Mundo de ficçãoIniciar sessão— Por favor… me deixa ir pra casa… — implorei, com a voz falhando. Ele me observou em silêncio, impassível. — Sinto muito, amor. Mas isso não vai acontecer. Meu coração despencou. — O quê…? — Agora você mora aqui. Comigo. Balancei a cabeça, sentindo o pânico crescer. — Não… você não pode fazer isso… isso é ilegal! Um leve sorriso surgiu nos lábios dele. — Eu não sou o tipo de homem que segue regras, princesa. Antes que eu pudesse reagir, ele agarrou minha cintura e me empurrou contra a parede, inclinando o rosto no meu pescoço, aspirando fundo. Meu corpo inteiro travou. — Você é tão macia… — murmurou, a voz baixa. — Para… por favor… — tentei empurrá-lo, mas foi inútil. A mão dele deslizou até meu quadril, firme, possessiva. — Eu esperei demais por você, Alina. Meu coração batia descompassado. — Eu não quero isso… me deixa ir… Ele se afastou o suficiente para me encarar. — Eu vou cuidar de você. — disse, passando os dedos pelo meu cabelo. — Mas precisa aprender uma coisa. A mão dele apertou meu braço. — Você é minha. Tudo o que Alina D'Amico, uma jovem de 19 anos, queria era trabalhar para ganhar a vida e fazer trabalho voluntário no orfanato. Mas Gregorio Scarpani tinha outros planos para ela. Líder implacável da máfia, bilionário aos 26 anos e dono de um olhar frio e penetrante, Gregorio passou dois anos observando cada passo de Aurora. Esperando. Calculando. Agora, ele finalmente encontrou o momento perfeito para sequestrá-la e transformá-la na sua rainha — quer ela queira ou não. Ele mata por capricho. E ela é o novo capricho dele. Será que Alina vai resistir? Ou vai se render ao homem que destruiu sua liberdade... e roubou seu coração?
Ler maisALINA
Estava folheando o jornal quando ouvi o som da torradeira. O pão tinha pulado, quentinho e dourado. Fui até a cozinha, preparei meu café da manhã e arrumei tudo direitinho na mesa. O cheirinho do café recém-passado invadiu o ambiente, e eu respirei fundo antes de pegar o jornal de novo e continuar a leitura. Mas assim que meus olhos bateram na manchete, senti meu estômago revirar: Polícia encontra dois novos corpos — suspeita de envolvimento com a Máfia. A Máfia. Por algum motivo que ninguém entende, eles decidiram aparecer justo aqui, nessa cidade pequena e sem graça. Desde então, deixaram todo mundo com medo até da própria sombra. Ninguém sabe quem são, nem como se parecem. Mas o que todo mundo sabe é que eles são frios, cruéis e não pensam duas vezes antes de matar quem aparece no caminho. Depois que terminei de comer, lavei a louça. Eu simplesmente não consigo sair de casa e deixar tudo bagunçado. Voltei pro quarto pra começar a me arrumar pro trabalho. Já passava das 11h30 da manhã. Trabalho como garçonete em um restaurante chamado Le Clair De Lune. O nome sempre me lembra uma canção de ninar francesa que minha mãe cantava quando eu era pequena e tinha medo de dormir. Saudade da minha mãe. Ela era o meu farol. A luz da minha vida. Quando ela se foi, parece que uma parte de mim se apagou também. O mundo ficou escuro sem ela. Eu só queria que as pessoas que ainda têm os pais vivos entendessem o quanto isso é valioso. Que aproveitassem cada segundo, cada abraço, cada momento. Eu, infelizmente, nunca tive esse luxo. Nunca tive a chance de guardar meus pais comigo. Porque, mesmo que tecnicamente meu pai ainda esteja vivo... pra mim, ele morreu há muito tempo. Fugi de casa aos quinze anos. E tudo começou quando minha mãe partiu. Ele mudou. Começou a beber. Me ignorava, me agredia, me fazia trabalhar como se eu fosse adulta. Se eu voltasse pra casa sem dinheiro, ele trancava a porta na minha cara. Passei várias noites frias de inverno dormindo na porta, chorando até soluçar, implorando pra ele me deixar entrar. Mas era inútil. Ele não era mais o homem que eu conhecia. Eu só tinha nove anos. Os anos foram passando, e eu fui aguentando. Cada agressão. Cada desprezo. Mas depois daquela noite... depois do que ele tentou fazer... eu soube que não dava mais. Eu lembro que estava exausta, porque ele me obrigou a limpar a casa inteira sozinha. Voltei pro meu quarto, moída de cansaço. Mas, às três da manhã, fui acordada por vozes abafadas e uma discussão estranha. Me levantei, encostei