Título: Entre a Farda e o Fuzil Sinopse: No topo do morro, não tem lei. Tem nome. E o nome é Muralha. O Estado tentou derrubar. A mídia tentou apagar. Mas ele sobreviveu a tudo — tortura, traição, emboscada e bomba. Hoje, é lenda viva. É dono da boca, do morro, do medo. Onde ele pisa, o chão respeita. Onde ele fala, o silêncio obedece. Onde ele aponta, alguém morre. Não é só criminoso. É símbolo. É o trauma vestido de ouro. É a raiva armada até os dentes. E quem ousa subir seu território de farda engomada, precisa saber: Ali, não é justiça. É selva. Mas ela subiu. Sargento Alana. A menina que fugiu da favela jurando nunca voltar. Hoje, voltou com arma no coldre e veneno na alma. Porque o sistema apodreceu por dentro, e ela decidiu podar pela raiz. Só que Muralha… Muralha foi a raiz que ninguém cortou. Nem o tempo. Nem a bala. Nem o passado. Agora, eles tão frente a frente. Ela com a farda que pesa. Ele com o fuzil que governa. Duas potências que se conhecem demais pra errar. E se odeiam demais pra recuar. Entre eles, não tem paz. Tem morte anunciada. Entre a Farda e o Fuzil é guerra no osso, no olhar, na alma. É uma história onde ninguém é certo. Só mais armado. Mais frio. Mais preparado pra morrer — ou virar nome de esquina. Porque no fim das contas, essa história só tem duas saídas: Ou Alana mata o homem. Ou Muralha derruba o sistema. E quando um deles cair… O morro inteiro vai tremer.
Ler mais📍 NARRADO POR ALANA (continuação — briga de rua, sem escapatória, sem misericórdia) --- O PRIMEIRO SOCO É SEM CERIMÔNIA Ele veio com tudo. Punho fechado, cheio de ódio e testosterona inútil. Mas raiva não vence experiência. Eu me abaixei no reflexo, o soco dele passou zunindo pelo meu cabelo. Apontei o joelho direto na costela, e o estalo foi música. Vilela cambaleou, tossiu seco — já sentiu que não ia ser fácil. — “Não vai ter rádio, Vilela. Não vai ter reforço. Vai ter é chão, asfalto e tua cara ralada.” — rosnei, girando no próprio eixo. Ele veio de novo. E aí acertou. Um soco direto na boca. Doeu. Rasgou o lábio. Mas a raiva que me alimentava queimava mais que a dor. Cuspi sangue no chão e sorri. — “Isso é tudo que tu tem?” --- A COBRA TENTA PICAR Ele tentou usar o peso a favor, jogou o ombro contra mim, querendo me derrubar no baque. Não conseguiu. Eu rolei pro lado, chutei o joelho dele com força. Ele caiu de lado e tentou se reerguer na fúri
📍 NARRADO POR ALANA---A COBRA NA MIRA DA LÂMINA (continuação)— “Tu queria o meu lugar.” — minha voz saiu baixa, mas cortante. — “E pra isso, fez pacto com cobra. Se aliou à Daniela, lambendo as botas dela enquanto tentava me tirar de cena como quem varre sujeira pro canto da sala.”Vilela engoliu seco.A arma ainda tava apontada pra ele. Firme. Segura.E eu?Eu era o gatilho antes do disparo.A sentença antes da justiça.Ele respirou fundo, o peito tremendo mais do que devia.— “Sempre soube…” — ele começou, cuspindo veneno disfarçado de razão — “... que tu era de favela. E quem nasce no esgoto, Alana, não devia se meter com gente de farda limpa.”Meu dedo apertou mais o gatilho.Mas não disparei.Ainda não.— “De farda limpa?” — soltei uma risada seca. — “Tu usa essa farda como se fosse capa de santidade… mas por baixo dela, tá tão sujo quanto o beco onde eu cresci.”Avancei mais um passo.Agora dava pra ver o suor escorrendo da testa dele, misturado com o medo que ele fingia não
