Mundo de ficçãoIniciar sessãoTraição dói - mas ser enganada dentro da própria casa destrói qualquer coração. Depois de flagrar o namorado com outra, Letícia vê seu mundo desmoronar. Só não imaginava que, entre os pedaços quebrados de sua vida, seus olhos fossem atraídos por alguém que sempre esteve ali... Adrian Cortez: o homem mais poderoso que ela já conheceu, dono de uma presença arrebatadora - e pai do traidor. Adrian sempre a tratou com respeito, distância e uma educação impecável. Mas agora, há algo diferente em seu olhar. Algo quente. Algo proibido. E Letícia sente. No corpo. Na pele. No centro do desejo. Enquanto tenta reconstruir a própria vida, ela se vê presa em um jogo perigoso com um homem mais velho, mais experiente e completamente intoxicante. Adrian sabe o que quer - e o que deseja é justamente o que ele nunca deveria tocar. Mas o proibido sempre foi o mais tentador. O que começa com olhares desliza para provocações, que avançam para toques, que explodem em noites capazes de virar qualquer mundo de cabeça para baixo. E quando o ex descobre que perdeu muito mais do que imaginava, o perigo toma forma. Entre paixão, limites rompidos e segredos capazes de destruir reputações... Letícia vai precisar decidir até onde está disposta a ir para ser, de fato, Proibidamente Sua.
Ler maisLETÍCIA
Confesso que eu preferia mil vezes que ele tivesse me traído com um homem.
É absurdo? Talvez.
Mas naquele momento… qualquer coisa seria menos humilhante do que aquilo que meus olhos estavam vendo.
Porque não era só traição.
Era mentira.
Era encenação.
Era ele me abraçando todos os dias, me chamando de amor, me olhando nos olhos… enquanto me fazia de idiota.
E não foi com qualquer mulher.
Foi com ela.
A “secretária”.
A “amiga de infância”.
A mulher que ele jurava, com a maior naturalidade do mundo, que era como uma irmã.
Irmã.
Eu solto uma risada baixa, amarga, completamente quebrada.
Claro.
Faz todo sentido.
Tudo faz sentido agora.
Os atrasos.
As mensagens apagadas.
Os “vou trabalhar até mais tarde”.
As vezes em que ele parecia distante… frio… ausente.
Tudo estava ali.
Sempre esteve.
Eu que não quis ver.
Eu que escolhi confiar.
Eu que escolhi amar.
Idiota.
Estupidamente idiota.
Meus olhos continuam presos naquela cena.
Os dois na minha cama.
Na nossa cama.
Os lençóis bagunçados.
O corpo dela exposto sem o menor pudor.
E ele…
Ele em cima dela.
Como se eu nunca tivesse existido.
Como se tudo que a gente construiu fosse nada.
Como se eu fosse nada.
— Letícia, por favor… — a voz dele corta o silêncio.
Eu nem sei em que momento ele percebeu que eu estava ali.
Mas agora ele está se afastando dela, se levantando rápido demais, desesperado demais, tentando vestir a calça como se isso fosse apagar o que eu vi.
Como se fosse possível voltar no tempo.
Como se fosse possível consertar isso.
Não é.
Nunca vai ser.
— Não me toca.
Minha voz sai baixa.
Fria.
Cortante.
Ele congela por um segundo.
Mas então vem na minha direção mesmo assim.
— Leti, por favor… me escuta.
— Pra você é Letícia.
Eu levanto o olhar e encaro ele de verdade.
E Deus…
Como eu fui capaz de amar esse homem?
— Seu estrume. — minha voz falha, mas eu continuo. — Infeliz.
Atrás dele, ela continua deitada.
Nua.
Sem vergonha.
Sem culpa.
Sem absolutamente nada.
Só… um sorriso.
Um sorriso pequeno, lento, cheio de deboche.
Como se estivesse assistindo a um espetáculo.
Como se eu fosse a palhaça da história.
E talvez eu seja mesmo.
— Eu tenho nojo de você, Enzo. — digo, sentindo minha garganta queimar. — Nojo de mim por ter deixado você me tocar.
Eu me viro antes que ele veja meus olhos marejando e caminho direto até o guarda-roupa.
Abro com força.
Minhas mãos tremem.
Meu corpo inteiro treme.
Mas eu não posso parar.
Se eu parar… eu desmorono.
Pego duas malas.
Começo a jogar roupas dentro sem nem olhar.
Vestidos.
Blusas.
Calças.
Nada importa.
Nada ali parece mais meu.
Nada ali parece real.
— Letícia, calma… — ele tenta de novo, a voz agora mais baixa, quase suplicante. — Vamos conversar—
— Conversar? — eu rio, um riso seco, sem vida. — Você quer conversar agora?
Eu me viro bruscamente.
— Você jogou uma vida inteira fora, Enzo! — minha voz sobe, ecoando pelo quarto. — Uma vida inteira por uma maldita noite!
