Em dez anos de casamento, Lana e Rael ainda não haviam sido abençoados com filhos. Para ela, essa não era apenas uma ausência; era uma dor carregada em silêncio, um peso que ela sentia não poder dividir com ninguém, nem mesmo com o homem que deveria ser seu parceiro. Enquanto caminhava pelos corredores do mercado, Lana perdia-se em pensamentos amargos. Observava as prateleiras e imaginava como tudo seria diferente se Rael não tivesse permitido que a empresa devorasse o casamento. Provavelmente, estariam escolhendo cereais infantis ou lanches para a escola; ela ainda teria sua carreira, sua identidade, e a casa estaria viva com o som de passos pequenos. Em um devaneio súbito, a imagem do passado a atingiu: viu a si mesma e Rael, anos atrás, andando de mãos dadas por aquelas mesmas prateleiras, fazendo planos e rindo de bobagens. Naquela época, o futuro era uma promessa brilhante. Ela acreditava que, se Rael ao menos a olhasse, se estivesse verdadeiramente presente, eles teriam
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