📍 NARRADO POR MURALHA --- O INÍCIO DO INFERNO Os faróis vieram primeiro. Luz baixa. Lenta. O tipo de movimento que quem é de guerra reconhece de longe. O Civic grafite passou… Depois o Prisma branco. Alana apertou o rádio no ouvido. — “É agora.” E eu respirei fundo. Uma respiração só. Uma única. Porque depois dela, o mundo desabou. — BOOM! O estrondo da granada de fumaça que explodiu no asfalto rachado não foi só barulho. Foi sinal. Sinal de que o inferno ia começar ali mesmo, naquela curva maldita da Estrada do Itajuru. E o inferno… Tinha o nosso nome no comando. --- GUERRA SEM NOME Alana correu pelo flanco esquerdo, fuzil em punho. Eu fui pelo direito, mais rápido que os gritos dos filhos da puta dentro do Civic. O primeiro a sair foi o Beto Lima, o atirador. Metido a sniper de elite, mas caiu no chão cuspindo os dentes quando minha coronha beijou o queixo dele com gosto. — “Esse é pelo Julião, arrombado.” — murmurei, antes de chutar o joelho dele pra dent
📍 NARRADO POR MURALHA O motor roncava como fera engatilhada. A noite era densa, pesada, cheirando a gasolina, pólvora e decisão. Eu subi na moto com o sangue fervendo, cada batida do coração um tambor de guerra batendo no compasso da morte anunciada. Vi ela vindo. Alana. Fagulha. Meu caos favorito. O moletom preto marcava a curva dos ombros, a arma presa no coldre como se fizesse parte do corpo. A expressão era de quem já tava lá na frente, na hora do tiro, do grito, do sangue espirrando no asfalto. Ela era poesia de guerra. Eu tirei o capacete da garupa, girei no ar e joguei na direção dela. — “Veste aí, Fagulha.” Ela pegou no ar, sem nem piscar. — “Hoje tu enterra de vez essa farda.” Parei por um segundo, só pra olhar. Ela encaixando o capacete como se vestisse uma sentença. E então falei. Aquela porra da frase que ficou presa na garganta desde que ela voltou. — “Hoje tu mata polícia, Fagulha…” O olhar dela grudou no meu. Firme. Cortante. — “…o que tu era até um
📍 NARRADO POR MURALHA A rua já tava mais vazia quando a gente saiu da boca, mas o clima... O clima parecia cuspido direto do inferno. Não tinha fogueira, mas o ar queimava. Não tinha tiro, mas meu sangue pulsava como se tivesse. Alana andava na minha frente, o cabelo preso de qualquer jeito, ainda suada da luta. Cada passo dela no asfalto era um lembrete: aquela mulher não era só desejo. Era sentença. E a porra da sentença tava prestes a ser executada. — “A gente vai precisar de dois carros.” — ela falou, sem olhar pra mim. — “Um vai interceptar. O outro cobre a retaguarda.” — “Já chamei o Romeu e o Galinha. Tão vindo com os possantes.” — respondi. — “Carro blindado, vidro preto, sem rastreador.” Ela assentiu, puxando o celular do bolso de trás e rabiscando algo na tela. O chip limpo já tava fora do ar — segurança era prioridade, paranoia era requisito. — “Eu quero o Julião fora antes das 21h.” — ela disse. — “Se der 21h01 e ele ainda tiver na ronda, a chance de vir saco p
📍 NARRADO POR AZIZA (continuação) Eu ainda tava com o corpo quente. Mas não era só da raiva. Era do toque. Do gosto. Do peso daquele beijo que me arrancou do eixo. Soltei um suspiro pesado e deixei a cabeça cair no peito dele, sentindo o coração bater acelerado — mais por mim do que pela dor. Me ajeitei de lado, uma perna por cima da dele, o braço atravessando sua barriga machucada. Ele soltou um gemido abafado. — “Ai, caralho…” — “Bem feito.” — murmurei, mas sem força. — “Tua sorte é que eu ainda te amo.” — “Não é sorte.” — ele respondeu, voz baixa, rouca. — “É milagre.” Ri contra o peito dele. Só um pouquinho. Fechei os olhos por um segundo, deixando a respiração sincronizar com a dele. Depois levantei a cabeça e o encarei, o dedo riscando de leve a linha da cicatriz que ele tinha do lado do queixo. — “Agora fala sério.” — comecei, firme. — “Tu vai parar de implicar com a Alana?” Ele virou o rosto devagar, arqueando uma sobrancelha. — “Tu ainda tá ne
Último capítulo