— Como você entrou com isso? — perguntei, a voz saindo mais alta do que queria. — Tem vigias…
Ele deu de ombros, calmo, seguro.
— Não importa — disse. — Eu pensei que você gostaria de escutar alguma coisa.
Meus olhos se encheram de lágrimas sem que eu percebesse. Fazia anos que eu não ouvia uma música. Ou que chegava perto de algo assim. Aqui não tínhamos nada eletrônico, é muito menos tinha algo meu. Algo que me permitisse escapar, mesmo que por alguns minutos. Senti o nó na garganta e apenas murmurei:
— Obrigada… — murmurei, quase sem fôlego.
Olhei para ele, e algo dentro de mim se abriu, uma sensação que eu não sabia nomear. — Eu posso? — perguntei, apontando para o MP3 que ele me entregava como se fosse um tesouro.
— Claro — disse Luka, com aquela firmeza calma que fazia tudo parecer seguro, e, por um instante, senti que o mundo inteiro podia esperar lá fora.
Sentei-me na beirada da cama, segurando o aparelho com cuidado, quase reverência. Ele se sentou ao meu lado, tão pr