As mãos dela tremiam levemente sobre o colo.
— Tudo ficou para mim. — Um riso sem humor escapou dos lábios dela, curto e amargo. — Mas, no caso da minha morte, o controle da empresa passaria para o meu irmão. E ele… — Ela respirou fundo, os olhos marejados. — Ele queria mais. Sempre quis. Então armou um escândalo. Disse à imprensa que eu era bissexual. Que envergonhei o nome da família.
Ela olhou para mim por um instante, com os olhos inchados e vermelhos, antes de desviar o olhar para o chão.
— Mas aquilo foi só a ponta do iceberg. — A voz dela falhou, e ela levou uma das mãos à barriga, instintivamente. — Depois do escândalo, ele me trouxe para cá. Disse que era para me “proteger de mim mesma”. — Um riso curto e trágico escapou, sem qualquer alegria. — Para o resto do mundo… eu cometi suicídio.
Meu coração parou por um segundo.
— Ele forjou tudo. Disse que eu me joguei da ponte do Brooklyn. Que, depois da morte dos meus pais, eu entrei em depressão, que não consegui lidar com a