— Não foi assim.—
— Não foi assim? — repito, incrédula. — Eu acabei de pegar você com ela na nossa cama!
— Foi um erro!
— Não. — balanço a cabeça devagar. — Não foi.
Eu aponto pra ele.
— Erro é esquecer uma data. Erro é perder um compromisso. Isso aqui… — aponto para os dois — …isso aqui é escolha.
O silêncio pesa.
Mas não dura.
Porque ela se mexe.
Devagar.
Preguiçosa.
Como se nada daquilo fosse com ela.
— Já acabou o drama? — a voz dela é doce demais… falsa demais.
Eu fecho os olhos por um segundo.
Respiro.
Mas quando abro…
A raiva já tomou conta.
Eu caminho até ela.
Passos firmes.
Controlados.
Paro a poucos centímetros da cama.
— Fica quieta. — digo, baixo, mas carregado de ameaça. — Eu não estou falando com você.
Ela ergue uma sobrancelha.
Sorri.
— Mas devia. — dá de ombros. — Afinal… eu estou na cama dele.
Aquilo acerta em cheio.
Como um soco.
Meu corpo inteiro reage.
Minha mão até se move.
Mas eu paro.
Eu paro porque sei…
Se eu encostar nela, eu acabo com tudo.
E eu não vou me rebaixar a isso.
Não por eles.
Nunca.
— Aproveita. — digo, recuando um passo. — Aproveita bem. Porque homem que trai uma vez… trai sempre.
O sorriso dela vacila.
Só por um segundo.
Mas eu vejo.
E isso basta.
Eu volto para as malas.
Fecho com força.
— Aproveita que ela está aqui. — continuo, sem olhar pra ele — e pede ajuda pra arrumar suas coisas.
— Minhas coisas? — ele franze a testa.
Eu rio.
Frio.
Vazio.
— E vai os dois pra casa do caralho.
O silêncio cai.
Pesado.
Cortante.
E então ele fala.
— Eu acho que você deveria arrumar suas coisas e ir pra casa do caralho.
Eu paro.
Devagar.
Viro o rosto.
— O quê?
Ele cruza os braços.
Seguro.
Frio.
— Esse apartamento está no meu nome.
Meu coração falha.
— Não. — nego automaticamente. — Não. Eu paguei esse apartamento. Eu paguei tudo.
— Pagou. — ele dá de ombros. — Mas lembra quando deu problema com seus documentos?
Eu fico em silêncio.
Meu estômago revira.
— Você colocou no meu nome até resolver.
Não.
— Você resolveu… — ele continua — …mas nunca transferiu de volta.
O mundo gira.
— Então… — ele se aproxima um pouco mais — …esse apartamento é meu.
Silêncio.
Total.
Absoluto.
E então eu entendo.
Não foi só traição.
Foi cálculo.
Foi interesse.
Foi traição em todos os sentidos possíveis.
— Você é um maldito. — minha voz sai baixa.
— Sou prático. — ele responde.
Algo dentro de mim se parte.
De vez.
— Infeliz. — digo, com desprezo. — Filho de chocadeira. Porque eu me recuso a acreditar que você é filho do Adrian. Eu nunca vi duas pessoas tão diferentes compartilharem o mesmo sangue.
O nome pesa no ar.
E, por um segundo…
Ele hesita.
Mas é rápido.
— Vaza da minha casa, corna. — ela dispara.
Acabou.
Eu não falo mais nada.
Não olho mais.
Não sinto mais.
Eu só ando.
Saio do quarto.
Passo pelo corredor.
Entro no escritório.
Minhas mãos ainda tremem quando pego minhas pastas.
Documentos.
Minha vida.
Reduzida a papéis.
Eu não levo mais nada.
Nada daquele lugar me pertence.
Eu saio.
Sem olhar pra trás.
Porque se eu olhar…
Eu fico.
E eu não posso ficar.
Nunca mais.
---
O elevador demora.
Cada segundo ali dentro é uma tortura.
O silêncio.
O reflexo.
Eu me encaro no espelho.
Olhos vermelhos.
Respiração irregular.
Cabelos bagunçados.
Essa sou eu agora.
Uma mulher que acabou de perder tudo.
Quando a porta abre, o som da chuva invade o ambiente.
Forte.
Constante.
Pesada.
Eu caminho até a saída.
Vejo o vidro molhado.
A cidade cinza.
— Droga… — murmuro.
Só faltava isso.
Mas talvez…
Talvez seja melhor assim.
Coloco as pastas dentro da mochila.
Jogo nas costas.
E saio.
A água me atinge com força.
Gelada.
As roupas grudam no meu corpo.
Meu cabelo encharca.
E então…
Eu paro.
No meio da calçada.
Deixo a chuva cair.
Deixo tudo cair.
As lágrimas vêm.
Mas ninguém vê.
Porque a chuva esconde tudo.
Perfeito.
Eu rio.
Baixo.
Quebrado.
— Parabéns, Letícia… — sussurro. — Você conseguiu.
