Mundo ficciónIniciar sesiónLana Mérida vive sob o mesmo teto que o marido, mas nunca se sentiu tão sozinha. Após uma década de união, o casamento caiu na armadilha da rotina. Ela se divide entre o trabalho e as tarefas domésticas, enquanto Rael Mérida, um corretor de imóveis respeitado, mergulha profundamente na administração da empresa da família, negligenciando tudo o que não envolva contratos e negócios. Com o aniversário de três anos de casados se aproximando (e dez de história), Lana decide fazer uma última tentativa de reacender a chama que um dia os uniu. Mas, entre promessas esquecidas e jantares frios, ela se vê diante de um espelho que não reconhece mais. A Espera de um Amor é uma jornada sobre a invisibilidade feminina no casamento, o peso das escolhas e a busca por um sentimento que insiste em sobreviver ao silêncio.
Leer másLana Mérida estava casada havia dez anos com Rael. Um amor que, com o tempo, caiu na rotina. Ela vivia ocupada com as tarefas domésticas e com as responsabilidades do dia a dia. Trabalhava fora, cuidava da casa, e se acostumou com a vida que levava, mesmo que já não fosse feliz como antes.
Rael, por outro lado, se afundou no trabalho. Era um corretor de imóveis conhecido e respeitado, e trabalhava na empresa da família. Depois que seus pais se aposentaram, ele assumiu a administração da empresa, tomando conta de tudo sozinho. Seu irmão mais novo, Raul Mérida, não quis assumir responsabilidades, e isso fez com que Rael se apoderasse de vez do negócio, esquecendo que também tinha uma esposa esperando por ele em casa. Ao retornar do trabalho, Lana Mérida entrou em casa, tirou os sapatos e sentiu o piso gelado sob os pés. Rael ainda não havia chegado; a casa permanecia exatamente do jeito que ela a deixara pela manhã. Abandonou os calçados perto da escada que levava aos quartos e caminhou até a cozinha para servir-se de um copo de água. Foi quando ouviu o som das teclas de um notebook. Na ponta dos pés, aproximou-se do escritório. A porta estava fechada, mas não trancada. Girou a maçaneta lentamente e o viu: ele estava ao telefone enquanto digitava algo freneticamente; ora descansava o aparelho no ombro, ora assinava papéis com pressa. Rael já estava em casa, mas sequer tivera a audácia de acender as luzes do restante da residência. Lana consultou o relógio de pulso; já passava das dezenove e trinta. Tossiu levemente para sinalizar sua presença, mas ele continuou focado na ligação, discutindo em tom ríspido sobre um erro em um financiamento. Ela fechou a porta silenciosamente, pegou seus pertences e subiu para o quarto. Após o banho, a melancolia a invadiu. Fazia meses que não conversavam de verdade, sequer jantavam juntos. Naquela semana, celebrariam três anos de casados. Como um gesto de esperança, ela comprara lingeries novas; camisolas de seda delicadas e uma peça especial em couro, reservada para o sábado. Vestiu-se e desceu para preparar o jantar, prevendo que comeriam por volta das dez da noite. Quando terminava de pôr a mesa, ouviu o ruído da porta. De longe, a voz dele ecoou: — Preciso ir urgentemente à casa do Sérgio, um dos corretores da empresa. Não me espere para jantar. Diante da mesa posta e vestida para ele, Lana não conteve as lágrimas. Em um impulso de dor, jogou a comida fora, subiu, trocou de roupa e deitou-se. Para que esperar por alguém que sempre coloca o trabalho acima da própria esposa? Ela se perguntava se Rael ainda se lembrava de quem ela era. Na manhã seguinte, Lana acordou e o encontrou se arrumando. Um sorriso involuntário surgiu em seu rosto; muitas vezes, ela despertava e ele já havia partido. Ainda na cama, perguntou animada: — Tem planos para sábado? Ele a encarou como se a pergunta fosse um absurdo e voltou a atenção ao espelho, lutando contra o nó da gravata. Lana levantou-se rapidamente e ofereceu ajuda. Ele assentiu em silêncio. Próxima a ele, sentindo o perfume que tanto amava misturado ao cheiro do creme de barbear, uma vontade imensa de beijá-lo a dominou. Fazia tanto tempo que não eram íntimos. Contudo, assim que o nó foi feito, Rael pegou sua pasta de documentos. Sem um beijo, sem um toque, ele apenas avisou que não sabia se estaria livre no sábado e que, novamente, não voltaria para o jantar. Lana permaneceu estática na soleira da porta, observando o carro de Rael desaparecer na curva da rua. Ele partira sem ao menos lhe beijar a testa — um gesto que, no início, era tão natural quanto respirar. Agora, ele parecia ter esquecido o óbvio: um "tchau" ou um "até logo" sequer eram pronunciados, e a frase "eu te amo" havia se tornado uma relíquia de um passado distante. O silêncio que ele deixava para trás era pesado, sufocante. Sozinha naquele casarão que um dia prometeu ser um lar, ela caminhou lentamente até o quarto e encarou-se no espelho. Por longos minutos, Lana buscou no próprio reflexo algum vestígio do que havia de errado. Procurava uma resposta para a sua invisibilidade, tentando entender em que momento deixara de ser a mulher da vida de Rael para se tornar apenas uma sombra que ele não se dava mais ao trabalho