Mundo ficciónIniciar sesiónAcerto de Contas Autora: Edivania Rios História ambientada entre 1990 e 1998 Karina é uma mulher que nasceu cercada de riquezas, mas que viu sua vida mudar completamente depois de uma noite trágica e de um segredo que uniu seu destino ao de Gabriel — um homem simples, trabalhador, orgulhoso e cheio de princípios, muito diferente de tudo o que ela conhecia. Entre brigas, mal-entendidos e um passado que insiste em voltar, eles são obrigados a conviver e até mesmo selar um acordo de casamento, apenas para proteger o filho que amam mais do que tudo. Mas o que parecia uma solução prática acaba despertando sentimentos que juravam não existir: desejo, mágoa, e um amor que cresce escondido, enquanto cada um luta com seus próprios erros, suas escolhas e as pessoas que querem separá-los. Enquanto Karina tenta equilibrar seu orgulho e sua verdadeira vontade, Gabriel vive dividido entre a lealdade a quem ama e o instinto de proteger sua família. E no final, o destino vai cobrar o seu acerto de contas — com o passado, com os erros e com o coração.
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Autora: Edivania Rios História ambientada entre 1990 e 1998 Protagonistas: Karina e Gabriel Todos os direitos autorais reservados à autora citada acima. Qualquer uso parcial ou total sem autorização será considerado crime virtual e/ou de violação aos direitos autorais. LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998. Capítulo 1 Karina narrando… Hoje faz oito anos daquela maldita noite. Não sei qual foi a ideia do Luan de fazer aquela festa na casa dele — lembro-me apenas de estar com o copo cheio daquele líquido avermelhado, e depois disso tudo pareceu se embaralhar na minha cabeça. Acho que todo mundo acabou dopado, e foi no ano de 1990 que acordei nos lençóis do meu maior inimigo. O pior é que não esqueci de nada: lembro dos nossos corpos suados, dos beijos, de cada toque. Minha pele ainda guarda a lembrança, meu corpo ainda reage de um jeito que eu tento a todo custo reprimir. Luan dizia ser muito amigo de Gabriel, mas a verdade é que eu, Paulo e ele armamos várias armadilhas para vê-lo cair. Uma delas foi empurrá-lo dentro de um buraco quando ele voltasse da escola — na época, parecia necessário, pois algo naquele rapaz sempre me incomodou profundamente. Naqueles anos, Gabriel e a namorada dele, Clarisse, só viviam rindo de mim. Como eu era rica e andava sempre bem arrumada, diziam que eu era metida; as meninas puxavam meu cabelo, cortavam minhas roupas, e ele só ficava ali, olhando e rindo junto com elas. Foi apenas uma noite! Quando ele acordou de manhã, estava furioso e magoado, e Clarisse viu tudo — fiquei sabendo que ela também ficou arrasada. Ele fez de tudo para que ela o perdoasse, e até hoje continuam juntos. Por um tempo, ela morou conosco, e foi um verdadeiro suporte ter que aturar os dois depois do que aconteceu entre mim e ele. Um mês depois, descobri que estava grávida. Nove meses depois, nasceu o meu filho Allan, com quase quatro quilos e muita saúde. No começo, não aceitava carregar o que achava ser um fruto maldito — hoje sei que ele é a minha maior bênção. O próprio Gabriel também não ficou feliz em ser pai do meu filho, mas foi ele quem tirou a minha virgindade; depois de pensar muito, resolveu assumir a criança. Tudo isso aconteceu bem no início da década de 90. Nós, jovens daquela época, vivemos um tempo de tantas mudanças, de cores e sons novos… e hoje já estamos em 1998. Combinamos de criar nosso filho cada um na sua cidade: ele ficou morando na nossa casa até o Allan nascer, depois se mudou para Poço Fundo, a cerca de meia hora de onde eu moro, em Salvador. Fico quatro dias com o menino, ele fica três — assim nos evitamos, e até hoje esse acordo deu certo. Hoje chegou um bilhete do senhor Marreco: diz que posso ser uma das herdeiras do seu testamento, mas com uma condição: viver sob o mesmo teto com as outras pessoas escolhidas, por quatro