Capítulo 20 — A Sombra do Leilão
O salão voltou a respirar como se nada tivesse acontecido. O quarteto fez as pazes com as notas, as taças cintilaram, as conversas retomaram o tom morno de quem gosta de ser visto. Mas eu ainda sentia no peito o peso do caderno sem nome e, na boca, a sobra do quase — o quase beijo, a quase queda, o quase crime filmado pelas câmeras que Helena já conhecia antes de mim.
Encontrei-a de novo num terraço lateral, onde o pátio de laranjeiras desenhava sombras redondas