Mundo de ficçãoIniciar sessão(Autora Brasileira) Livro IV da saga Entrelaços. Milena Fonseca acreditava viver um conto de fadas, até descobrir que seu marido, Ethan a traia.. Ela foi roubada, enganada e envenenada secretamente para nunca ser mãe. Destruída, Milena foge para um bar em Londres e se entrega a uma noite de luxúria selvagem e anônima com um homem misterioso de olhos gélidos e uma tatuagem de lobo no peito. Ao amanhecer, ele desaparece, deixando apenas um cheque intacto. Devido à exaustão e ao álcool, Milena guarda a memória do toque, mas esquece o rosto do estranho. Semanas depois, ela volta ao Brasil para recomeçar, mas se vê jurada de morte pelos agiotas de seu tio viciado. Obrigada pelo irmão a aceitar um guarda-costas 24 horas, Milena decide demitir o sujeito antes mesmo de conhecê-lo. Porém, ao abrir a porta, o ar some dos seus pulmões. Nicolas, o implacável "Lobo Solitário" do submundo, é o seu novo protetor. Ele sabe exatamente quem ela é; ela sente um déjà vu avassalador, mas não liga os pontos. A convivência forçada explode quando Ethan ressurge em um evento social para humilhá-la. Para sair por cima, Milena toma uma atitude desesperada: beija Nicolas na frente de todos e o apresenta como namorado. Para manter a farsa perante a elite e ocultar as ameaças de morte, ela propõe um contrato de namoro falso. Nicolas odeia o teatro, mas aceita quando Milena oferece a moeda de troca perfeita: as chaves de uma propriedade secreta para ele esconder e proteger uma jovem inocente do submundo. Agora, encenando uma paixão arrebatadora enquanto enfrentam criminosos nas sombras, a linha entre a mentira e a realidade começa a desaparecer. Sob o mesmo teto, o maior perigo não são os inimigos lá fora, mas o segredo que queima entre eles.
Ler mais“Ele está fodendo a secretária na mesa da presidência agora mesmo. Abre o olho, Sra. Miller.”
Olhei para a tela do celular, sentindo uma mistura instantânea de indignação e nojo.
O número era privado com mais uma mensagem anônima.
A terceira só naquela semana.
— Que patético — murmurei sozinha, jogando o aparelho de canto na bancada.
Dei uma risada abafada, balançando a cabeça.
Inveja era uma coisa podre mesmo.
As pessoas não suportavam ver um casamento perfeito e um homem de sucesso.
Ethan me trair? Logo ele?
O homem que me ligava no meio do dia só para dizer que me amava?
Era ridículo.
Eles queriam me desestabilizar logo hoje, no dia mais importante das nossas vidas. Mas eu não ia permitir.
Voltei a me encarar no espelho, ignorando o nó sutil que tentava se formar no meu estômago.
Hoje não era um dia qualquer.
Era o aniversário da Miller Corp., e não um aniversário comum. Estávamos comemorando quatro anos de fundação.
Quando conheci Ethan, há seis anos, em Londres, ele era apenas um homem comum tentando crescer na vida.
Eu me apaixonei perdidamente por ele, mesmo indo contra os meus pais, que insistiam em dizer que Ethan estava de olho apenas no nosso dinheiro.
Mas não acreditei nisso. Eu via nele um potencial brilhante, uma fome de vencer que me encantava. Um ano depois, contra tudo e contra todos, me casei com ele.
Investi todo o dinheiro que eu tinha e mais um pouco que peguei emprestado do meu irmão nas ideias do meu marido.
E deu certo. Atualmente, a Miller Corp. é uma das mais poderosas e respeitadas de Londres.
E hoje, eu queria surpreendê-lo.
Queria celebrar a nossa vitória conjunta.
Eu estava me sentindo poderosa, a verdadeira rainha da Miller Corp.
Cheguei à empresa uma hora e meia antes do horário que combinei com Ethan para a festa oficial.
O saguão estava agitado com os preparativos finais, balões dourados e pretos flutuavam e o buffet estava sendo montado.
— Bom dia, Sra. Miller! Que surpresa agradável vê-la tão cedo — disse Sarah, a recepcionista, forçando um sorriso que não chegava aos olhos.
— Bom dia, Sarah. Resolvi vir antes para dar uma olhada e fazer uma surpresa para o Ethan — respondi, sorrindo de volta.
Eu sempre me esforcei para ser gentil com todos.
Caminhei em direção aos elevadores executivos e já estava a poucos passos de entrar quando alguém se colocou na minha frente.
— Sra. Miller! Oh, meu Deus, que susto! — Era Amanda, uma estagiária do marketing que eu mal conhecia.
Ela parecia pálida e segurava uma pilha de papéis que parecia que ia despencar a qualquer momento.
— Amanda, tudo bem? — perguntei, tentando contorná-la.
