Mundo ficciónIniciar sesiónMel sempre soube que o fogo era perigoso, mas não esperava perder tudo em pleno feriado. Quando seu apartamento é consumido pelas chamas, seu salvador é a última pessoa que ela desejava encarar: Koen Fiore. O melhor amigo do seu irmão, o bombeiro herói da cidade e o dono da paixonite que Mel jurou ter deixado na adolescência. Ela sabe que Koen é sinônimo de encrenca. Ele ama a liberdade, odeia compromissos e coleciona corações partidos. O plano era manter distância, mas o destino e uma reforma de cinco meses a obriga a dividir o mesmo teto com o homem que assombra seus sonhos. Entre corredores estreitos e olhares que queimam mais que o incêndio que a levou até ali, Mel terá que lutar contra uma química inegável. Afinal, como resistir ao fogo morando com o próprio bombeiro?
Leer másMEL RODRIGUES
O cheiro de queimado não foi a primeira coisa que me acordou. Foi o estalo. Um som seco, como o de galhos de árvore se partindo sob o peso da neve, mas não havia neve no Rio de Janeiro em pleno feriado de novembro. Abri os olhos, a visão turva pelo sono pesado de quem finalmente tinha decidido descansar. No segundo seguinte, o pânico substituiu o oxigênio nos meus pulmões. O teto do meu quarto, o lugar que eu levei três anos para decorar com cada detalhe que sempre sonhei, estava sendo devorado por uma fumaça cinza e espessa que serpenteava pelas frestas da porta. — Não, não, não... Murmurei, a voz saindo como um chiado. Tentei me levantar, mas a fumaça já estava baixando, tornando o ar insuportável. Minha garganta queimava. O calor era uma parede física, me empurrando de volta contra o colchão. Eu precisava sair dali. Instinto. Era tudo o que restava. Rolei para fora da cama, caindo de joelhos no chão frio, e comecei a tossir violentamente. Onde estava meu celular? Minha bolsa? Nada importava. O som das chamas agora era um rugido, uma fera faminta comendo as paredes do meu corredor. Arrastei-me em direção à janela, mas o apartamento era no quarto andar. Olhei para a porta de entrada. Eu teria que atravessar a sala. Cada respiração parecia que eu estava engolindo cacos de vidro em brasa. — Socorro! Tentei gritar, mas o som foi abafado por um estrondo vindo da cozinha. Algo havia explodido. Eu estava encurralada. Encolhi-me no canto mais distante da cama, cobrindo o rosto com o lençol, rezando para que alguém tivesse visto as chamas do lado de fora. O medo era um frio paralisante que contrastava com o calor infernal do quarto. Eu ia morrer ali. No dia em que finalmente decidi que minha vida estava começando a entrar nos eixos, tudo ia virar cinzas. E então, o som de metal se partindo. A porta do meu quarto não apenas abriu; ela pareceu voar das dobradiças. Através da névoa escura, uma silhueta imensa surgiu. Era como um titã emergindo do próprio inferno. O uniforme pesado, o capacete, o tanque de oxigênio. Ele se movia com uma calma que parecia impossível para alguém cercado por fogo. — Tem alguém aqui? A voz era abafada pela máscara, mas carregava uma autoridade que me fez esticar o braço instintivamente. — Aqui! Eu tossi, sentindo as lágrimas escorrerem, limpando sulcos no meu rosto sujo de fuligem. Em dois passos, ele estava ao meu lado. Senti mãos fortes, revestidas por luvas grossas, me segurarem com uma firmeza que me fez sentir, pela primeira vez em minutos, que meu coração não ia explodir de terror. — Calma. Eu te peguei. Não respira fundo, tenta manter o rosto baixo. Ele instruiu. Ele me levantou como se eu não pesasse nada, me aninhando contra o peito protegido pelo casaco de kevlar. O calor do fogo ao redor era aterrorizante, mas o calor que emanava dele parecia diferente. Era seguro. Ele me protegeu com seu próprio corpo enquanto atravessava o que restava da minha sala. Eu fechei os olhos, escondendo o rosto no pescoço dele, sentindo o cheiro de borracha queimada e... algo mais. Um perfume que eu conhecia. Um cheiro que estava enterrado nas minhas memórias de adolescente, entre jogos de futebol no quintal e risadas proibidas. Não podia ser. Só quando o ar fresco da noite atingiu meu rosto e o som das sirenes se tornou ensurdecedor é que ele me colocou no chão, ou melhor, em uma maca que os paramédicos empurraram rapidamente. — Ela inalou muita fumaça! Oxigênio, agora! Ele gritou, a voz ainda rouca, mas agora sem a máscara. Eu pisquei, tentando focar. Meus pulmões finalmente receberam o fluxo de oxigênio puro da máscara que colocaram em mim. O bombeiro estava de costas, retirando o capacete e o cilindro de oxigênio com movimentos cansados. O suor brilhava em seu pescoço, e os cabelos castanhos estavam grudados na testa. Quando ele se virou para falar com um colega, meu coração deu um solavanco que não teve nada a ver com o incêndio. Koen Fiore O melhor amigo do meu irmão. O homem que, dez anos atrás, era o protagonista de todos os meus diários e o motivo das minhas maiores frustrações. O cara que me via como a "irmãzinha chata do Cadu" enquanto desfilava com uma garota diferente a cada semana. Ele se aproximou da maca, limpando o rosto com o dorso da mão. Seus olhos, de um castanho intenso que sempre pareceu enxergar através de mim, pousaram no meu rosto. Houve um segundo de choque. A expressão