Mundo de ficçãoIniciar sessãoCasamento por contrato + ceo femina x caipira + Slow Burn | Os sócios haviam jogado sujo, usando um homem doente a fim de mudar o testamento e tirar tudo de Lennon e o irmão. Mas ela daria um jeito! Precisava de um relacionamento verdadeiro, convincente, e de um herdeiro! A mãe estava doente. Jhon precisava fazer algo a respeito, ajudá-la. Pediu aumento na empresa, mas nunca foi respondido. Então, acaba aceitando a proposta insana de sua chefe! Ela quer um filho, mas ele só dará se forem marido e mulher!
Ler maisO corredor do hospital central de Los Angeles era tão branco e tão iluminado, com aquele cheiro insuportável de álcool e formol, que a mulher pisando firme sobre o piso refinado pensou que vomitaria a qualquer momento. A enxaqueca já a incomodava desde que acordara, piorando tudo.
Tinha acabado de visitar seu pai, um homem já de idade avançada e com Alzheimer. Ele raramente se lembrava dela, insistindo que seus filhos ainda eram pequenos e que ela era sua esposa há muito falecida. Acabava ficando frustrada todas as vezes que o visitava, pois as perguntas sempre eram: “Como estão as crianças?”, “O que terá para o jantar hoje, querida?”, “Você continua tão linda quanto quando nos casamos.” Obviamente que não o culpava pela condição, só que seu coração sentia falta do amado pai que a doença lhe roubara... Duas noites atrás, o velho Kenny se acidentou quando tentou tomar banho sozinho, após despistar a cuidadora — em sua cabeça, era jovem e tinha uma reunião de negócios — e com isso, foi parar no hospital com um traumatismo craniano grave. Ele estava sedado quando adentrou no quarto, mas acordado. O médico lhe informou que se não fosse assim, Kenny poderia querer se levantar. Na noite anterior, inclusive, o velho precisou receber duas doses altas de sedativo, já que não se lembrava do acidente que sofrera e afirmava, veementemente, que precisava ir ao jogo de basquete do filho adolescente — Evan já era um homem feito —, além de gritar, a plenos pulmões que havia sido enganado. Bem, mesmo que ele estivesse em um estágio avançado da doença, em alguns momentos, recobrava a sanidade e processava sua dura realidade... e esses momentos eram tão breves, que Lennon pensava ser a parte mais cruel da doença. Doía vê-lo se lamentar e chorar, desesperadamente, por sua mente condenada. E a reação do velho Kenny era sempre dilacerante, vez após vez, ele reagia da mesma forma angustiante. Por outro lado, a consciência vinha e rapidamente ia embora, guiando-o, enganosamente, para um tempo onde estava começando a carreira como empresário, sua esposa ainda era viva e seus filhos gêmeos não passavam de crianças fofas. E naquela visita, especificamente, Lennon presenciou um desses momentos de recobrada de consciência. E sua náusea repentina não se dava apenas pela claridade exagerada e o cheiro forte do hospital, tampouco sua constante enxaqueca. Lennon havia ouvido de seu próprio pai o que os médicos testemunharam a noite até sedá-lo: Haviam o enganado! Ela ainda duvidou da sanidade do velho por insistir em tais palavras, mas bastou Lennon entrar no cômodo junto do irmão gêmeo para descobrir que, Kenny Kutcher estava são! Ele sorriu com os olhos lacrimejantes e os reconheceu. Durou pouquíssimos minutos, mas o que ele revelou foi o bastante: O testamento dele havia sido corrompido por um dos sócios e a lástima era que o velho não se recordava de qual daqueles abutres gananciosos haviam abusado de sua situação. Os gêmeos de olhos perolados tranquilizaram o pai, garantindo-o que a empresa no qual ele passou a vida erguendo se manteria na família. Ambos o beijaram e o abraçaram com força, para logo depois a consciência de Kenny se dissolver completamente e os enfermeiros precisarem sedá-lo: Kenny se enciumou com o “outro homem” junto de sua “esposa”. — Será que dá pra me