Dou alguns passos.
Sem direção.
Sem rumo.
Sem nada.
Até que…
Um carro para ao meu lado.
Preto.
Luxuoso.
Imponente.
Meu coração aperta.
Eu já sei.
A janela abaixa lentamente.
E lá está ele.
Adrian Cortez.
Os olhos escuros fixos em mim.
Sérios.
Intensos.
Diferentes.
Ele me observa por alguns segundos.
Como se estivesse lendo tudo que eu não disse.
E então, com a voz firme, autoritária… impossível de ignorar:
— Entra no carro, Letícia!
{...}
ADRIANCinco anos.É estranho pensar em tudo que aconteceu nesse tempo.Às vezes parece que foi ontem.A noite de chuva.O acidente.O vazio na minha mente.A sensação de acordar sem saber quem eu era.Por muito tempo, achei que perder minhas lembranças significava perder uma parte da minha vida.Mas hoje eu entendo que algumas coisas nunca podem ser apagadas.O amor.A família.As pessoas que realmente pertencem a nós.Essas coisas ficam.Mesmo quando a memória falha.O sol entrava pelas grandes janelas da mansão Cortez enquanto eu observava o jardim.Meu filho corria pela grama com toda a energia que uma criança de cinco anos poderia ter.O sorriso dele sempre me lembrava Letícia.A mesma alegria.A mesma luz.— Pai!A voz dele me tirou dos pensamentos.Ele correu até mim e abriu os braços.Eu me abaixei e o peguei no colo.— O que foi, campeão?Ele sorriu.— A mamãe falou que eu tenho que tomar cuidado porque eu corro muito.Eu ri.— Ela está certa.Ele fez uma careta.— Mas eu sou
ADRIANEu sempre achei que os momentos mais importantes da vida seriam aqueles em que eu conquistaria algo.Uma empresa.Uma vitória.Um objetivo.Mas eu estava errado.Os momentos que realmente importavam eram aqueles em que eu tinha alguém para compartilhar.A primeira vez que segurei Sofia nos braços.O dia em que Letícia entrou no meu carro em uma noite de chuva.O nascimento do nosso filho.O momento em que recuperei minha memória.E agora...O dia em que eu escolhi Letícia novamente.O casamento tinha acabado.Mas a sensação permanecia.Eu ainda conseguia sentir a mão dela na minha.Ainda conseguia ouvir sua risada.Ainda conseguia lembrar do olhar dela caminhando até mim.Era engraçado.Eu tinha passado tanto tempo tentando recuperar meu passado.Mas o futuro sempre esteve esperando por mim.---LETÍCIAEu olhava para Adrian enquanto todos comemoravam.Ele parecia em paz.E eu sabia o motivo.Pela primeira vez em muito tempo, ele não estava tentando recuperar nada.Não estava t
ADRIANAlgumas histórias começam com um encontro inesperado.Outras começam com uma promessa.A nossa começou com uma noite de chuva.Com uma escolha.Com uma mulher entrando no meu carro sem saber que mudaria completamente a minha vida.Durante muito tempo, eu achei que tinha perdido essa história.Minha memória apagou momentos.Apagou detalhes.Apagou rostos que eram importantes.Mas agora eu lembrava.E, mais do que lembrar...Eu estava vivendo novamente.O casamento estava próximo.E, pela primeira vez em muito tempo, eu sentia que tudo estava no lugar.Não era apenas uma cerimônia.Era uma renovação.Uma escolha.Eu e Letícia já tínhamos vivido uma vida inteira juntos.Tínhamos enfrentado perdas.Dor.Medo.Mas também tínhamos vivido amor.E agora iríamos escolher um ao outro novamente.---LETÍCIAEu nunca imaginei que teria outro casamento com Adrian.Quando nos casamos pela primeira vez, eu acreditava que aquele seria o começo da nossa história.Eu não sabia que teríamos que l
LETÍCIADepois de tudo que enfrentamos, eu achava que nunca mais teria medo de perder a felicidade.Mas a verdade era que, quando uma pessoa passa por uma grande perda, ela aprende a valorizar ainda mais os pequenos momentos.E aquele era um deles.Um dia simples.Um dia de celebração.Um dia em que nossa família estava reunida não por causa de uma tragédia, mas por amor.O batizado do nosso filho.Eu olhava ao redor e ainda parecia impossível.Meses atrás, eu não sabia se Adrian voltaria.Não sabia se ele conheceria nosso filho.Não sabia se veria minha família completa novamente.Mas ele estava ali.Ao meu lado.Segurando a mão do nosso bebê.E sorrindo.---ADRIANEu nunca pensei que um dia uma cerimônia tão simples significaria tanto para mim.O batizado do meu filho não era apenas uma celebração religiosa.Era uma prova de que nós sobrevivemos.De que, apesar de tudo que tentaram tirar de nós...Ainda estávamos aqui.Eu olhei para Letícia.Ela estava linda.A mesma mulher que um





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