Mundo de ficçãoIniciar sessãoMaria Rita nunca sonhou com luxo, muito menos com um casamento arranjado com o homem mais temido de sua cidade. Fugindo do interior apenas com coragem e um jeito caipira impossível de disfarçar, ela acaba na cidade grande por acidente e por ironia do destino, dentro da mansão de um CEO bilionário, frio e controlador, que criou muralhas ao redor do próprio coração depois de perder os pais. Contratada como babá de uma menina órfã que não aceita ninguém, Maria Rita conquista o que ninguém conseguiu: um sorriso, um abraço e, sem perceber, começa a bagunçar a ordem perfeita da casa e da vida de Augusto Villar.
Ler maisSe alguém tivesse me dito, anos atrás, que a vida poderia ser assim… eu provavelmente não acreditaria.Não por falta de esperança, mas por nunca ter conhecido um caminho que levasse até aqui. Tudo sempre pareceu difícil demais, distante demais, como se felicidade fosse uma coisa que existia para os outros nunca para mim.Mas ali estava eu.Seis anos depois.Com as mãos ocupadas, o coração tranquilo e a vida… finalmente no lugar certo.— Calma, Senhor Bola de Pelo… já tô terminando — murmurei, tentando manter o gatinho confortável enquanto finalizava o procedimento.O pequeno miava baixinho, inquieto, mas não agressivo. Era um daqueles pacientes que reclamavam mais do que realmente sofriam. Passei a mão com cuidado sobre o dorso dele, sentindo a respiração desacelerar aos poucos.— Viu só? Nem doeu tanto assim.— Ele só gosta de drama mesmo — Brenda comentou, sorrindo ao meu lado.Soltei uma pequena risada.— Igual a maioria dos meus pacientes.— Incluindo você? — ela provocou.— Nunc
O caminho de volta da casa da tia Lourdes foi silencioso, mas não daquele silêncio pesado que sufoca ou deixa palavras presas na garganta. Era um silêncio leve, quase necessário, como se cada passo dado naquela estrada de terra estivesse ajudando a organizar tudo o que ainda ecoava dentro de mim. O ar parecia mais fácil de respirar, o peito menos apertado, e até o céu, tingido pelo fim de tarde, parecia mais aberto do que antes.Não era impressão.Era alívio.Pela primeira vez em muito tempo, não havia aquele peso de coisas não ditas, de respostas engolidas, de sentimentos escondidos. Tudo o que precisava ser dito… tinha sido dito. E isso fazia uma diferença enorme.Parei por um instante antes de entrar no carro, respirando fundo, tentando guardar aquela sensação dentro de mim. Não queria esquecer o que era se sentir assim. Não queria voltar a ser quem se calava.— Tá melhor? — a voz de Augusto surgiu ao meu lado, firme e tranquila.Virei o rosto lentamente e encontrei o olhar dele so
O carro parou devagar em frente à casa que, por tantos anos, fez parte da minha rotina como se fosse extensão da minha própria vida. O portão continuava o mesmo. A cerca um pouco torta, a pintura já desgastada pelo tempo e o chão de terra batida que levantava aquele cheirinho seco tão conhecido.Nada ali tinha mudado.E, ainda assim… tudo parecia diferente.Talvez porque quem tinha mudado era eu.Respirei fundo antes de abrir a porta. O coração batia mais forte, não de medo exatamente… mas de antecipação. De lembranças. De tudo o que aquela casa representava.Saí do carro com calma, sentindo os olhares atrás de mim. Sabia que não estava sozinha. Pela primeira vez, não estava.Mas aquele primeiro passo… aquele era só meu.Os pés tocaram o chão firme, e por um instante fiquei parada, apenas olhando. A porta da casa estava aberta, como sempre. E não demorou nem cinco segundos para a figura que eu conhecia tão bem aparecer.Tia Lourdes surgiu no batente, enxugando as mãos no avental, com
O caminho de volta parecia mais longo do que realmente era.Talvez não pela distância, mas pelo peso que cada quilômetro carregava. O carro seguia pela estrada de terra, levantando poeira, enquanto o cenário ao redor ia mudando aos poucos. Os prédios, o asfalto perfeito, o movimento constante… tudo ficou para trás. No lugar, surgiam as árvores, os campos abertos, o cheiro de terra e aquele silêncio típico do interior que não era vazio, mas cheio de vida.O coração batia mais forte a cada curva.Não era medo, também não era só ansiedade. Era uma mistura estranha de saudade, expectativa… e algo que ainda não sabia nomear.Ao meu lado, Helena olhava pela janela com curiosidade.— Aqui não tem shopping? — perguntou, franzindo a testa enquanto observava a paisagem.Uma pequena risada escapou.— Não.— Nem cinema?— Também não.Ela fez uma careta.— E o que as pessoas fazem?Augusto, que dirigia, soltou uma risada baixa.— Vivem.Helena virou o rosto lentamente para ele.— Sem internet boa?





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