Mundo de ficçãoIniciar sessãoMaria Rita nunca sonhou com luxo, muito menos com um casamento arranjado com o homem mais temido de sua cidade. Fugindo do interior apenas com coragem e um jeito caipira impossível de disfarçar, ela acaba na cidade grande por acidente e por ironia do destino, dentro da mansão de um CEO bilionário, frio e controlador, que criou muralhas ao redor do próprio coração depois de perder os pais. Contratada como babá de uma menina órfã que não aceita ninguém, Maria Rita conquista o que ninguém conseguiu: um sorriso, um abraço e, sem perceber, começa a bagunçar a ordem perfeita da casa e da vida de Augusto Villar.
Ler maisAs palavras dela ecoaram no meio daquele povo todo como um prato quebrando no chão de mármore.Ela falou sorrindo.O silêncio que se formou foi pesado. Eu podia ouvir minha própria respiração. Podia ouvir o tilintar distante das taças sendo pousadas nas bandejas dos garçons. Mas ali, naquele círculo, ninguém falou nada.Senti o calor subir pelo meu rosto, queimando até a raiz do cabelo. Não era aquele calor de vergonha boba, não. Era outro. Era o tipo que aperta o peito e dá vontade de sair correndo para o mato mais próximo e se esconder atrás de uma cerca de arame.Era o medo que eu tinha confessado a ele minutos antes.Medo de fazer ele passar vergonha.Meu primeiro impulso foi soltar a mão dele.Mas ele não soltou a minha.Muito pelo contrário.Os dedos de Augusto apertaram os meus com firmeza, como quem finca o pé no chão e decide que dali não sai.Eu não consegui olhar para os tal de investidores. Não consegui olhar para mais ninguém.Olhei para ele.E vi.O sorriso educado tinha
O carro parou diante de um prédio que parecia ter saído de filme. As luzes da fachada iluminavam cada detalhe da arquitetura elegante, colunas altas, portas de vidro reluzente e um tapete vermelho discreto que guiava os convidados até a entrada principal. Eu fiquei alguns segundos parada, olhando tudo pela janela, com medo até de respirar e embaçar o vidro.— Chegamos — Augusto disse, com aquela voz tranquila que parecia nunca vacilar.Chegamos.Eu repetia a palavra dentro da cabeça como se ela tivesse peso. Como se aquele “chegamos” significasse mais do que apenas estar ali. Ele desceu primeiro e, como tinha feito em casa, abriu a porta para mim. Segurei na mão dele para me equilibrar no salto alto, sentindo a firmeza dos dedos dele envolvendo os meus.O chão parecia mais liso do que deveria. O ar tinha cheiro de perfume caro misturado com flores frescas. Pessoas bem vestidas conversavam em pequenos grupos, risadas contidas, taças brilhando sob a luz dos lustres enormes que pendiam d
Maria RitaTrês dias.Foram só três dias desde que o senhor Augusto me chamou no escritório e fez aquele convite que virou minha cabeça do avesso.Três dias tentando fingir que era normal. Que eu não estava contando as horas. Que eu não acordava no meio da madrugada lembrando da palavra “evento” como se fosse uma prova difícil que eu tivesse que fazer na frente da cidade inteira.Ele tinha dito que providenciaria tudo.E providenciou.Nunca vou esquecer o momento em que a moça da loja chegou com as caixas. Vestido, sapato, bolsa pequena, até aquelas coisas de maquiagem que eu sempre vi em revista mas nunca soube usar direito. Ele não fez alarde, não ficou me olhando enquanto eu experimentava nada. Só disse que o carro passaria às sete da noite e que eu podia usar o quarto de hóspedes para me arrumar com calma.Calma.Como se meu coração estivesse sabendo o significado dessa palavra.Agora eu estava diante do espelho.E não me reconhecia.O vestido era de um azul profundo, daqueles que
Estava terminando de revisar um contrato quando o envelope foi deixado sobre a minha mesa. Papel espesso, timbre elegante, meu nome escrito à mão com tinta azul-escura. Reconheci o remetente antes mesmo de abrir.Era um convite para o jantar beneficente anual promovido pelo Instituto Amaral, um dos eventos mais tradicionais do calendário empresarial da cidade. Presença confirmada de empresários, investidores, políticos, imprensa. Networking puro. Aparência, postura, alianças.E, como sempre, no rodapé: “Traje social completo. Acompanhante.”Suspirei.Eventos como aquele nunca eram apenas eventos. Eram vitrines. Cada detalhe observado, comentado, interpretado. E aparecer sozinho geraria perguntas. Muitas perguntas.Peguei o celular e liguei para Clara.Ela atendeu no terceiro toque.— O que foi, Augusto? — perguntou, divertida. — Você só me liga em horário comercial quando precisa de alguma coisa.— Ofendida e correta — respondi. — Recebi um convite para o jantar do Instituto Amaral. P
Augusto VillarEstava imerso nos relatórios quando Mário entrou na minha sala com aquele jeito cauteloso de quem já traz notícia desagradável.— O que houve, Mário? — perguntei, sem tirar os olhos da tela do computador.— Senhor, a senhorita Beatriz está na recepção. — Ele hesitou um segundo. — Está… um pouco alterada. Disse que precisa falar com o senhor imediatamente.Fechei os olhos por um instante.Beatriz alterada era praticamente um estado natural, mas quando vinha acompanhada da palavra “imediatamente”, significava que alguém havia contrariado suas expectativas ou ferido seu orgulho.Respirei fundo, tentando formular mentalmente alguma desculpa plausível para não atendê-la. Reuniões, prazos, uma dor de cabeça súbita… Qualquer coisa serviria. Mas eu conhecia Beatriz bem demais para saber que ela não iria embora sem falar comigo. Se eu a evitasse, ela transformaria aquilo em um espetáculo maior.— Mande-a entrar — respondi por fim.Mário apenas assentiu e saiu.Poucos minutos dep
Depois que a porta fechou atrás de Beatriz e o silêncio se ajeitou dentro da casa, parecia que até o ar ficou mais leve. Helena ainda estava rindo, jogada no sofá, com a mão na barriga.— Meu Deus, Maria Rita, você viu a cara dela?— Vi sim, menina — respondi, tentando fazer voz séria. — Mas num é bonito ficá reparando na cara dos outro quando tão nervoso.— Mas era impossível não reparar!Eu balancei a cabeça, fingindo bronca, mas por dentro eu também tava achando graça. Aquela tal de Beatriz tinha entrado toda cheia de si, mas saiu com o salto batendo forte igual galinha brava que perdeu espaço no terreiro.Clara, por outro lado, ficou ali na sala como se sempre tivesse pertencido àquele lugar. Sentou com elegância, mas sem aquele ar de quem tá medindo tudo. Tinha uma energia diferente. Não era fria nem cortante. Era firme.— Helena, que tal você ir brincar um pouco? — Clara sugeriu, ajeitando uma mecha do cabelo da menina.— Posso ir no jardim? — Helena perguntou.— Pode, mas sem s





Último capítulo