MayaHá correntes invisíveis que nos prendem mais do que o ferro.Minha mãe morreu no parto, me deixando neste mundo como a lembrança viva da traição do meu pai. Arthur obrigara sua esposa, Helena, a me criar sob o mesmo teto, e o ressentimento daquela mulher se transformou no meu pesadelo diário: fui reduzida à serva da casa, pagando o preço de um pecado que não era meu. Aos dezoito anos, aquela mansão não era o meu lar; era a minha prisão.A porta do porão se abriu com um solavanco. Os passos apressados de Helena ecoaram pela escada de madeira, seguidos pela postura altiva da minha meia-irmã, Laura.— Deixe essa poeira de lado, Maya — ordenou Helena, a voz gélida. — Levante-se agora.Ajeitei minha calça jeans gasta e me coloquei de pé, limpando as mãos no pano de prato.— O que aconteceu? — perguntei, encarando Laura. Ela usava um vestido de seda impecável, mas suas mãos tremiam levemente.— O seu pai acabou de chegar da cidade — respondeu Helena, aproximando-se com o olhar afiado.
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