Mundo ficciónIniciar sesiónTudo que começou com uma massagem acabou em sequestro. Isadora só queria um acompanhante discreto para enganar os pais. Não imaginava, no entanto, que levaria o Don mais temido de Verticália para o jantar. Marcada por um casamento violento, ela e a melhor amiga se veem numa trama cheia de segredos, que pode matá-las. Entre a culpa e o desejo, precisam decidir até onde irão para recuperar o controle da própria vida. Traumas, poder e amor: em Verticália, ninguém sai ileso quando tenta ser dona do próprio destino.
Leer másISADORAA cadeira de plástico da delegacia da mulher não era nada anatômica. O que, para uma fisioterapeuta, já devia constar como crime. Contudo, não era mais desconfortável do que o olhar da atendente. Apertei os dedos no colo, tentando manter a voz firme.— Eu tô sendo seguida. Já vi o mesmo carro preto duas vezes. E ontem, três motoqueiros me cercaram. Um deles falou o nome do meu ex. Eu reconheci a voz.A policial digitava devagar, sem me encarar.— A senhora tem alguma prova concreta? Placa do carro? Fotos? Testemunhas? Câmera de segurança?É, tinha sido um erro ir ali, porque eu não tinha nada daquilo. Só tinha o medo de vítima. E o instinto de enxergar padrões, para não sofrer violência novamente.— Meu ex-marido está preso. Isso não significa que ele parou de mandar em gente aqui fora. Eu sei que ele mandou me vigiar. Eu sei!A policial suspirou.— A senhora está fazendo acompanhamento psicológico?A pergunta doeu tanto quanto um tapa. Balancei a cabeça rapidamente, como se i
LORENZODesci os corredores como se fosse o próprio Lúcifer indo tomar conta do inferno que o pai construíra. Era ali onde eu conversava com meus desafetos. Escutei os gritos antes de abrir a porta:— Por favor! Eu não fiz nada! Eu só...Entrei na sala tendo a certeza de que o destino do crápula capturado era todo meu. E eu faria o que bem entendesse. O homem amarrado à cadeira se calou no mesmo instante em que me viu. O silêncio que se seguiu era mais pesado que qualquer ameaça.A Caverna era bem simples: um cômodo com três paredes de concreto e uma de vidro. Uma cadeira no centro, luz branca direta. E o cheiro — sempre o cheiro — de sangue seco, mijo e medo.Entreguei o terno a Thiago, meu Underboss, que me esperava em silêncio. Arregacei as mangas da camisa, pois não queria sujá-las. Não era preciso perguntar o nome do homem — isso eu já sabia— , porém gostava de seguir o protocolo.— Nome?— Ricardo. Eu... eu trabalho no porto. Empilhamento de carga... — respondeu o sujeito, com a
ISADORAMe vi sozinha na sala, ainda hipnotizada pelo cheiro que, de tão adocicado e forte, se sobrepujava ao dos óleos. Amélia havia saído com um sorriso vencedor — ou melhor: de quem se acostumou a ter todos os seus desejos realizados. Eu, por outro lado, me sentia como se tivesse perdido alguma coisa; só não tinha ideia do quê. Era como se ainda a massageasse.Lavei-as com mais força do que o necessário. Apesar da água quente escorrer pelos dedos, não levava consigo a sensação de tê-la tocado. De luva na mão direita, higienizei a maca de novo... e de novo. Porém, o aroma doce dos óleos, misturado ao perfume da cliente, pairava no ar. E o corpo dela ainda se encontrava ali, de algum jeito: sua pele bronzeada, seus olhos fechados, sua entrega sem medo."Com final feliz, né?"Esse sussurro indecente ecoava na minha cabeça. Não era a primeira vez que alguém me pedia, entretanto, foi a primeira vez que eu me senti... violada. Como se, naquela sala, não fosse eu quem estivesse no control
ISADORAMe vi sozinha na sala, ainda hipnotizada pelo cheiro que, de tão adocicado e forte, se sobrepujava ao dos óleos. Amélia havia saído com um sorriso vencedor — ou melhor: de quem se acostumou a ter todos os seus desejos realizados. Eu, por outro lado, me sentia como se tivesse perdido alguma coisa; só não tinha ideia do quê. Era como se ainda a massageasse.Lavei-as com mais força do que o necessário. Apesar da água quente escorrer pelos dedos, não levava consigo a sensação de tê-la tocado. De luva na mão direita, higienizei a maca de novo... e de novo. Porém, o aroma doce dos óleos, misturado ao perfume da cliente, pairava no ar. E o corpo dela ainda se encontrava ali, de algum jeito: sua pele bronzeada, seus olhos fechados, sua entrega sem medo."Com final feliz, né?"Esse sussurro indecente ecoava na minha cabeça. Não era a primeira vez que alguém me pedia, entretanto, foi a primeira vez que eu me senti... violada. Como se, naquela sala, não fosse eu quem estivesse no control
LORENZO MARANZANOSequestrei, sim, a massagista Isadora Guerra. E, querem saber? Não me arrependo. Nem mesmo da mentira de que foi só para protegê-la. Queria mesmo era fazer dela mia Donna.Ah, Isadora... finalmente você está livre deste criminoso que, apesar de querer teu bem-estar, é incapaz de amar como você merece.Agora, olha pra mim: indo me casar com uma filha da Máfia, como eu. Como deve ser. Não seria prudente te puxar comigo para a lama onde estou enfiado. Se me preocupo em puxar minha futura esposa? Não mesmo, ela é bem pior que eu.***Umas Semanas Antes...O Cassino Maranzano Palace, situado no coração do Distrito Golden, nunca dormia.Eu também não: se o controle da Família era meu, cabia a mim manter tudo em ordem. Se eu não tolerava erros de ninguém — como toleraria os meus? Caso alguma merda acontecesse quando eu baixasse a guarda, teria que me matar? Me parecia muito injusto continuar vivo depois de todos que executei por erros tolos.Minha chegada ao Cassino não p
O verão em Verticália era pegajoso.Embora se situasse no Distrito Central, a clínica ficava a poucas quadras de onde morávamos. Por isso, íamos a pé. Camila seguia à frente, com os passos de quem sabe o que quer da vida. Eu tentava aproveitar cada pedacinho de sombra pela calçada, torcendo para que suor não colasse a blusa nas minhas costas. A fachada da clínica era discreta: uma porta verde-clara com uma placa, onde se lia "Espaço Ombros Leves". Um nome para não atrair tarados nem afugentar donas de casa.Por dentro, o ambiente era modesto. Duas poltronas de vime na recepção, almofadas floridas, um difusor em seu trabalho de aromatizar o ambiente. Além disso, quadros de anatomia misturados a ilustrações de flores, mãos entrelaçadas e frases de empoderamento.Tudo ali era feminino e feminista.Minha sala era a última do corredor. De paredes claras, uma maca no centro, uma estante com óleos e toalhas dobradas — tudo que eu precisava para trabalhar. Uma pequena janela com cortina de re
Último capítulo