de notar. Após o banho, Lana sentiu que as paredes daquela casa, outrora o cenário de seus sonhos, agora a comprimiam. Cada móvel escolhido com carinho parecia um monumento ao que não aconteceu. Sufocada, ela cruzou o jardim seco e ganhou a calçada, buscando no ar da manhã uma paz que já não encontrava entre aquelas quatro paredes. Caminhando sem rumo, ela passou a observar a vida pulsando ao redor. Viu crianças de mãos dadas com suas mães, mochilas coloridas balançando enquanto seguiam em direção à escola. O riso infantil e o gesto simples de cuidado de outras famílias foram como lâminas em seu peito. Uma dor profunda e lancinante penetrou nela ao lembrar-se do sonho de Rael no jardim, dez anos atrás: o desejo de ver um filho correndo entre as flores. Lana percebeu, com uma clareza cruel, que enquanto ele se dedicava a construir um império de imóveis e números, o tempo havia roubado dela a chance de construir a família que haviam planejado. Ela não era apenas invisível para o marido; sentia que a vida que ela desejara também havia se tornado um fantasma.Alguns meses se passaram desde aquela madrugada inesquecível em Bromélias. A rotina na Mansão Mérida encontrou um compasso calmo, guiado por uma cumplicidade que se renova a cada dia. Para que Lana pudesse respirar e ter o suporte necessário, a nova babá finalmente começou a trabalhar. Recomendada por Kelly — com quem já havia trabalhado com enorme dedicação no orfanato —, ela se mostrou uma mulher extremamente amável e respeitosa. Cuidava dos trigêmeos com um carinho genuíno, sem qualquer outro interesse a não ser o bem-estar da família.A casa em Ollís, antes silenciosa, agora era preenchida por risadas e pequenos sons que mudavam tudo: o barulho dos brinquedos, o estalar das fraldas e a presença constante de Rael. Ele continuava o mesmo homem atencioso, mas parecia ainda mais completo. Seus olhos brilhavam ao ver os filhos crescerem, e ele fazia questão de se dedicar diariamente ao amor de Lana, vigilante para jamais repetir os erros do passado. Para ele, o cansaço das noites mal d
Quando finalmente retornaram à suíte após o término da festa, a exaustão falava mais alto, mas o carinho estava presente entre eles. Rael ajudou Lana com paciência a desabotoar o vestido escuro, e os dois tomaram um banho morno e relaxante de banheira. Sem pressa, vestiram roupas leves, deitaram-se e Rael a abraçou forte contra o peito. Não demorou para que ambos caíssem em um sono bom e reparador.Acordaram apenas por volta das dez horas da manhã. Se dependesse do cansaço do corpo, Lana teria dormido por mais algumas horas, mas o seu subconsciente de mãe parecia estar sempre atento, acionando um alarme invisível que a conectava aos bebês.Ao abrir os olhos, viu que Rael já estava de pé. Ele vestia uma roupa confortável e já tinha pedido o café da manhã na suíte. Sentado à mesa, o marido organizava e anotava os contatos e conversas da noite anterior para enviar tudo a Raul, que acompanhava o andamento das coisas na imobiliária em Ollís.Assim que percebeu que Lana havia despertado, Ra
O meio daquela semana correu com uma tranquilidade há muito não vista na casa dos Mérida. Rael continuava trabalhando na maior parte do tempo em home office, tirando dúvidas de Raul, que assumia a frente do escritório. De vez em quando, Rael precisava dar uma rápida passada na imobiliária para assinar documentos urgentes, mas não levava mais do que uma ou duas horas. Logo voltava para casa para ajudar Lana com as rotinas dos trigêmeos.Na quinta-feira de manhã, Lana decidiu tirar um tempo para si. Como a nova babá só começaria no mês seguinte, Rael e Carol ficaram encarregados de cuidar dos bebês para que ela pudesse ir ao salão de beleza. O cabelo de Lana já estava bastante comprido, e ela optou por um corte moderno, além de fazer a maquiagem, a depilação e pintar as unhas. Era um momento de autocuidado de que ela precisava há meses.Ao retornar para a mansão com o vestido do jantar encomendado em mãos, encontrou a casa em perfeito silêncio: Lia, Ruan e Gael já tinham tomado banho, a
Rael abriu os olhos devagar quando os primeiros raios de sol começaram a invadir o quarto. Lana ainda dormia ressonando baixinho, com a cabeça apoiada confortavelmente em seu peito. Do criado-mudo, o som suave de um choro vindo da babá eletrônica quebrou o silêncio da manhã. Rael sorriu e selou um beijo carinhoso no topo da cabeça da esposa.— Amor, bom dia... — murmurou ele com a voz rouca. — Preciso levantar para ver quem está nos chamando.Lana abriu os olhos devagar, curvou os lábios em um sorriso preguiçoso e o puxou para um beijo calmo e carinhoso nos lábios.— Te amo muito, senhor Mérida.— Também te amo, minha vida.Os dois se levantaram e caminharam juntos pelo corredor em direção ao quarto das crianças. Ao mesmo tempo, Dona Carol subia os últimos degraus da escada, já que também tinha escutado o choro lá da cozinha. Quando a senhora viu os dois saindo do quarto de mãos dadas e sorrindo um para o outro, parou no fim da escada, um pouco sem graça por ter interrompido o momento










Último capítulo