Ana
A casa inteira estava mergulhada no escuro.
Nem um fiozinho de luz.
Nem o pisca-pisca do roteador, nem o relógio do micro-ondas.
Nada.
Fiquei parada no meio da sala, sem nem respirar direito, o guarda-chuva apertado contra o peito como se fosse um escudo.
Lá fora, a chuva batia com tanta força nas janelas que parecia querer entrar.
E cada trovão fazia o coração pular mais alto.
“Calma, Ana. É só um apagão. A luz vai voltar. Tá tudo bem.”
Mentira. Não tava nada bem.
O silêncio da casa era pi