Alina Encontra Gregorio

ALINA

Abro os olhos devagar, piscando com dificuldade.

Uma dor de cabeça latejante me atinge com força...

E meu corpo inteiro parece estranho.

Estou exausta.

O que aconteceu ontem à noite?

Me apoio nos cotovelos e olho em volta. Esse não é o meu quarto.

ONDE DIABOS EU TÔ?!

De repente, tudo volta à minha mente de uma vez. Fui sequestrada.

Me colocaram num carro.

Meu Deus...

O pânico toma conta de mim. Corro até a porta, tentando abrir.

Nada. Não consigo.

Desesperada, começo a socar a madeira com as mãos.

“SOCORROOO! P-PELO AMOR DE DEUS, ALGUÉM ME AJUDAA!!!” grito o mais alto que consigo, a voz falhando no meio das lágrimas.

Minhas mãos começam a arder, mas eu continuo.

“ALÔ? POR FAVOR, ME TIRA DAQUI!”

Ninguém responde.

Ninguém vem.

Preciso sair daqui. Corro até a janela. Tentei abri-la. Trancada. Começo a andar de um lado pro outro, procurando uma saída.

Nada. Nenhuma. É inútil.

Me jogo no chão, abraçando os joelhos.

Choro como nunca chorei na vida. Eu não sei o que vai acontecer comigo.

Não sei nem onde estou. Até que... a exaustão me vence.

Apago ali mesmo, no chão.

(...)

“Alina, você consegue me ouvir?”

Uma voz rouca e grave me chama. Parece preocupada.

Abro os olhos devagar e vejo um homem de terno ajoelhado ao meu lado. Ele toca meu rosto com cuidado, como se fosse de porcelana. Minha primeira reação é recuar.

Me levanto rápido e me encosto contra a parede mais próxima.

Olho pra ele... e meu coração dispara.

É ele.

O homem do restaurante.

“Calma, anjo... Eu não vou te machucar.” Ele murmura, com uma voz baixa e suave.

O que ele quer de mim?

“P-por favor... por favor, me deixa ir pra casa...” imploro, chorando mais forte ainda.

Sinto como se não houvesse segurança nenhuma perto dele.

“Sinto muito, amor. Mas não posso fazer isso.” Ele diz, com tanta naturalidade que me dá calafrios.

O quê?!

“Agora venha. Você precisa comer.” Ele continua, como se nada tivesse acontecido.

“Não, por favor! Eu só quero ir pra casa. Me deixa ir... me deixa ir embora!” imploro, soluçando sem parar. “Eu te dou o que quiser... qualquer coisa... só me deixa ir...”

“Eu não quero nada de você, Alina.” Ele responde com a voz grave. “Eu só quero você.” Ele sorri de lado.

“O quê...?” pergunto, arregalando os olhos.

O que ele tá dizendo?!

“Acho que ainda não nos apresentamos direito. Sou Gregorio. Gregorio Scarpani.”

O nome dele soa familiar. E então cai a ficha.

A máfia.

É ele.

Ele é o líder

Meu corpo começa a tremer.

“P-por favor... não me mata... eu não fiz nada...”

Ele apenas ri.

Um riso baixo, como se se divertisse com meu medo.

Me observa... e eu vejo o meu reflexo aterrorizado nos seus próprios olhos.

“Já disse que não vou te machucar. Agora você mora aqui.”

O quê?!

“Q-quê?! N-não... eu não moro aqui! Eu quero voltar pro meu apartamento!” digo, tentando manter a firmeza, mesmo tremendo por dentro.

Ele arqueia uma sobrancelha.

“Pode esquecer isso. Agora sua casa é aqui. Comigo.”

Isso não pode estar acontecendo.

“NÃÃÃO!!! Você não pode fazer isso comigo! Eu não vou ficar aqui! Você não pode me manter presa! Isso é ilegal!”

“Eu não sou exatamente o tipo que segue regras, princesa. Agora, anda logo.” Ele cospe as palavras, e aquele brilho brincalhão nos olhos dele simplesmente desaparece.