esperar — Evan falou alto, alcançando a irmã mais nova por alguns minutos. Ele usava um terno caro, parando com os sapatos lustrosos ao lado dela antes de alcançarem o saguão de entrada. — O que vai fazer? Tem algum plano? O scarpin de Lennon batucou contra o piso conforme alcançavam a saída. Não, ela não tinha porcaria de plano algum! — Primeiro, questionar o advogado do papai. Seria impossível alterar o testamento se ele não estivesse envolvido nisso... — Vou contactar o meu advogado — a mão do gêmeo foi para o bolso, sacando o celular. Já haviam alcançado a calçada do hospital. — Deixarei Hugo a par de toda essa situação. Assim que tiver mais informações, me ligue e eu repasso pra ele. — Por acaso, esse é o advogado que livrou você de ir pra cadeia? — Lennon estreitou os olhos azuis-cinzentos. — Eu não iria pra cadeia, de qualquer forma e sim, é ele mesmo — a desafiou com o olhar, se defendendo. A gêmea se virou mais, com o braços cruzados e o cabelo negro se movendo sobre os ombros. Suas vestes sociais de alta costura revelavam seu gosto requintado. Ela esboçou uma expressão de desacreditada, e um tanto rançosa: — Evan, assédio no trabalho é crime! Os olhos perolados do homem se reviraram. — Eu não assediei aquela mulher. — “Aquela mulher” era sua secretária, e chamá-la de gostosa em ambiente de trabalho é no mínimo antiético. — Ué, ela é gostosa mesmo. Lennon bufou. — Deixa isso pra lá. Você é um caso perdido — passou a vasculhar dentro da bolsa a chave de seu carro de marca estimada. — Estou indo ver o advogado do papai. Espero que cumpra sua parte e que esse seu advogado preste. O homem estalou a língua. — Pare de ser tão mandona. Então, os gêmeos se separaram, indo cada um para um lado. Tinham um legado de família para resgatar do bico de um bando de abutres. (...) As mãos dela foram ao rosto, cobrindo-o. Não podia acreditar no que estava naquele documento abandonado sobre a mesa, assinado por seu pai... O testamento indicava uma herança direta aos netos de Kenny Kutcher, não aos filhos. Um vez sem netos e com a morte deste, a empresa seria automaticamente transferida aos três sócios principais — Que Lennon conhecia muito bem. Para piorar a situação, a herança da empresa só seria válida se ela tivesse filhos; a cláusula principal era ela, não Evan. Provavelmente, os espertos levaram em conta a vida libertina de Evan e a possibilidade de acabar engravidando alguma mulher por aí — o que seria um risco para o plano maquiavélico deles —, porém Lennon, fugia de relacionamentos como a escuridão foge da luz. Ela se viu respirando fundo. Sentia tanta raiva... — O advogado do meu irmão irá entrar em contato com você — avisou ao advogado que, desde que ela aparecera em seu escritório, sustentava uma expressão assustada e ficando tão pálido quanto podia ficar. Ela o mirou com os olhos claros, o perfurando com seus sentimentos e pensamentos duvidosos. — O que? Pensou que iam tirar tudo de mim e do meu irmão? Vocês, idiotas, acreditaram mesmo que meu pai iria morrer e tudo que ele lutou para erguer a vida inteira iria parar na mão imunda de vocês? — ela soltou um sorrisinho maldoso. — Vocês são patéticos. Com o testamento em mãos, Lennon saiu batucando os saltos caros no piso barato. Não precisou se virar para conferir o advogado que cuidou das coisas de seu pai por anos, pegar o celular e ligar para os outros traidores. Ela tinha uma empresa para salvar e provas para reunir. O que fizeram era crime, mas só existiam as palavra dela e de Evan, contra a deles; naturalmente, a palavra de um velho sem sanidade não seria válida nem naquele mundo e em nenhum noutro. E também, seria impossível fazer o velho Kenny assinar algum novo documento, ainda mais estando acidentado e constantemente sedado. Sua única alternativa fora se encontrar com o irmão e o advogado nos próximos dias, e lidar com a ideia