o ouvido na porta... e o que escutei naquela noite ainda me assombra até hoje. Flashback — Então... cadê ela? — perguntou o primeiro homem. — Fala baixo! Vai acabar acordando ela — sussurrou o segundo. — Pera aí... a gente vai fazer isso com ela dormindo? — a mesma voz de antes questionou. — Não, você pode acordar. A gente amarra ela na cama — respondeu meu pai. Eu reconheceria aquela voz nojenta em qualquer lugar. — Eu quero ser o primeiro. Sempre quis tirar a virgindade de uma mulher. — Por que diabos você tem que ser o primeiro? — Porque eu tô pagando mais pro pai dela. — Carson, te dou mais trezentos dólares — disse o homem, falando com meu pai. — Por que vocês dois não vão logo primeiro? Um vai na frente, o outro atrás. Fechado? — meu pai sugeriu, como se estivesse vendendo uma mercadoria. — Fechado. — Por mim, tudo certo. Lembro das minhas pernas tremendo. Meu coração disparou. Um pânico tomou conta de mim. Eu não sabia o que fazer. Só sabia que meu próprio pai ia deixar aqueles homens me estuprar. Eles iam me destruir. No corpo e na alma. De repente, o barulho cessou. O silêncio só fez minha adrenalina subir ainda mais. Calcei os chinelos, beijei o colar da minha mãe — aquele que ainda uso até hoje. Abri a janela e pulei. Logo ouvi os gritos do meu pai. Ele estava furioso. Claro que estava. Eu tinha acabado com o plano nojento e monstruoso dele. Fim do flashback Nunca mais vi aquele homem. Fui parar num abrigo e morei em lares temporários até completar dezoito anos. Foi aí que tive acesso ao testamento da minha mãe. Descobri que ela tinha deixado um apartamento no meu nome. É onde moro hoje. E o meu pai? Nem sei o que aconteceu com ele. Talvez ainda seja o mesmo lixo abusivo de antes. Talvez tenha morrido de cirrose. Sinceramente? Prefiro não pensar nisso. Não vale meu tempo. Só sei de uma coisa: ele me fez perder a fé nos homens. Ele ainda me assombra. Aparece nos meus piores pesadelos. Nem pro meu pior inimigo eu desejaria ter um pai como o meu. Enquanto caminho até o trabalho, o frio me obriga a apertar mais o casaco e cruzar os braços, tentando manter o mínimo de calor no corpo. Ignoro os olhares sujos e os assobios dos porcos que infestam as calçadas. “E aí, gostosa... chega mais que eu te mostro um negócio bom.” “Menina, você é mais gostosa que mingau de aveia quente!” disse outro, rindo com seus dentes amarelados. (aff) Abaixo a cabeça e acelero o passo, querendo sair o mais rápido possível daquele mar de lixo ambulante que chamam de “homens”. Sério, qual é o objetivo desse tipo de abordagem? Não é fofo, não é charmoso, muito menos aceitável. É nojento. É repulsivo. E completamente fora de hora. A chance de uma mulher sorrir pra um homem depois de levar uma cantada dessas é exatamente zero. Quer dizer... a não ser que ela esteja indo na direção dele com um tapa na mão ou um chute onde o sol não b**e. Nesse caso... até que seria divertido. “Alina, até que enfim, hein!” minha colega de trabalho, Carina, me cumprimentou assim que tirei o casaco e pendurei no cabide de madeira do vestiário dos funcionários do restaurante. “Oi, Carina. Tudo certo com você hoje?” “Tô ótima. Mas me conta... por que chegou atrasada?” “Quase não consegui dormir. Meu vizinho idiota resolveu passar a noite se “divertindo” com a convidada dele. E as paredes são finas, sabe como é” respondi, enquanto amarrava o avental na cintura. “Ooooohhh... ouviu alguma coisa quente?” ela fez uma carinha maliciosa. “Você é nojenta” respondi, rindo. “E você é careta. Alina, você devia ter aproveitado o momento! Aquilo foi o mais perto que você já chegou de um pinto molhado” falou, com aquele tom brincalhão de sempre. Revirei os olhos e balancei a cabeça. “Sem ofensa, tá, amiga? Você é linda de doer, mas vive travada. Muito inocente pra uma garota de 19 anos. Nem o primeiro beijo rolou ainda!” “Você vai parar de criticar minha vida amorosa algum dia?” cruzei os braços e sorri de leve pra ela. “Não dá pra criticar o que não existe, né?” respondeu com a risada escandalosa de sempre. Aquela que parece uma hiena morrendo, e que sempre me faz rir junto. Ela olhou ao redor do vestiário vazio e reclamou: “Poxa, justo agora que soltei uma resposta perfeita, não tem plateia?” fingiu limpar