Mundo ficciónIniciar sesiónEla é a feia traída e ridicularizada. Lua Andrade aprendeu da forma mais cruel que o amor pode ser só uma mentira. Humilhada publicamente pelo seu primeiro amor, marcada na pele e na alma, convencida de que é uma mulher repulsiva, ela foge do destino terrível a espera ao lado dele. Quando a vida finalmente lhe oferece um abrigo e um emprego como cozinheira e faxineira, Lua acredita que se for invisível e trabalhar duro, ela pode enfim recomeçar. Até que um erro terrível em uma noite que não deveria acontecer, a faz cruzar o caminho do homem mais perigoso que poderia existir para seu coração. Eros Bitencourt é um bilionário temido, frio e inalcançável, um magnata cuja presença domina qualquer ambiente. Imponente, duro e calculista, ele construiu um império financeiro colossal, e uma muralha intransponível ao redor do seu coração. Mas quando Lua entra na sua vida, tudo muda. Ela queria se livrar do passado, e acabou propondo ao seu chefe e melhor amigo, que fingisse ser seu noivo. Mas ele se recusa covardemente. Lua invade o quarto errado para confrontar seu amigo, depois de afogar as mágoas na bebida, e acaba nos braços de um desconhecido, em uma explosão de desejo que nenhum dos dois consegue controlar. Eros, porém, descobre algo que o deixa perigosamente interessado pela mulher que propôs um casamento falso para seu sobrinho. A faxineira e sua proposta inusitada, é a solução para o seu problema insolúvel. Decido, ele decide tomar o lugar do sobrinho, propondo um contrato de noivado. Mas o relacionamento de mentira cria uma aproximação cheia de provocações, e uma atração explosiva, que Eros nunca imaginou sentir por uma mulher como Lua. E quando a mentira do contrato arde como verdade, nenhum dos dois pode fugir do amor que nasce do improvável.
Leer másSeus passos trôpegos a levaram pelo corredor iluminado com luz suave, estava tudo meio embaçado, em algum momento na cozinha, perdeu os óculos grossos. Lua levantou o rosto haviam duas portas?
Quando foi que colocaram outra porta ali?
A dele era da direita... se lembrava bem...
Tinha que ser.
- Você vai ver uma coisa, Lucas.... Biten..court...– Ela resmungou arrastado. – Achei que você era diferente...- um soluço entrecortado. – Mas...você também me acha uma feia repulsiva...
Ela cambaleou, caiu, e se levantou se segurando na parede. A porta de madeira lustrosa e escura estava bem ali na frente, só tinha que entrar e dizer umas verdades para aquele idiota mulherengo cafajeste e sem vergonha.
A mão molhada girou a maçaneta, e ela praticamente caiu no carpete do quarto frio, muito mais fria que o restante da casa.
- Que porcaria...está gelado demais aqui... – Praguejou, engatinhando no chão, tentando encontrá-lo através dos sapatos caros lustrosos. – Onde você tá? Eu preciso ... ver você...me dizer isso...– ela disse, mal enxergando sob a meia luz do ambiente. – na...minha cara...
O perfume que a atingiu não era o habitual de Lucas.
Era mais intenso, extremamente masculino, perigoso. Madeira, couro, com uma nota picante que fez seu corpo inteiro arrepiar de um jeito estranho.
Mas Lua estava bêbada demais para entender aquilo.
Por que estava tão escuro?
Lucas tinha virado um vampiro por acaso?!
Um vulto se moveu perto da janela.
- Deve estar se escondendo de mim depois da.... da... resposta covarde que me ...deu...hic... hic…
Passos lentos, silenciosos, se aproximaram. Ela riu debilmente, batendo o punho no chão.
- Você acha que eu não sei que sou feia, que não sente atração por ...mim .... Não te pedi.... – As lágrimas transbordaram como um rio, pingando em seu uniforme de faxineira da companhia Atikos. Ela nem mesmo o tirou depois de chegar do trabalho. – ...não te pedi...para casar comigo de verdade... Só pedi que fingisse...
