Aquela manhã começou diferente. Você estava inquieto, andando pela casa como um leão enjaulado. Seus olhos varriam as janelas com paranoia, e a arma — que antes ficava guardada na gaveta do criado-mudo — agora dormia sobre a bancada da cozinha.
— Alguma coisa está errada — você disse, enquanto observava os telhados vizinhos pela janela entreaberta.
— Isso já é paranoia ou instinto?
Você virou o rosto devagar, seus olhos encontrando os meus. Havia algo neles — medo, talvez — mas também uma decis