estapafúrdia de Evan, em uma conversa privada, de pagar alguém para engravidá-la!Do lado de fora da cafeteria, Lennon percebeu que a funcionária lhe ofereceu o sorriso mais falso que já vira ao entregar-lhe o pedido — a safada parecia mais verdadeira quando o traste de seu irmão estava junto e a cantava descaradamente. Bebendo o café quente, estando prestes a entrar no carro luxuoso, Lennon sentiu suas forças voltarem; o ânimo pela vida e pela sua busca por justiça, reavivados. Era quase como ter sido religada na tomada. Maravilhosa cafeína! Uma vez dentro do carro, a mulher bebericou mais uma vez. E mais outra. Não se lembrava do horário em que foi dormir, mas sabia que já tinha se passado da uma da manhã. Acordou às cinco, se trocou e foi correr na academia de casa. Quando saiu do banho pós-treino, Lennon viu uma mensagem de Jhon — razão para estar encarando o celular naquele exato momento. Ela não respondeu ao convite do noivo para almoçarem juntos naquele dia. E preferia não responder, porém ignorá-lo era uma péssima i
Jhon saiu do trocador. — Gostei mais desse — comentou, observando seu reflexo no espelho. Os olhos em tons mais claros, contrastando com o tom grafite do tecido. — Mas os outros tinham ficado bons também, então o que eu sei? Se virou para o cunhado. — Esse ficou bom? — Dá para o gasto. Sabe, você deveria ir treinar comigo um dia — deu de ombros. — Azarar as gatas de shortinho na academia. Uma sobrancelha loira se arqueou. — Que diachos é azarar? — Dar em cima das gatas, meu amigo — explicou Evan, se aproximando e passando o braço sobre o ombro dele como bons camaradas. — Posso te ensinar a abrir um sutiã usando apenas dois dedos. — Eu vou me casar com sua irmã — havia um tom incrédulo na voz do loiro. — E eu sei abrir um sutiã. É só isso que importa, não com quantos dedos faço isso. Com um empurrão, Jhon se afastou.
Já estava cansada de lidar com Evan. — Eu não quero saber — Lennon deu a volta na mesa de vidro de sua sala, caminhando na direção da porta. O irmão a seguiu, bufando. — O que eu estou te pedindo é um sacrifício bem menor do que EU estou tendo que fazer. E não te custa nada, traste. O homem parou, descansando o antebraço sobre o balcão onde Kate trabalhava, dando uma piscada sacana e sendo prontamente ignorado. Fechando a cara, ele se aproximou da irmã, que agora distribuía assinaturas ao fim de pelo menos duas dúzias de documentos. Ele insistiu:— Olha, você pode muito bem encontrar outra pessoa pra levar seu namorado à um Dia de Princesa — a curiosidade nos olhos, observando a rapidez em que ela usava a caneta elegante. — O que é toda essa papelada? Lennon fechou a pasta, devolvendo para a assistente.— Leva para o RH. Vou almoçar. Volto só ao fim do dia, Kate. Qualquer coisa pode me ligar. E você — se virou para o irmão, uma cópia masculina e depravada de si mesma. — Dei
As mão estavam cheias de espuma. Jhon havia parado de lavar a louça, fechando o registro no exato momento que viu as duas mulheres saírem juntas. Talvez ele não devesse ser enxerido. Talvez não devesse ter colado as costas na parede ao lado da porta de saída da cozinha, a fim de ouvir o que a mãe queria falar com sua chefe-noiva. — Jhon me disse o que houve em sua empresa. Sinto muito que seus sócios tenham agido de má fé com você — a voz da mãe soou, como sempre, acolhedora. — No meio empresarial, vemos muitos pisando em outros para subir. Mas o que me fizeram foi muito sujo — ele e ouviu suspirar. — Até pra mim que já presenciei mais esquemas corruptos que pode imaginar... — Está nesse meio a muito tempo, então?— Desde que me formei na faculdade. Silêncio. Jhon bisbilhotou e as viu se encarando; a mãe suspirando antes de voltar a falar: — Deve saber que meu filho teve uma vida bem diferente da sua. As sobrancelhas loiras se uniram. Que diachos sua mãe pretendia com
Último capítulo