O som do tiro ainda ecoava dentro da minha cabeça.
Depois, veio o vazio. Um silêncio pesado, como se o mundo tivesse parado por um segundo.
Luzes. Gritos. Alguém me chamava pelo nome.
“Helena! Fica comigo, por favor!”
A voz era dele. Arthur.
Mas tudo parecia distante, abafado.
O chão frio sob meu corpo, o gosto de ferro na boca, e a dor — uma dor quente e profunda — me puxando pra longe.
Tentei tocar a barriga, mas minhas mãos estavam pesadas demais.
— O bebê... — murmurei, sem saber se al