NARRADO POR MURALHA
Cheguei na entrada do beco de trás do bar da Elza, com a moto ainda quente e o coração mais quente ainda.
Ali não tinha câmera, nem curioso. Só mato, esgoto aberto e silêncio de quem sabe que boca fechada vale mais que ouro.
Acendi um cigarro, encostei na parede descascada e esperei.
Dois minutos depois ele veio.
Fardado.
Fingindo que era só mais um.
Mas eu conheço o jeito de andar, o olhar, o veneno disfarçado. Aquilo ali era sangue meu.
Julião.
Meu primo.
Filho de ninguém,