Os sapatos caros surgiram diante dela, Lua segurou nas pernas de uma poltrona de couro, tentando se levantar, mas seu corpo estava mais pesado que o normal, e aquela dor atravessava em seu peito de um jeito devastador.
As lágrimas transbordaram como um rio, pingando em seu uniforme largo e folgado de faxineira da companhia Atikos. Ela nem mesmo o tirou depois de chegar do trabalho.
Que ironia...
Até para implorar por ajuda, ela parecia apenas o que sempre foi, a funcionária apagada, a amiga sem graça, a mulher que ninguém escolheria primeiro.
Os sapatos masculinos surgiram diante dela.
Ela tentou se levantar, segurando na perna de uma poltrona, mas o corpo pesava como chumbo.
- Você deve ...ter..... rido de mim à beça quando....te pedi.... – Ela viu a figura masculina se abaixar diante dela, escura demais para que fosse capaz de reconhecer os traços atraentes de Lucas. – Sou tão .... repugnante.... que...você nem mesmo .... foi capaz de.... hic,hic... de dizer NÃO na minha ....cara.
A figura se inclinou, sua sobra cobrindo Lua em escuridão completa. O perfume diferente, intenso demais a atingiu, a surpreendendo.
Ele ia sair com alguma garota nova, certamente. Por isso estava com esse cheiro delirante.
Ela riu alto de sua própria estupidez.
Estava tudo confuso. Embaçado, distorcido.
Suas mãos buscaram o rosto bonito, mas encontrou um peito largo, frio e duro, ela pegou a gravata e a agarrou de uma vez para se equilibrar, ou quase.
- Eu devo estar atrapalhando.... o todo poderoso.... Deve ter alguma garota linda esperando por você, não é? – ela disse, amargamente. – Por que não diz .... hic, hic...nada?! – ela grita revoltada.
Mãos enormes, rígidas, a segurou pelos ombros firmemente, a levantando do chão com uma facilidade absurda. Lua aperta os olhos, tentando ver a expressão de Lucas Bitencourt. Mas ele está muito alto, está muito escuro, e para piorar, ela não consegue ver um palmo à sua frente.
A presença dele parecia ocupar todo o quarto, todo o ar, todo o espaço à sua volta.
Aquele cheiro.... aquela presença.... ela não consegue mais reprimir seus impulsos, e agarra a camisa dele, o abraçando.
Seus soluços entrecortados abafados pelo peito duro feito de concreto.
- O que faz aqui? – perguntou uma voz grave, baixa, gélida.
As mesmas mãos firmes seguraram o rosto dela. Lua se sentiu observada, e se esquivou do toque, chorando copiosamente.
Que cruel da parte dele.
Ele, melhor que ninguém, sabia o que esse tipo de olhar avaliativo causava nela, uma mulher ferida pelo julgamento constante de sua aparência.
- Pare...de fingir... – ela se inclinou, o abraçando pela cintura. – Se... ao menos....eu não fosse .... assim... – Subiu suas mãos pelas costas moldadas em músculos de aço, que esquentavam sob suas palmas pequenas. - ...talvez...você não... me rejeitasse desse jeito...E eu que pensei que significava alguma coisa para você...pelo menos...
Lua se agarrou a ele, completamente entregue as suas emoções e a tristeza.
- Eu preciso de você... – suplicou, tateando o corpo masculino até encontrar uma mandíbula rígida, e angulosa feito mármore. Seu corpo implorava para ser tocado por essas mãos, por ser pressionado pelos músculos fortes. – Não me negue isso... pelo menos uma vez... não me faça me sentir...pior ainda...
Ela se esticou nas pontas dos pés e, cegamente, encostou os lábios nos dele.
Por um segundo, tudo ficou estático...
Mas então…
Os lábios daquele homem se moveram contra os dela.
