na minha pele. Mas nada doía mais do que a cena diante dos meus olhos: Edward. No chão. Nos braços de Apolo. Sem respirar. Eu tentei falar, mas minha voz não saiu. Era como se tivesse algo preso na minha garganta — uma vida inteira que nunca pude gritar. — Pai? — finalmente saiu, e só então percebi que estava chorando. — Pai... por favor… acorda… - Paaii... - Dominik correu se ajoelhando ao lado de Apolo e colocando a mão no peito de Edward. - pai acorda... não faz isso com a gente. Marino me segurava firme, o corpo dele tremendo contra o meu, o lobo dele desesperado dentro do peito. Eu sentia — pelo vínculo — o medo dele, a raiva, o amor, tudo se chocando dentro dele como uma tempestade. E então Viktor deu um passo, calmamente, como se fosse o dono
CAPÍTULO 44 — O PREÇO DO PASSADO POV — Apolo Bianchi O mundo virou borrão. Dominik correu para mim, as mãos tremendo quando tentou me segurar pelos ombros. Eu senti o sangue quente escorrendo do meu abdômen, a visão oscilando, mas meu foco estava em apenas uma coisa: — Leva ela. — Eu olhei para Marino, a voz falhando. — Sai daqui com Willow. Agora. Marino hesitou. Ele queria chegar perto, queria me ajudar. Eu vi o conflito no rosto do meu filho — o lobo dele rugindo entre o dever e o sangue. — PAI, VOCÊ TÁ SANGRANDO! — ele gritou, desesperado. — Ela primeiro… — murmurei. — A marca ainda é fraca. Se ela perder a consciência de novo, o vínculo não segura. Marino ajustou Willow nos braços, tentando levantar. Foi quando ele surgiu. Viktor cambaleou para fora do galpão, ferido, mas vivo — como uma praga que se recusa a morrer. O sorriso dele era a coisa mais podre que já vi, os dentes sujos de sangue, a alma mais suja ainda. Ele levantou a arma devagar, como se saboreas
Último capítulo