Cinco meses.
Engraçado pensar que parece uma vida inteira e, ao mesmo tempo, só o começo.
Acordo com o cheiro do café vindo da cozinha — o cheiro dela.
Clara canta baixinho alguma música antiga, desafinada do jeito mais lindo que existe.
Tico mia, exigindo atenção, e eu fico ali, deitado, só observando a cena pela fresta da porta.
Nunca imaginei que paz tivesse som, mas tem.
É o barulho da colher batendo na caneca, o riso dela quando derrama café, o som dos passos apressados no chão de madeira.