— Sra. Miller, eu preciso desesperadamente da sua ajuda. É um caso de vida ou morte. O layout do banner da entrada está com um erro no logo da empresa! — Ela gesticulava loucamente, praticamente bloqueando a porta do elevador que estava prestes a fechar.
Respirei fundo, mantendo a calma.
— Amanda, eu realmente tenho que subir agora. Posso ver isso depois.
— Mas Sra. Miller! É o banner principal! O Sr. Miller vai surtar se vir o erro. Por favor, leva só dois minutos.
A insistência dela começou a me irritar.
Amanda nunca tinha falado mais que duas palavras comigo antes e de repente, ela precisava de mim como se sua vida dependesse disso?
— Amanda, procure o seu supervisor. Eu não posso te ajudar agora.
Tentei me esquivar, mas ela se moveu novamente, quase esbarrando em mim e então a porta do elevador se fechou.
Eu não podia acreditar.
Uma funcionária estava me impedindo de entrar no meu próprio elevador?
Minha paciência, que já estava no limite, evaporou.
Eu era gentil, sim, mas funcionários precisavam saber o seu lugar.
Desrespeitar a esposa do dono da empresa, que por acaso era a investidora que colocou de pé cada centímetro daquele império, era cruzar uma linha vermelha.
— Amanda — minha voz saiu fria e cortante, um tom que eu raramente usava. — Eu disse que não posso agora. E o seu comportamento está cruzando o limite do desrespeito. Vou subir, e você vai procurar o seu superior imediatamente.
Amanda arregalou os olhos e deu um passo para trás, parecendo finalmente intimidada.
— D-desculpe, Sra. Miller. Eu não queria...
Apertei o botão do elevador novamente, desta vez com força. A porta se abriu e eu entrei, fuzilando-a com o olhar antes que as portas se fechassem..
— Eu vou ter uma conversa séria com o Ethan sobre ela — murmurei para mim mesma. — Por mais gentil que eu seja, as pessoas precisam de limites.
O elevador subiu silenciosamente até o 20º andar, o andar da diretoria.
Quando as portas se abriram no corredor, o silêncio era absoluto.
Onde estava todo mundo? Os preparativos eram lá embaixo, mas a área executiva deveria estar um pouco mais movimentada.
Caminhei em direção à mesa da Mary, a secretária pessoal do Ethan.
A mesa estava vazia… suspirei…
— Inacreditável — bufei, olhando para o relógio.
Mary já deveria estar aqui há uma hora.
Outra que precisaria de uma chamada de atenção.
Eu era a gentileza em pessoa, mas os atrasos de Mary estavam se tornando frequentes.
Ethan sempre a defendia, dizendo que ela trabalhava até tarde, mas eu não engolia essa.
Mary tinha apenas 19 anos, uma recém-contratada que parecia mais interessada em se exibir do que em trabalhar.
Eu estava fumegando.
A atitude de Amanda lá embaixo, a ausência de Mary aqui em cima... Parecia uma conspiração para arruinar o meu humor no dia do aniversário da nossa empresa.
Respirei fundo três vezes, tentando recuperar o controle.
Não ia deixar isso me abater.
Caminhei em direção à porta de madeira maciça dele e girei a maçaneta e abri a porta com um sorriso radiante.
Mas o sorriso congelou no meu rosto e as palavras morreram na minha garganta.
Meu marido, Ethan Miller, estava de costas para mim, com as calças abaixadas até os tornozelos.
Ele estava de pé, inclinado sobre a mesa de conferência e entre ele e a mesa, estava Mary.
A porra da secretária de 19 anos.
Ela estava de bruços, com o vestido levantado e os olhos fechados, segurando a borda da mesa com força, emitindo gemidos que eu preferia nunca ter ouvido.
Ethan estava enterrado profundamente nela, sua respiração pesada se misturando aos gemidos dela.
Foi um choque.
Uma bofetada física e o mundo parecia ter parado.
Eu não sei quanto tempo fiquei ali parada, olhando para aquela cena nojenta.
Parecia uma eternidade, mas provavelmente foram apenas alguns segundos.
O amor, a confiança, o orgulho... tudo o que eu construí com Ethan nos últimos seis anos, tudo o que eu apostei nele indo contra a minha própria família... tudo desmoronou ali, diante dos meus olhos.
Com um movimento que parecia automático, bati a porta com toda a força que eu tinha.
O estrondo ecoou pela sala silenciosa, quebrando o feitiço.
Eles se separaram como se tivessem levado um choque.
Ethan girou, puxando as calças com o rosto pálido e os olhos arregalados de terror.
Mary se endireitou rapidamente, puxando o vestido para baixo, tentando desesperadamente se cobrir, mas havia um sorrisinho vitorioso em seus lábios.
Eu cruzei os braços, olhando de um para o outro, sentindo uma raiva fria e paralisante se espalhar por todo o meu corpo.