uma lágrima do canto do olho, dramática como sempre. “Você é uma atriz, sabia?” falei entre risos. “E parece que os SEUS clientes chegaram. Mas, espera aí... o que esses pedaços de mal caminho estão fazendo num restaurante? Era pra eles estarem sendo servidos no cardápio! Hmm... vem ni mim” disse, mordendo o lábio e lançando um olhar provocante. “Eu amo homem de terno” completou, enquanto eu só conseguia rir e pegar meu bloquinho de anotações. “Eu tô indo, tá?” avisei, saindo do vestiário. “Boa sorte pra voltar com a calcinha seca!” gritou ela, e eu só virei os olhos e bati a porta atrás de mim com um olhar mortal. Enquanto caminhava até a mesa deles, ajeitei o uniforme. Por que o Helton tinha que fazer essas saias tão curtas? Elas mal cobrem a minha bunda! Parei em frente à mesa onde os três estavam sentados. E, contra a minha vontade, tive que concordar com a Carina: meu Deus, eles eram mesmo de tirar o fôlego. Com certeza deviam ser empresários ou alguma coisa assim — dava pra sentir a aura poderosa e fria deles de longe. Só os olhares já me deixaram desconcertada. “Oi, gata...” disse o da esquerda, me lançando uma piscadinha e passando a língua no lábio inferior. Hã? Eu? “Cala a boca, Julian” respondeu o da direita, arqueando a sobrancelha e lançando um olhar gelado. “Que foi? Ela é linda” sussurrou Julian, todo sem graça. Ok... eu estou literalmente aqui, na frente de vocês. Só deixem eu anotar o pedido e ir embora, por favor? Na mesma hora, vi o jeito brincalhão do Julian sumir quando o homem do meio olhou pra ele. Não foi pra mim o olhar, mas mesmo assim... me deu calafrios. O cara nem precisou me encarar pra me intimidar. Só a presença dele já era avassaladora. E se eu dissesse que não era o homem mais lindo que já vi na vida, estaria mentindo. Ele tinha aquele tipo de beleza bruta. Máscula. Selvagem. Cabelos bagunçados, mandíbula marcada, barba por fazer... pele bronzeada, ombros largos e perfeitamente proporcionais. Senhor amado... Sacudi a cabeça, tentando me livrar dos pensamentos antes que fosse tarde demais. “Hã... posso anotar o pedido de vocês?” O homem intimidador virou os olhos lentamente na minha direção. Na mesma hora, senti meu coração disparar. Os olhos dele... Eram vazios. Sem expressão alguma. Aquilo me deu medo. Um negro frio, quase sem vida. Olhos que carregavam tragédia, caos. Uma aura sombria envolvia aquele homem. Ele estava analisando meu rosto. Abaixei o olhar imediatamente, sentindo meu rosto corar. “Vamos querer o filé com o melhor vinho da casa” o homem da direita quebrou o silêncio. “Claro... mais alguma coisa?” perguntei, tentando manter a compostura. Ele apenas assentiu. Dei um leve sorriso e fui direto pra cozinha deixar o pedido. Sério, quase engasguei com tanta testosterona naquela mesa. “Alina, pode vir aqui um instante?” ouvi meu chefe, Helton, me chamar. Se tem uma pessoa que eu detesto, é ele. Suspirei fundo antes de ir até onde ele estava. Ele me puxou pro canto, afastando a gente dos outros funcionários. E, como sempre, começou com aquela palhaçada nojenta de sempre. “Notei que chegou atrasada hoje... confesso que isso me dá um certo prazer” disse, mordendo o lábio inferior. “Me desculpa, é que... eu não consegui dormir direito” respondi, meio engasgada. “Desculpas não vão te manter empregada. Você sabe muito bem o que tem que fazer pra continuar aqui” falou, com aquele tom nojento. De repente, ele agarrou minha cintura com força. A mão deslizou até o meu traseiro e ele apertou com brutalidade, sussurrando no meu ouvido: “Você tá deliciosa. Um dia ainda vou te foder com tanta força...” Senti o estômago embrulhar. Ele tem quarenta e três anos. E é casado. Detesto quando ele faz isso. Sempre me toca de forma repulsiva. Mas eu não posso perder esse emprego. Eu não posso. Só queria ter coragem de mandar ele pro inferno de uma vez. Eu odeio essa sensação de impotência. Odeio os homens. Eles só sabem tratar a gente como objeto, como brinquedo. Nunca conheci um homem que me tratasse com respeito. Nem mesmo o meu pai. Às vezes, eu só queria ter alguém. Assim que ele me soltou, saí correndo pro lado de fora, com os olhos marejados. As lágrimas escorriam sem parar. Eu não conseguia mais segurar. Estava cansada de