— Exato. — Minha voz foi baixa, cortante. — Eu posso ser um monstro, mas não me interessa ferir quem nunca fez mal. Ela precisa parecer morta. Eles precisam de prova. Sem prova, as dúvidas corroem. Com prova, e sei que fecham os olhos e aceitam a versão que eu dou.
Foi quando notei a tesoura de poda sobre o aparador, lâminas gastas, cabo envernizado. O metal cintilou num reflexo curto, e a ideia se firmou como uma faca afiada na minha cabeça.
— Eles vão querer ver sangue. — Falei, andando até o aparador e pegando a tesoura. Abri e fechei as lâminas devagar, o som seco preenchendo o silêncio. — Um dedo, talvez. Algo convincente. Vai calar a dúvida.
Ele fechou os olhos por um segundo, como quem tenta orar e não consegue. Quando falou, a voz era um sussurro pesado. — Eu não gosto disso, Luca. — Eu posso ouvir a carranca em sua voz sem ver seu rosto.
— Eu também não, mas o tempo é curto e não temos opções. Além do mais, devemos aproveitar que a menina está dopada.
Viro, olho para o