Narrado por Muralha
Acordei com o ronco da favela me chamando.
Helicóptero longe, moto subindo, grito de mãe mandando filho botar chinelo.
Música alta da boca, cheiro de café queimado e maconha misturado no ar.
É assim que o morro respira.
E eu respiro com ele.
Levantei da cama sem pressa.
Mas com propósito.
Tem coisa que o tempo não cura.
Só organiza.
E ontem…
bagunçou tudo de novo.
Abri a janela da laje e olhei pro alto.
O céu de sempre.
Mas a favela?
Ela sentiu.
Ela viu.
Ela sussurrou o nome