A chuva começou antes mesmo de Aurora perceber que estava sozinha.
Primeiro veio o barulho nos vidros da portaria. Depois, o movimento diminuindo. Funcionários saindo apressados, guarda-chuvas se abrindo, carros se afastando com pressa demais para aquele horário.
Quando deu por si, só restavam ela, o porteiro e o som constante da água caindo lá fora.
Aurora olhou o celular.
Nenhuma notificação.
Digitou:
“Cadê você?”
A mensagem foi visualizada quase imediatamente.
Não houve resposta.
Ela respirou fundo e tentou não interpretar.
Encostou na parede de vidro, observando a rua. O reflexo mostrava seu próprio rosto: sério, cansado, ainda com a postura de quem não sabia muito bem como desligar do trabalho.
O tempo passou devagar.
Demais.
A chuva engrossou.
O porteiro pigarreou, constrangido.
— Quer que eu chame um táxi, doutora?
— Não, obrigada. Meu namorado já vem.
Ela disse aquilo com convicção suficiente para enganar q