ser usada. Sem ver direito, acabei tombando no peito de alguém. Duro como pedra. Quase caí com o impacto, mas ele segurou minha cintura antes que isso acontecesse. Quando olhei pra cima... era ele. O homem da mesa. Ele estava bem na minha frente, me encarando com aquele olhar mortal.ALINAVou até o closet e tiro minha roupa, ficando só de lingerie. Visto o vestido com cuidado e paro em frente ao espelho grande do quarto.Enquanto aliso o tecido, observo minha imagem refletida ali. Eu... pareço outra pessoa.Nunca fui de usar maquiagem, mas Clara soube exatamente o que fazer. Ela realçou meus olhos azuis, meu tom de pele claro, meus lábios... Tudo com leveza, sem exagero. Ficou sofisticado, bonito.Pela primeira vez em dias, me sinto... viva.O vestido realçava minha cintura fina e minhas pernas longas. Era simples, mas elegante.Pela primeira vez, eu me sentia bonita.Estava prestes a me sentar no puff para calçar os saltos prateados quando a porta se abriu de repente. Fui até o quarto e vi Gregorio, distraído no celular, com a alça da mochila de viagem presa firme à mão. Limpei a garganta, ajeitando o cabelo atrás da orelha. Ele virou a cabeça com rapidez ao ouvir o som. Largou a mochila no chão e enfiou o celular no bolso do paletó.Comecei a esfregar os braço
ALINAJá faz duas semanas que estou trancada aqui. Duas semanas inteiras desde que fui arrancada da minha vida. Não vejo Gregorio há dias. Ele está em viagens de negócios — ou pelo menos é o que dizem. Mesmo longe, ele liga todas as noites. Quer saber se estou bem, se preciso de algo. Mas o que eu realmente preciso, ele não quer me dar: minha liberdade.Minha rotina virou um ciclo repetitivo e entediante. Acordo, tomo banho, como alguma coisa, passo um tempo olhando pela sacada, leio até os olhos pesarem. E recomeço. Me sinto presa num loop interminável, como se o tempo aqui tivesse parado. De vez em quando, converso com Clara, a única pessoa que demonstra um pingo de gentileza. Mas nem isso dura muito — logo algum dos capangas aparece e a leva embora, me deixando sozinha de novo.As outras funcionárias... nem disfarçam o desprezo. Desviam o olhar, riem baixinho quando passo. Como se eu fosse um fardo. Não entendo o que fiz pra merecer esse desprezo. Parte de mim achava que, por
GREGORIO Desço pro porão. O desgraçado tá pendurado pelos braços, as pernas abertas, acorrentado. Hora de me divertir um pouco. Pego minha faca e enfio na mão dele. “Acorda, filho da puta” rosno. Ele grita alto, e eu o esbofeteio, segurando seu maxilar. “Cala a porra da boca ou eu vou te fazer calar.” “NÃOOO!! AJUDA, ALGUÉM ME AJUDA!” ele grita, e eu dou um soco no maxilar dele. “Você não está facilitando as coisas para você mesmo.” Balanço a cabeça, rindo. É hilário como ele pensa que vai sair daqui vivo. “Por que você está fazendo isso? Eu tenho uma esposa e um filho, não me machuque, por favor” ele ofega, e eu solto uma risada sádica. “Essa sua “esposa” está ciente das suas atividades pervertidas? Ela sequer passou pela sua cabeça quando você assediou a minha noiva?” Zombo, andando em círculos ao redor dele, a cabeça baixa e as mãos nas costas. “O-o que você quer dizer? Quem é você? Eu não conheço sua noiva. Por favor, me deixa em paz” ele implora. Men
GREGORIOAcordo e meus olhos vão direto pra ela. Dormindo tranquila na minha cama. Meu anjo. Minha mulher.A futura Sra. Scarpani.Ela só ainda não entendeu isso — mas vai entender.Vou dar um tempo pra ela aceitar essa nova realidade. Se acostumar a viver sob o mesmo teto que eu, sob as minhas regras. Depois disso, levo ela pra conhecer minha família. Minha mãe vai amar essa garota — ela é uma pintura, por dentro e por fora.Ela é minha. Ponto.Tenho o direito de olhar, de tocar, de estar perto. De tomar o que é meu. Mas ainda não.Não até que seja oficialmente minha mulher.Observo cada detalhe do rosto dela enquanto dorme. Maldita perfeição. Os lábios entreabertos, os cílios longos, o cabelo bagunçado sobre os ombros expostos... Ela nem sabe o que provoca. Nem imagina o que faz comigo.Me dá vontade de jogá-la debaixo de mim e mostrar exatamente do que eu sou capaz. Mas não agora. Ainda não.Se eu quisesse, podia rasgar essa camisola agora, deitá-la na cama e fazer ela g
Último capítulo