Capítulo 5: O Lobo Me Devorou

— Tenho certeza absoluta. Nada na minha vida foi tão certo quanto querer apagar o resto do mundo agora — respondi, com a voz quase em um sussurro, mas firme, eliminando qualquer espaço que ainda restasse entre os nossos corpos.

E, sem esperar que a razão dele falasse mais alto, puxei-o de volta para mim, selando as nossas bocas em um beijo definitivo.

Ele me suspendeu como se eu não pesasse nada, e minhas costas encontraram a parede fria do quarto com um impacto delicioso, abafado pelo meu corpo aquecido contra o dele.

— Você não sabe o que está fazendo — ele murmurou contra minha boca, mas não recuou. 

Pelo contrário, sua língua invadiu o espaço entre meus lábios com uma urgência que me fez gemer baixinho.

— Não quero saber — respondi, e minhas pernas se enroscaram automaticamente em volta da sua cintura, prendendo-o contra mim.

Senti o seu volume duro pressionando através do tecido das calças contra o meu centro, e um arrepio quente desceu pela minha coluna. 

Ele me beijou como se estivesse me devorando, e eu correspondi com a mesma intensidade selvagem. 

Sua mão deixou minha cintura e viajaram para baixo, apertando minhas coxas, subindo até a barra do meu vestido que já tinha subido até minha cintura.

— Maldita — ele sibilou ao perceber que eu não usava nada por baixo.

Eu sorri contra o pescoço dele, mordendo a pele salgada do seu ombro. 

Ele gemeu, um som grave, rouco e então me carregou até a cama.

Meu corpo afundou nos lençóis e ele pairou sobre mim, um predador no auge da sua forma. 

A luz do quarto recortava cada músculo do seu torso, e a tatuagem do lobo parecia dançar a cada movimento seu. 

Seus olhos azuis estavam escuros, quase pretos de desejo.

Ele arrancou meu vestido com uma paciência zero, e eu ouvi o tecido rasgar em algum lugar. 

Não me importei. 

Sua boca encontrou meu pescoço, meus seios, meu estômago, enquanto suas mãos aprendiam cada curva do meu corpo. 

Quando seus dedos encontraram meu ponto mais sensível, um gemido escapuliu dos meus lábios que beirava o obsceno.

Eu não queria ser passiva. 

Não naquela noite.

Com um impulso que o pegou de surpresa, eu o virei. 

Agora eu estava por cima, montada sobre seu corpo quente, sentindo cada centímetro do abdômen dele contra a parte interna das minhas coxas. 

Desci meus lábios pelo peito dele, lambendo o contorno da tatuagem do lobo sentindo os seus músculos se contraírem sob minha língua. 

Sua mão agarrou meu cabelo, não para me puxar, mas para sentir.

Continuei descendo.

Minha boca encontrou o cós da calça dele, e eu olhei para cima através dos cílios. 

Ele arfava, com o peito subindo e descendo em ondas irregulares.

 Com movimentos lentos e deliberados, desfiz o cinto, puxei o zíper, e ele ergueu o quadril para me ajudar a tirar a calça. 

A cueca veio em seguida.

E então ele estava ali. Duro. Quente. Perfeito.

Envolvi com minha boca sem pensar duas vezes.

O som que ele fez, um gemido gutural, quase um rugido abafado, foi o combustível que eu precisava. 

Comecei um ritmo lento, provocante, sentindo o peso dele na minha língua. 

Sua mão agarrou meus cabelos com mais força, guiando, pedindo mais e eu dei. 

Me aprofundei, engoli, fiz cada movimento com a intenção de desmontar a armadura de gelo que ele usava.

— Assim — ele sibilou, o quadril se erguendo para encontrar minha boca.

Mas então ele me puxou para cima, me afastando com uma determinação que me fez ofegar.

Antes que eu pudesse reclamar, ele me virou na cama. 

Meu rosto afundou nos travesseiros e senti o peso dele sobre mim, sua boca encontrando a curva do meu pescoço por trás. 

Seus dedos voltaram ao meu ponto sensível, agora com uma precisão cirúrgica, me preparando, me estendendo até o limite.

Eu me contorcia sob ele, implorando sem palavras.

Ele recuou o suficiente para que eu ouvisse o som de um papel sendo rasgado. 

O preservativo. 

Por um segundo, meu coração bateu mais rápido por antecipação.

E então veio a ordem.

— Fique de quatro.

Sua voz era baixa, grave, e carregava uma autoridade que fez meu ventre se contrair de desejo. 

Obedeci sem hesitar. 

Meus joelhos afundaram no colchão, minhas mãos se apoiaram à frente, e senti o ar do quarto na minha pele exposta.

Uma palmada ecoou no ambiente,  um choque quente que se espalhou pela minha pele, me deixando ainda mais molhada.

E então ele me penetrou.

