Entrei em casa com o cuidado automático de quem já espera barulho, mesmo desejando o contrário. A porta pesada da mansão se fechou atrás de mim com um som oco, e por alguns segundos só ouvi o eco dos meus próprios passos no mármore do hall. O cheiro de comida vinha da cozinha, mas misturado a ele havia outro aroma conhecido: tensão.Não precisei andar muito para ouvir a birra.— Eu não quero! Já falei que não quero! — a voz de Helena cortou o silêncio da casa, aguda, carregada de raiva e cansaço.Dona Joana estava parada a poucos passos dela, mãos juntas à frente do corpo, expressão firme, porém cansada. Helena, sentada no chão da sala, tinha os braços cruzados com força, o rosto vermelho e os olhos faiscando numa mistura perigosa de orgulho e dor.Respirei fundo antes de me aproximar.— O que está acontecendo aqui? — perguntei, mantendo a voz baixa, controlada.Helena me lançou um olhar rápido, quase desafiador, e voltou a encarar o chão como se eu não estivesse ali. Dona Joana foi q
Leer más