Mundo ficciónIniciar sesiónAlgumas escolhas não são feitas por amor… mas por sobrevivência. Ruby Prestes está sem saída. Exausta, sobrecarregada e lutando para salvar a pequena Esmeralda, ela aceita a única oportunidade capaz de mudar sua vida: um casamento por contrato. Trevor Black é frio, arrogante e dono de um império. Para manter tudo o que construiu, ele precisa de uma esposa perfeita diante da sociedade — e Ruby parece a solução ideal. Um ano. Um acordo. Nenhum sentimento envolvido. Mas viver ao lado de Trevor significa entrar em um mundo perigoso demais para o coração. Porque, quanto mais a mentira convence os outros… mais difícil fica ignorar o que é real.
Leer másRuby
Para o mundo, sou apenas Ruby, uma mãe solteira exausta, mas a verdade é que escondo segredos e uma angústia profunda. Dividida entre o balcão da cafeteria e o barulho do bar, vivo uma corrida desesperada contra o tempo, em que cada centavo é a promessa de que Esmeralda não perderá sua guerra pela vida.
O despertador do celular vibrou na mesa de cabeceira às cinco e meia da manhã, soando como uma britadeira dentro do meu crânio. Eu sentia cada músculo do meu corpo protestar. Ontem, o turno no bar da Madison havia avançado pela madrugada. Durante a semana, consegui chegar por volta da meia-noite, mas durante o fim de semana.. Nunca tinha hora para sair; o cheiro de cerveja barata e fumaça ainda parecia impregnado nos meus poros, apesar do banho rápido que tentei tomar ao chegar.
Joguei o corpo para o lado, sentindo o colchão velho ranger, e foquei na pequena figura que dormia ao meu lado. Esmeralda era um emaranhado de cachos escuros e cílios longos, a única coisa que me restava de um passado que parecia cada dia mais distante. Ela estava mais rosada que o normal. Encostei as costas da mão em sua testa e meu coração falhou uma batida. Ela estava quente. Não era uma febre alta ainda, mas era aquele calor seco e preocupante que sempre precedia as crises. Dei um analgésico. Ela mal acordou para tomar.
— Durma bem, meu anjo. Dona Rosa vai cuidar de você — sussurrei, depositando um beijo suave em sua têmpora.
Sai da cama com o peso do mundo sobre os ombros. Enquanto vestia o uniforme da cafeteria, uma calça preta, e camisa branca, depois dobrei o avental rosa com cuidado. Ele até tentava ser fofo, mas em mim parecia mais uma armadura de guerra contra o cansaço.
Preparei o café da manhã de Esmeralda e deixei tudo organizado para Dona Rosa, a babá que me ajudava com a pequena. Em seguida, tomei uma xícara de café preto, amargo e escaldante, tentando encontrar ali a energia que minhas poucas horas de sono não me deram.
Antes de sair, avisei a Rosa sobre a temperatura de Esmeralda e pedi que me ligasse caso a febre aumentasse.
Rosa me lançou um olhar de pena, que eu detestava; revirei os olhos, enquanto vestia meu casaco grosso e saia para enfrentar o vento cortante da manhã.
O movimento no café estava caótico. O sino da porta não parava de tocar, um tilintar agudo que parecia chicotear minha paciência, perfurando meu cérebro cada vez que alguém abria aquela maldita porta. Eu estava no balcão, limpando uma mancha de leite e anotando pedidos simultâneos, quando o ar da cafeteria pareceu mudar de densidade. Senti um arrepio na nuca antes mesmo de levantar os olhos.
Ele não caminhava apenas; ele dominava o espaço como se tivesse comprado o prédio inteiro com um estalar de dedos. Terno azul-marinho sob medida, um relógio de platina que brilhava sob as luzes amareladas e um rosto que parecia esculpido em mármore por um artista que odiava a humanidade. Era Trevor Black. Eu já o tinha visto em colunas financeiras, o tubarão, diretor do maior complexo hospitalar da cidade, e que parecia ter o gelo correndo nas veias.
— Um café longo. Puro. Sem açúcar — a voz dele era grave e profunda, uma vibração que atingiu meu peito de um jeito desconfortável.
— Bom dia para você também — respondi, forçando o sorriso de “serviço ao cliente” que eu treinava no espelho. — Gostaria de acrescentar nosso creme especial de baunilha por cinco dólares? É o que nos mantém famosos no bairro.
Ele sequer se deu ao trabalho de me olhar de imediato; manteve os olhos fixos no celular e, em tom de desagrado, inquiriu:
— Eu pedi creme? Não. Menos conversa e mais agilidade. Tenho uma reunião em dez minutos e não pretendo me atrasar por causa de um simples café barato.
Senti o sangue ferver. A preocupação com a saúde de Esmeralda e a falta de sono se transformaram em uma audácia perigosa. Eu não era apenas uma atendente cansada; eu era uma mulher desesperada, e pessoas desesperadas perdem o filtro muito rápido.
— São quinze dólares — eu disse, cruzando os braços e encarando-o.