Com força, por completo. 

Um impulso único que me fez prender a respiração e arquear as costas ao mesmo tempo. 

Agarrei os lençóis com tanta força que minhas juntas ficaram brancas. 

Ele começou a se mover, ritmo firme, preciso, cada estocada mandando ondas de prazer da minha espinha até a ponta dos meus dedos.

— Assim... — eu gemia, as palavras saindo em fragmentos.

Ele acelerou. 

Sua mão envolveu meu pescoço… sem apertar, apenas ali, presente, um lembrete de quem comandava aquela dança. 

A outra mão agarrou meu quadril com força suficiente para deixar marcas.

Eu gozei.

Foi um desmoronamento completo. 

Meu corpo tremeu, minhas pernas ameaçaram ceder, e um grito abafado se perdeu nos travesseiros. 

Mas ele não parou. 

Me manteve ali, me estendeu através do orgasmo, me levou para o outro lado.

Quando eu pensava que não aguentava mais, ele recuou. 

Me virou de costas com um movimento que me deixou tonta. Minhas pernas se abriram para ele automaticamente, e então ele ergueu uma delas, colocando meu tornozelo sobre seu ombro.

A profundidade era diferente agora. Intensa. Íntima demais.

Seus olhos azuis cinzentos queimavam dentro dos meus enquanto ele me penetrava novamente. 

Não havia escapatória. 

Eu estava totalmente exposta, totalmente vulnerável, e totalmente entregue.

— Olha para mim — ele ordenou, e eu obedeci.

Ele começou a se mover mais devagar, mais fundo. 

Cada estocada era uma declaração. 

Eu sentia cada centímetro dele dentro de mim, e meus dedos se enterraram nos seus cabelos, puxando-o para mais perto. 

Seu gemido se misturou ao meu.

Gozei de novo. 

Com um movimento que exigiu toda a força que me restava, eu o girei. Estava por cima novamente, mas dessa vez no controle total. 

Comecei a cavalgá-lo devagar, sentindo-o deslizar dentro de mim em um ângulo que me fez revirar os olhos. 

Suas mãos agarraram meu quadril, e ele empurrou contra o meu movimento, se chocando comigo em uma sensação deliciosa. 

Ele gemeu, arqueou as costas, e eu senti o exato momento em que ele se perdeu. 

Seu corpo inteiro se tensionou por baixo de mim, seus dedos cravaram na minha pele, e um gemido grave e prolongado escapou da sua garganta enquanto ele se entregava completamente.

Por um longo momento, ficamos assim. 

Eu sobre ele, nossos corpos ainda conectados, apenas respirando. Seu peito subia e descia em ondas, e a tatuagem do lobo parecia pulsar junto com seu coração.

Eu me inclinei e o beijei. 

Dessa vez, devagar. 

Me deitei ao seu lado, com meu rosto encontrando o aconchego do seu ombro, minha mão descansando sobre seu peito. 

A tatuagem do lobo estava quente sob meus dedos.

— Isso foi... — tentei dizer, mas as palavras me faltaram.

Ele não respondeu. 

Apenas passou os dedos pelos meus cabelos, em um gesto tão suave que contrastava com tudo que havia acontecido nos últimos minutos.

Senti o sono chegando como uma onda. 

Meu corpo estava pesado, saciado, finalmente em paz pela primeira vez desde o que aconteceu no escritório. 

Minhas pálpebras ficaram pesadas e o som da sua respiração um pouco irregular,  foi a última coisa que registrei antes de o mundo escurecer.

******

O calor da luz matinal invadiu o quarto, trazendo de volta a realidade cruel que o álcool havia anestesiado. 

Abri os olhos devagar, sentindo a cabeça latejar levemente, e olhei ao redor, perdida por um momento de onde estava.

Sentei na cama e suspirei profundamente. 

Meu corpo inteiro estava deliciosamente dolorido, a prova física de que a noite anterior não tinha sido um delírio. 

Olhei para a cômoda ao lado e peguei meu celular, mas o que realmente prendeu minha atenção foi o pedaço de papel retangular logo abaixo dele… o cheque de dez mil dólares.

Ele não tinha tocado no dinheiro.

Levantei rapidamente, segurando o lençol contra o corpo para procurá-lo, quando ouvi batidas pesadas na porta.

Franzi o cenho, com meu coração dando um salto bobo no peito. 

Será que ele tinha saído para buscar o café e esquecido o cartão? Um sorriso involuntário tentou se desenhar nos meus lábios. 

Enrolei o lençol ao redor do meu corpo com firmeza, segurando as pontas contra o peito, e caminhei até a entrada. 

Girei a chave e abri a porta de supetão.

Mas o sorriso morreu instantaneamente e o ar congelou na minha garganta.

— Ethan? — balbuciei, com o choque me paralisando por completo.

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