O trânsito da cidade se movia pesado, mas Renato dirigia com a precisão de quem conhecia ruas, atalhos e horários.Enquanto avançava entre avenidas largas e semáforos demorados, sua mente organizava cada etapa do que faria.Renato atingiria Lua onde ela agora fingia existir.Na imagem.O podcast seria perfeito, ridículo, de certo modo. Um estúdio com microfones, câmeras, cortes para redes sociais, apresentadores famintos por escândalo e audiência. Mas era exatamente por isso que funcionava.O mundo tinha ficado barato o suficiente para acreditar em qualquer coisa dita com voz firme diante de uma câmera. As pessoas não queriam justiça; queriam história.Queriam vilão, vítima, reviravolta, frase de efeito, prova mal explicada, lágrima no momento certo, indignação bem editada.Se Bitencourt e Lua estavam encenando uma novela para todos, Renato entraria com o capítulo que faltava.A versão dele, a verdade.E a verdade, quando dita com convicção suficiente, dobrava muita coisa.O podcast a
Renato apertou os braços, os músculos travando sob a jaqueta. Por trás dos óculos escuros, seu olhar estremecia de ódio, mas seu corpo permanecia parado, disciplinado, imóvel demais.Ele tinha aprendido a ser tático, não desperdiçar movimentos.Um homem que atacava no impulso deixava rastros. Um homem inteligente esperava, registrava, escolhia a hora certa e usava a própria raiva como combustível, não como prova contra si.Bitencourt inclinou a cabeça para falar algo perto de Lua.Ela olhou para ele.E sorriu.Qualquer idiota vendo de fora diria que era nervoso, tímido, constrangido diante das câmeras. Mas Renato não viu timidez, era provocação, traição.E agora estava sorrindo como uma vadia para outro homem, enquanto fingia ser protegida por ele.A mão de Renato se fechou com tanta força sobre o próprio braço que as unhas pressionaram o tecido da jaqueta.Quem aquela vagabunda pensava que era?Achava mesmo que, depois de todos aqueles anos, poderia ir embora, abrir as pernas para um
RenatoEle estava à paisana quando viu Lua sair da clínica.Não havia farda sobre seu corpo, nem distintivo à mostra, nem qualquer uma daquelas marcas visíveis que costumavam fazer as pessoas endireitarem a postura diante dele.Mas não se parecia com um civil.Encostado no próprio carro, do outro lado da rua, com os braços cruzados sobre o peito e os óculos escuros escondendo o olhar, ele parecia apenas mais um homem esperando alguém em frente a uma clínica cara.Mas não era isso que fazia ali.Ele estava vigiando.A clínica ficava em uma região onde tudo parecia limpo demais para ser naquela cidade de merda cheia de favela, sujeira e viciados.A fachada de vidro, recepção com mármore claro, manobristas discretos, seguranças posicionados com precisão. Era uma clínica médica de milionários, dessas onde só quem possuía cartão corporativo, sobrenome importante e convênio inacessível para qualquer pessoa comum, poderia entrar.Renato olhou para aquele prédio com desprezo, porque havia alg
Lua ergueu os olhos, surpresa com a hostilidade quase imediata e com o aviso naquele tom de voz de Iara. Ela não falou como alguém repetindo fofoca de empresa, era mais como uma convicção fria, pessoal demais.— Você conhece ela?Iara percebeu a própria intensidade na forma assustada com que Lua fez a pergunta, o rosto suavizou, mas não o suficiente para esconder o amargor.— Conheço o tipo.Lua inclinou um pouco a cabeça.— E o Eros?A colher de Iara parou dentro do sorvete.— O que tem ele?— Você já conhecia Eros e Nádia antes da Atikos?Por um instante, Iara olhou para o átrio do shopping. As luzes douradas refletiam em seus olhos, mas o brilho parecia distante. Quando sorriu, era quase triste, nostálgico, cheio de um amargor que não combinava com a mulher segura que havia transformado uma tarde de compras em algo descontraído.— Eu conheço mais do que gostaria dos Bitencourt.Lua ficou surpresa novamente, não pela frase em si, mas pelo modo como ela foi dita.Como se o sobrenome





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