— Quando eu era pequena… — murmurei — eu acho que conseguia amá-lo. Mesmo com as restrições, com as punições, com as rezas intermináveis. Mesmo com tudo. Mas depois… — balancei a cabeça, rindo sem humor — conforme eu fui crescendo, foi ficando impossível. Eu não conseguia ver ele como um pai.
Senti o ar ficar mais denso, e continuei, antes que a coragem me faltasse.
— Na noite do meu aniversário… — a lembrança veio com um arrepio — eu recebi um drink no meu quarto. Achei que fosse um presente seu. — Ri baixo, triste. — Aquele que você me prometeu.
Laura arregalou os olhos, e eu continuei, sentindo as palavras me rasgarem por dentro.
— Mas depois disso, percebi que havia sido dopada, e eu acordei em outro lugar. Amarrada. Sem entender nada. — Engoli em seco. — Foi quando eu conheci o Gregor pela primeira vez.
Apenas o nome dele já me dava enjoo.
— E logo depois, o nosso pai entrou. — As palavras saíam trêmulas. — Eu pedi ajuda, Laura. Implorei. Disse que nunca mais o envergonhari