“N-não, você não pode fazer isso comigo. Por favor, não me prende aqui. Eu não fiz nada de errado!” imploro, minha voz embargada pelo desespero. Será que ele realmente espera que eu fique? Isso é loucura.

“Tenho que admitir, não esperava que você fosse tão teimosa.” Ele cruza os braços sobre o peito e começa a se aproximar. “Mas eu não vou relevar isso, Alina. Você vai ter que aprender a se comportar.”

Dou um passo para trás, tentando escapar, mas ele agarra minha cintura com firmeza e me empurra contra a parede. Ele enfia o rosto no meu pescoço, respirando fundo, como se absorvesse meu cheiro. Me debato, mas o aperto dele só aumenta. Fecho os olhos com força, ofegante. O medo me paralisa.

“Você é tão macia, meu bem...” ele murmura, deslizando os dedos ásperos pela minha pele até chegar à minha clavícula. Um arrepio percorre meu corpo quando ele inala meu perfume.

“Por favor...” É tudo o que consigo dizer. Estou apavorada. Ele poderia me matar se quisesse.

“Shhh... não fala. Eu esperei demais por isso.” Ele sussurra contra minha pele, a mão escorregando para meu quadril, apertando de leve.

Solto um suspiro ofegante. Eu não posso deixar ele me tocar. Ele me sequestrou. Eu preciso fugir.

“Para, por favor, para!” Tento empurrar as mãos dele, mas ele nem se move. Grito ainda mais alto. Depois de um tempo, sinto o aperto afrouxar.

“Shhh, não chora, meu amor. Eu prometo que sua vida vai ser ótima aqui. Eu vou cuidar de você.” Ele diz suavemente, passando os dedos pelo meu cabelo, afastando-o do meu rosto.

Eu não vou ficar aqui. Não posso.

“E-eu não quero isso. P-por favor, me deixa ir.” Sussurro, tão baixo que nem sei se ele me ouviu.

Levanto os olhos devagar. Os dele estão mais escuros, perigosos. De repente, ele afunda as unhas no meu braço e eu solto um grito.

“Eu não vou tolerar essa sua resistência, Alina. Você é minha. Vai se comportar, ou eu mesmo vou ensinar. Quer que eu te ponha no meu colo e te ensine do jeito mais difícil?” Ele ameaça, e eu engulo em seco, o coração disparado no peito.

“É isso o que vai acontecer. Você vai colocar algo mais confortável e descer pra tomar café. As roupas estão no armário. Fui claro?”

Eu sinto que ele está começando a perder a paciência. E eu não quero apanhar. Não tenho escolha.

Faço que sim com a cabeça, envergonhada. Ele sorri de lado.

“Com palavras, meu amor. O que você vai fazer?” Ele pergunta, satisfeito com minha submissão.

“E-eu vou me trocar… e vou descer pra tomar café.” Respondo, a voz trêmula. Estou ficando desesperada. Alguém, por favor, me salva.

“Hmm, boa garota. Tá começando a aprender.” Ele se vira e sai, fechando a porta atrás de si, me deixando sozinha com meus pensamentos.

O que eu vou fazer? Esse homem obviamente tem algum fetiche estranho por mim… e eu não quero ser a próxima vítima.

PENSA, ALINA. PENSA!!!

Respirando fundo, caminho até o closet. Vou fazer o que ele mandou… por enquanto. Quando eu descer, vou correr. Dar um jeito de escapar.

Abro a porta e… uau. Tem todos os tipos de roupas aqui dentro. E o mais assustador: todas do meu tamanho. Isso é doentio.

Tiro minha roupa devagar, com o rosto ainda molhado de lágrimas. Jogo minha saia sobre a poltrona e continuo, tirando a blusa. De repente, escuto um barulho surdo no carpete. Me viro imediatamente e meu coração dispara.

Meu celular.

Eles esqueceram de pegar meu celular.

É a minha chance.

É a minha saída!

Me abaixo apressada, agarro o aparelho e digito 190, as mãos trêmulas, o coração na garganta. Vamos, por favor, atende...

"O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO?!” a voz explode atrás de mim.

