Henrique gostava de ser visto. Na balada, isso vinha fácil. Bastava entrar no camarote para os olhares mudarem de direção, os celulares surgirem discretos, os sorrisos se multiplicarem com rapidez ensaiada. Ele ocupava o centro sem esforço, como se aquele espaço tivesse sido reservado desde sempre. A música vibrava no peito. Luzes cortavam o ar. Copos erguidos brindavam sem motivo algum além da presença dele. — Finalmente — disse uma das mulheres, aproximando-se demais. — A semana inteira sumido. Henrique sorriu, seguro, satisfeito. — Eu gosto de aparecer quando faz diferença. Ela riu. Outra se juntou. Perfume caro, risadas fáceis, atenção plena. No camarote, tudo girava ao redor dele — e Henrique gostava disso. Do controle silencioso, da validação sem perguntas, do desejo sem exigência. Ali, ninguém cobrava decisões certas. Ninguém corrigia. Ninguém o desafiava. Ele ergueu o copo, sentindo o peso confortável de ser admirado. — Hoje é noite longa — disse, confia
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