A ansiedade da manhã tinha se transformado em uma fúria avassaladora.
— Milena... — Ethan gaguejou, com sua voz falhando.
Ele deu um passo em minha direção, e eu recuei para trás.
— Acho que já respondi à minha própria pergunta — minha voz saiu fria e firme, perfeitamente controlada. — Mas, para que não reste dúvidas...
Olhei diretamente nos seus olhos, ignorando Mary que tremia em um canto.
— Estou atrapalhando alguma coisa importante?
— O passaporte para a segurança das suas mulheres, Nicolas — dei um passo à frente, cruzando os braços.— É uma propriedade privada na Filadélfia. Um local totalmente isolado, fora de qualquer radar do submundo. Um lugar comum… que quase ninguém sabe que ela existe.Nicolas arrastou o polegar pela tela, olhando os detalhes do terreno e a distância da rodovia mais próxima. O seu maxilar continuava rígido.— É perfeito para esconder quem quer que seja a mulher que você protege — continuei, mantendo o tom de voz calmo, quase doce, sabendo que tinha tocado no ponto fraco dele. — Poucas pessoas vivem na região, a vizinhança é inexistente e o acesso é controlado.Ele ergueu os olhos da tela e fixou as pupilas dilatadas nas minhas. O desdém flutuou naquele azul gélido, e uma risada anasalada, curta e seca, escapou dos seus lábios. Ele estendeu a mão e me devolveu o celular com rispidez.— Você é muito ingênua, senhora Fonseca — ele debochou, com a voz saindo num sussurro hostil. — Cabanas
~ Nicolas ~O ar ao nosso redor evaporou.E o meu corpo disparou um alerta vermelho que fez o sangue ferver nas minhas veias. A farsa da alta sociedade, o terno italiano apertado, o perfume de flores que ela exalava... tudo sumiu, dando lugar ao puro instinto de sobrevivência.Aquela garota mimada tinha cruzado a linha mais perigosa do meu cerco.Dei um passo predatório na sua direção, reduzindo a distância entre nós a zero. Minha estatura cobriu o seu corpo, obrigando-a a inclinar a cabeça para trás. O maxilar travado e o olhar fixo nas suas pupilas eram puro chumbo.— Você estava bisbilhotando a minha vida — disparei.Minha voz caiu para o tom mais baixo, rouco e perigoso que ela já tinha ouvido. Não era uma pergunta. Era uma constatação.Milena engoliu em seco, mas ela não recuou. A postura de negociadora assumiu o controle do seu rosto com uma rapidez impressionante. O sorriso de deboche vacilou, mas ela manteve o queixo erguido.— Foi sem querer, Nicolas. Eu já te disse qu
~ Milena ~O estalo seco da fechadura pareceu o estopim para uma bomba que vinha fazendo contagem regressiva desde o Teatro Municipal.O silêncio do carro tinha sido sufocante, mas ali, dentro das quatro paredes do meu apartamento, o ar simplesmente desapareceu. Virei para Nicolas, sentindo o meu coração martelar contra as costelas numa velocidade perigosa. O terno italiano, que horas atrás o transformou em um príncipe sombrio, agora parecia pequeno demais para conter a fúria que emanava de cada músculo do seu corpo.Ele não esperou eu dar o primeiro passo.Nicolas levou a mão ao pescoço e arrancou a gravata escura com uma violência que fez um dos botões da camisa de seda voar longe, estalando contra o piso de mármore. Ele jogou o tecido no chão, desabotoou os primeiros botões com os dedos tensos e me encarou.Seus olhos azuis-gelados estavam em chamas. Era uma fúria crua, militar, assustadora.— Que história de namoro falso é essa? — Sua voz saiu num rosnado tão baixo e rouco que
~ Milena ~O silêncio que se seguiu foi insuportável. Sua mão grande e calejada continuava espalmada na minha cintura, apertando o tecido com uma firmeza possessiva, colando o meu corpo sem nenhuma cerimônia contra o seu peito largo.Aquela proximidade me dava um norte. Pela primeira vez em meses, eu não me sentia indefesa.Ethan alternava o olhar entre a mão de Nicolas na minha cintura e o meu rosto. O choque inicial na cara do meu ex-marido estava se transformando rapidamente em uma fúria avermelhada, estragando toda a pose de lorde britânico que ele ostentava.— O que significa isso, Milena? — Ethan exigiu, com a voz subindo um tom, atraindo ainda mais a atenção dos curiosos ao redor. — Que palhaçada é essa? Quem é esse homem?Respirei fundo, deixando a arrogância assumir o controle absoluto dos meus lábios. Olhei bem no fundo dos olhos dele, sustentando o meu melhor sorriso de deboche.— Mude o tom de voz para falar comigo, Ethan. Você não tem mais esse direito. E respondendo à










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