Me viro num salto e dou de cara com ele. Gregorio. Vermelho de raiva, os olhos incendiando, as narinas infladas, os punhos cerrados, as veias saltando na testa.

Ele vai me picar em pedaços.

O celular escorrega da minha mão enquanto ele avança com passos longos. Foi aí que percebi: estou só de sutiã e calcinha. Tento cobrir meu corpo com os braços, desesperada, mas é tarde demais. Ele agarra meu pulso e me puxa contra o corpo dele com força. Vai ficar uma marca.

“RESPONDE! O QUE VOCÊ TAVA FAZENDO?!” ele grita na minha cara.

Eu tremo, me encolho, as lágrimas ameaçando cair de novo. Mas eu não quero chorar, não de novo.

“P-por favor… eu… eu não fiz nada” imploro, a voz falhando enquanto tento recuar.

Ele não me dá chance. Puxa meu braço e torce para trás, com brutalidade. Eu solto um gemido de dor.

“VOCÊ IA LIGAR PRA POLÍCIA, É ISSO?! VOCÊ TEM NOÇÃO DAS CONSEQUÊNCIAS DESSA MERDA, ALINA?!” ele berra, me empurrando contra o espelho do closet. O frio do vidro arrepia minha pele.

Fico em silêncio. Só os meus soluços preenchem o quarto.

“RESPONDE!”

“P-pelo amor de Deus… me desculpa...” imploro, tentando escapar do aperto dele, mas só faz piorar. Ele me segura com mais força ainda. Tá doendo.

“POR QUE VOCÊ SIMPLESMENTE NÃO ENTENDE?!” ele soca a parede com tanta força que eu pulo, assustada. “VOCÊ NÃO VAI SAIR DAQUI. NUNCA. E SE VOCÊ TENTAR UMA COISA DESSAS DE NOVO, EU JURO QUE VAI SE ARREPENDER.”

A voz dele é rouca, carregada de fúria. Eu tô apavorada.

“Não ouse me desrespeitar. Você vai aprender a obedecer. Eu não vou deixar você sair. E fugir... não é uma opção, entendeu?” ele rosna, os olhos fixos no meu rosto.

Desvio o olhar para o braço dele. A manga da camisa está dobrada até o cotovelo, revelando as veias saltadas — ele está mesmo furioso.

Mas por quê? O que eu fiz de tão errado?

Eu só quero voltar pra casa.

“EU NÃO VOU TOLERAR ESSE TIPO DE COMPORTAMENTO, ALINA. AGORA VOCE É MINHA! ENFIA ISSO DE UMA VEZ NA SUA CABEÇA. FUI CLARO?” Ele segura meu queixo com força, forçando meu rosto para cima.

Como foi que eu me meti nisso?

As lágrimas já escorrem pelo meu rosto, mas ele as enxuga com os dedos, quase com carinho.

“Para de chorar e responde.”

Solto um soluço baixinho, baixo a cabeça e apenas aceno, submissa.

Ele sorri. Um sorriso satisfeito.

“Hmm... Isso, meu bem. Você está começando a aprender. Prometo que não vou te machucar.”

Sua voz soa doce, mas tudo em mim grita o contrário.

Ele finalmente solta meu pulso. Eu gemo baixo quando sinto a dor latejante se espalhar.

‘Não vou te machucar’, hein? Diga isso pro meu pulso machucado.

“Você vai adorar viver aqui. Só não teste minha paciência... nem me dê motivos pra perder o controle.” Ele diz em tom ameaçador, com uma mão acariciando meu rosto e a outra pousada firme na minha cintura.

“Agora vai se trocar e desça. Você vai conhecer todo mundo como se deve.”

Dito isso, ele me solta e caminha até a porta.

Mas antes de sair, ele se vira:

“Ah, e Alina...”

“Si-sim?” Minha voz falha. Ele me assusta. Eu não quero provocá-lo.

“Nada de gracinha.”

E então ele fecha a porta com força.

Me escoro na porta do armário e deslizo até o chão, onde me deixo cair, chorando descontroladamente.

Queria que isso fosse só um pesadelo... Mas não é.

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