Desta vez, ele bloqueou a tela do celular e me encarou. Seus olhos eram de um cinza gélido, como o Atlântico no inverno. Ele arqueou uma sobrancelha perfeitamente aparada, medindo-me de cima a baixo com um desdém que me fez querer atirar o bule de café nele.
— O cardápio ali atrás diz nove dólares, se minha visão não estiver me enganando.
— Sim, nove dólares é o preço para clientes que possuem educação básica — retruquei, mantendo o tom de voz baixo, mas firme. — Os seis dólares extras são a “taxa de arrogância”. Considere uma contribuição para a minha paciência.
Ruby— Trevor! Ruby! — Esme soltou a mão de Dália e correu até nós, agarrando a minha saia com entusiasmo. — A titia Dália disse que depois do bolo a gente vai poder comer os docinhos de morango!— Todos os que você quiser, minha princesa — Trevor respondeu, pegando a Esme no colo e beijando sua bochecha. O gesto parecia perfeitamente natural para qualquer um observando de longe, mas eu sentia a rigidez sutil nos ombros do meu marido. A adrenalina do confronto com Daphne ainda queimava em suas veias.Aproximando-me do corpo de Trevor, ele selou um beijo demorado em minha testa. Dália riu baixinho da cena, enquanto Demitri apareceu logo atrás, deslizando por entre as mesas como se tivesse acabado de retornar de uma caminhada tranquila. Ele pegou duas taças de champanhe da bandeja de um garçom que passava e deu uma para Dália, piscando descaradamente.— Tudo perfeitamente limpo e encaminhado, meus caros — Demitri sussurrou para Trevor, num tom que só nós podíamos ouvir, mantendo o sorri
RubyAjustei a barra do meu vestido de noiva antes de cruzar as portas de vidro que davam acesso ao grande salão.O contraste foi imediato e quase perturbador.Lá fora, o cheiro de pólvora e o peso de tudo o que havia acontecido ainda pairavam sobre o jardim. Ali dentro, porém, a orquestra de cordas continuava tocando, as gargalhadas dos convidados preenchiam o ambiente e as taças de cristal tilintavam como se aquela noite tivesse sido perfeitamente normal.Trevor entrelaçou os dedos nos meus.O aperto firme de sua mão quente era a única coisa que me mantinha ancorada à realidade.Ele se inclinou levemente, aproximando os lábios do meu ouvido.— Não permita que o que aconteceu lá fora a abale. Sei que foi horrível... Pode parecer egoísmo da minha parte, até insensível, mas este dia é importante demais para deixar que isso… — Interrompi-o antes que terminasse.— Aconteceu o que tinha que acontecer. Foi perturbador, triste e eu nem tenho palavras para descrever o que sinto. Mas entendo
FrancisPensei rápido.Não havia tempo para alcançá-la. Muito menos para tentar contê-la fisicamente.Daphne estava correndo na direção de Ruby, e a tesoura em suas mãos deixava suas intenções claras.Meu corpo reagiu antes mesmo de eu terminar de pensar.Saquei a pistola do coldre velado.— RUBY, CUIDADO! — Demitri gritou.Ergui a arma e efetuei dois disparos.PÁ! PÁ!Os estampidos rasgaram o silêncio da noite.Daphne foi atingida e perdeu o ritmo da corrida no mesmo instante. A tesoura escapou de suas mãos e caiu sobre o gramado com um ruído seco.Ela permaneceu imóvel por um segundo, como se o próprio corpo ainda não tivesse entendido o que havia acontecido.Então virou o rosto na minha direção.Os olhos estavam arregalados, tomados pelo choque.Depois, seu olhar deslizou para Trevor.Ele ainda abraçava Ruby.Foi como se aquela imagem fosse a última coisa que ela precisasse ver.Os joelhos de Daphne cederam.Ela caiu na grama, e o jardim mergulhou em um silêncio pesado.Abaixei a a
DaphneIdiotas! Todos eles são uns malditos idiotas!A voz daquele segurança arrogante e as gargalhadas daquele outro advogado de merda ecoavam dentro da minha cabeça, misturando-se até virarem um ruído ensurdecedor.Eu não queria ouvi-los.Não conseguia.Minha mente estava presa a uma única imagem.Trevor.Trevor abraçado àquela gorda desgraçada.Trevor sorri para ela.NÃOOOOOO.Aquilo não podia ser real.Eles não entendiam. Ninguém entendia.O Trevor é MEU.Sempre foi.Aquele casamento era uma farsa. Uma mentira criada para me afastar dele. Trevor jamais escolheria aquela golpista por vontade própria. Aquela mulher havia feito alguma coisa.Tinha de ter feito.Talvez algum feitiço. Alguma coisa absurda que o mantinha preso a ela. Sim.Era a única explicação possível.Ela enfeitiçou o Trevor.A ideia se encaixou tão perfeitamente na minha cabeça que deixou de parecer loucura.Virou certeza.Meu peito subia e descia depressa. As lágrimas continuavam escorrendo pelo meu rosto, mas eu
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