profissional de Koen vacilou, e suas sobrancelhas se ergueram. — Mel? Ele perguntou, a voz descendo uma oitava. — Melissa? Eu tentei falar, mas a máscara de oxigênio embaçou e minha garganta protestou. Apenas assenti, sentindo uma mistura humilhante de gratidão e pavor. De todas as pessoas no mundo para me ver naquele estado de pijama de algodão velho, descabelada e cheirando a churrasco de apartamento,tinha que ser ele. — Meu Deus, Mel... Ele se ajoelhou ao lado da maca, ignorando os outros bombeiros. Sua mão, agora sem a luva, tocou meu ombro. — Você está bem? Consegue me ouvir? Assenti novamente, sentindo o toque quente dele queimar minha pele mais do que as chamas. — O apartamento... Eu consegui sussurrar por baixo da máscara, olhando para o prédio onde as chamas ainda lambiam as janelas do quarto andar. — Sinto muito, pequena. O fogo se espalhou rápido demais por causa do revestimento Ele disse, com uma sinceridade que doeu. — Mas você está viva. É isso que importa. Ele ficou ali até me colocarem dentro da ambulância. Eu queria que ele fosse junto, e ao mesmo tempo queria que ele desaparecesse da face da terra. Koen sempre teve esse efeito sobre mim: ele era o meu porto seguro e o meu maior desastre pessoal.KOEN FIORE Eu estava hipnotizado. Ver a Mel se afastar em direção à pista, com aquele gingado que parecia ditar o ritmo da música eletrônica, era um teste de resistência para o qual eu não tinha treinado.— Cara, você tem sorte de ter uma mulher como ela.Comentou o barman, limpando um copo enquanto admirava a cena também.— É. tenho mesmo.Respondi, com um sorriso bobo que eu não conseguia apagar do rosto.Mas, por dentro, o turbilhão era outro. — Ah, Cadu, por que sua irmã tinha que ser tão linda e exatamente do jeito que eu gosto?Pensei, sentindo o peso da promessa que fiz ao meu melhor amigo. Eu juro que estava tentando resistir. Juro que queria ser o cara honrado que ele confiava, mas a Mel tornava cada segundo uma tortura deliciosa. E hoje? Hoje ela tinha decidido derrubar todas as minhas barreiras.Vi quando ela voltou ao bar, já com o olhar mais brilhante e o riso mais solto. Ela estava ficando alta, e eu, que também já tinha entornado algumas, sentia o filtro da razão desa
Vi o momento exato em que a Mel processou a cena, a ruiva peituda praticamente colada em mim e a minha cara de desespero disfarçado. Ela deu aquele sorrisinho que me dizia que eu ia pagar caro por aquele favor, mas aceitou o papel na hora.Ela veio andando com aquele gingado que me desconcentrava, os olhos fixos na ruiva como se marcasse território. Eu só conseguia pensar: — salvo pelo gongo ou melhor, pelo anjo.Mel não deu nem um segundo de espaço. Ela se aproximou com um sorriso doce no rosto, mas eu conhecia aquele brilho no olhar: era puro deboche misturado com diversão. Ela parou bem na minha frente, ignorando a ruiva como se ela fosse parte da decoração do bar, e passou os braços em volta do meu pescoço.— Desculpa a demora, amor.Ela ronronou, a voz saindo macia, carregada de um carinho que quase me fez acreditar que era real. — A fila do banheiro estava enorme, mas eu senti sua falta a cada segundo.Ela se inclinou e me deu um selinho demorado, possessivo o suficiente para
Merda. Eu estava ficando excitado, mas que homem em sã consciência, naquela situação, não ficaria? O toque da Mel era estratégico, atingindo exatamente os pontos que faziam minha mente disparar para lugares nada decentes especialmente com a imagem dela nua no banheiro ainda queimando na minha memória. Senti meu corpo reagir instantaneamente. Eu precisava encerrar aquele teatrinho antes que perdesse o controle de vez e ela percebesse o efeito que tinha sobre mim.Inclinei-me, roçando meus lábios no ouvido dela, a voz saindo mais rouca do que eu planejava.— Essa dança toda me deixou com sede... vamos dar uma pausa para beber algo?Ela se virou devagar, colando o corpo ao meu com uma lentidão torturante. Cruzou as mãos atrás do meu pescoço, sustentando meu olhar com uma ponta de desafio.— Ah, sério, Koen? Ela parecia genuinamente desapontada, fazendo um biquinho provocador. — Agora que eu estava começando a me divertir... você é mesmo um estraga-prazeres.— Depois a gente volta, anj
KOEN FIORE Ela estava linda, vestida em um vestido preto de alcinha, justo, que a favorecia muito bem. Cabelos soltos, maquiagem suave, um gloss convidativo na boca… Meu Deus. A Mel com certeza é o meu tormento pessoal. Depois de vê-la nua no banheiro, não consigo parar de pensar em transar com ela de várias formas possíveis. — Se controla, Koen, se controla. Ela é a irmã do Cadu, seu melhor amigo. O cara que mais me viu na pior, que largava tudo para me buscar caindo de bêbado no bar. O cara que levou uma facada para me proteger. O meu único amigo que me viu chorar mais vezes do que eu queria. Eu amo todos os meus amigos, mas confesso que tenho um carinho maior pelo Cadu e, com certeza, não quero perder o amor e o respeito dele. Olhando em volta, enquanto estávamos nos preparando para ir para a pista dançar, avisto Alana Silvestron e o marido mau-caráter dela. Olhei para Mel, e ela também os tinha visto. Era nítida a cara de nojo dela. Afinal, Alana adorava persegui-la no colégio
Último capítulo