anos. Ainda vou decidir… mas será que eu consigo? Estou agora na empresa do meu avô, fazendo de tudo para salvá-la. Sempre fomos de classe média alta, já fomos milionários, mas ele acabou perdendo quase tudo, e hoje temos muitas dívidas. Por isso talvez valha a pena enfrentar os meus fantasmas do passado. Tenho vinte e oito anos, mas pareço ter apenas vinte e quatro — ainda jovem, mas carregando uma história enorme dentro de mim. A ideia não me agrada nem um pouco… pois tenho certeza de que o meu inimigo também vai estar lá. Será que o senhor Marreco quis juntar todas essas peças de propósito? Será que isso é um teste, um jogo? O telefone fixo tocou, cortando meus pensamentos. — Alô? — Karina? Sou eu, o Paulo. — Claro que reconheço! Quem não conhece essa sua voz de gafanhoto? — falei brincando, mas sabia muito bem quem era; afinal, morei muito tempo perto de vocês. — Então, Karina… eu vou para a casa. O Luan também vai. — A minha preocupação não é com vocês — respondi de vez. — Vocês são meus amigos. O que me preocupa é o pai do Allan. Mas tomei uma decisão: vou sim. Peguei meu filho, arrumei minhas coisas e parti — resolvi enfrentar tudo o que me dá medo, para não acabar na miséria. Chegando lá à tarde, encontrei todos: Luan, Paulo e Clarisse… só Gabriel não estava. Allan correu até ela, ansioso: — Cadê o papai? Ele veio? — Ele resolveu não vir — respondeu ela, seca e sem demonstrar mais nada. Fazia oito anos que eu não via Clarisse nem Gabriel. Cada um seguiu o seu caminho; só mantive contato com Paulo e Luan, pois eu e Gabriel conseguimos dividir a guarda do menino sem precisar nos encontrar. — Que pena… — sussurrou Allan, cabisbaixo. Clarisse me olhou e fechou a cara imediatamente. Dava para ver que os dois se amam de verdade — nem uma gravidez, nem um erro, nem a distância conseguiram separá-los. Isso sim é amor de verdade. Meu filho já tem sete anos, e é a paixão da vida de Gabriel, disso eu não tenho dúvida. — O meu quarto ainda é o mesmo de antigamente? — perguntei, tentando mudar de assunto. — Nossa, Karina! O dono reformou tudo inteiro! — explicou Paulo. Puxei os dois de lado: — Então ela veio, mas ele ficou? Os dois se olharam e riram de um jeito que não me agradou. — Parece que sim — disse Luan. — O dinheiro falou mais alto do que o amor que ele dizia ter por ela. — E ele que vivia grudado nela, correndo atrás o tempo todo… — falei, sem acreditar no que ouvia. — E mesmo amando tanto o filho, não foi suficiente para ele aparecer — completou Luan. — Gabriel é capaz de passar por cima de amizade, de tudo… imagina só de um filho. Olhei para ele sem crer no que ouvia. Comparar o amor de um pai ao amor de uma amizade? Não respondi, não quero brigar, mas percebi que essa rixa que Luan tem contra Gabriel vai muito mais longe do que eu imaginava. — Deixa ele pra lá, Luan — interferiu Paulo, tentando acalmar. — Você venceu. Você é professor, ele é só pedreiro. Mostra que você sempre foi e continua sendo melhor. Deixei os dois ali discutindo e fui ver o meu quarto. Realmente estava tudo novo, pintado, arrumado como nunca antes. Meu filho vai dormir comigo, e eu vou aguentar esse desafio — por nós dois, para não cairmos na miséria. Luan já tentou várias vezes me conquistar, mas com ele eu só tive momentos de desejo, nunca me entreguei de coração. Ele trata o Allan como se o menino não passasse de um detalhe, apenas o que me liga a Gabriel — e isso dói muito em mim, pois eu amo o meu filho mais do que qualquer homem no mundo. Mesmo ele dizendo que o menino não é nenhum problema, eu não consigo acreditar de verdade, e tenho medo que alguém possa lhe fazer mal. Gabriel realmente não veio. E eu sei muito bem o porquê: desde sempre ele me tratou como rival, nunca me cumprimentou direito, vivia agarrado na namorada e ria quando eu sofria na escola. Luan diz que foi traído por ele, coisa que eu não sei se posso crer… mas a verdade é que antigamente nós três armamos tantas armadilhas contra ele — e hoje me arrependo de algumas, principalmente daquela do buraco, que o deixou sem poder andar por uma semana e fez com que Clarisse tivesse que cuidar dele o tempo todo. Agora estou aqui, de volta ao lugar onde tudo começou, pronta para encarar o que vier pela frente.Acerto de ContasAutora: Edivania RiosTodos os direitos reservados – LEI Nº 9.610/98História ambientada entre 1999 e 2000Protagonistas: Karina e GabrielCapítulo 38Gabriel narrando…Cheguei em casa e vi que não tinha ninguém. Estranhei — todos os dias os três me esperam assistindo televisão. Comi rápido e encontrei um bilhete da Karina: Estou na praia aqui perto com as crianças, vim ver o sol se por com eles.Saí andando para lá. Vejo ela cada dia melhor na cozinha, fazendo os cursos que queria. E eu já não me sinto mais inútil: agora sei que posso ajudar em tudo.Caminho sozinho pela areia, mas meu coração bate forte, sabendo quem me espera. Quando nossos olhos se encontram, sinto que cheguei ao meu lugar. Corro até eles, pego o Allan e encho ele de beijos, depois pego a Melissa do colo dela e beijo muito a minha esposa. Ficamos ali, os quatro, calados, só olhando o entardecer.— Gabriel, essa praia é tão bonita… — disse ela baixinho. — Será que o ano que vem vai ser melhor que 9
Acerto de ContasAutora: Edivania RiosTodos os direitos reservados – LEI Nº 9.610/98História ambientada entre 1999 e 2000Protagonistas: Karina e GabrielCapítulo 47Karina narrando…Ver Gabriel arrumando a nossa casa me enche de uma alegria que não cabe no peito. Finalmente temos o nosso cantinho, aqui nos Estados Unidos, e cada detalhe é o começo de uma vida nova.Três meses depois…Tudo está caminhando tão bem. Já estamos instalados há tempo, e as minhas empresas cresceram: se transformaram em uma franquia só, pizzaria, restaurante e padaria, tudo unido e funcionando melhor do que eu sonhei. Minha mãe disse que foi a melhor escolha que eu fiz. Meu avô ligou chorando quando descobriu onde eu estava.Ele acabou dando trabalho para aqueles três: Clarisse agora namora um tal de Cristian, parece que não deu certo com o Paulo. O avô diz que fica de olho no Luan por minha causa, mas eu não ligo mais para o que eles fazem. O Paulo, que queria mal ao meu filho, agora está com uma mulher q
Acerto de ContasAutora: Edivania RiosTodos os direitos reservados – LEI Nº 9.610/98História ambientada em 1999/2000Protagonistas: Karina e GabrielCapítulo 46Gabriel narrando…Graças a Deus chegamos bem aos Estados Unidos. Meu pai já está nos ajudando em tudo, e estamos correndo atrás do lugar certo para Karina instalar os seus negócios. Eu serei o contador dela de vez em quando, mas quero mesmo é trabalhar ao lado do meu pai: fazer artesanato, esculturas em madeira, e quando ele tiver obras maiores, ajudo em tudo. Quero que o Allan aprenda esse ofício também — um dia tudo isso poderá ser dele.Mais tarde…Conseguimos o espaço para as empresas dela, a vaga na escola do menino e a creche para a Melissa. Não vou sobrecarregar a minha mãe com as crianças.Já é noite, e vejo Karina ali com os cabelos longos ao vento.— Agora vamos comprar a nossa casa, Gabriel.— É verdade, minha vida — me arrependi de ter esquecido desse detalhe, foi um dia tão cheio. — Perdoa, hoje resolvemos tanta
Acerto de ContasAutora: Edivania RiosTodos os direitos reservados – LEI Nº 9.610/98História ambientada entre 1999 e 2000Protagonistas: Karina e GabrielCapítulo 45Karina narrando…Hoje vou até a casa do meu avô. Quero falar poucas palavras, me despedir em silêncio e fechar esse ciclo de uma vez por todas.Mais tarde…Cheguei e fui direto ao corredor do escritório, o lugar que ele mais gosta. Ouvi o som dos chinelos batendo devagar no chão amplo. Lá dentro, tudo decorado com objetos antigos: armadura, escudos, três espadas expostas… ele sempre teve dinheiro de sobra, e mesmo assim me roubou. Quantas outras coisas mais ele terá feito? Pensei enquanto olhava ao redor, até meus olhos pararem num vaso tão delicado que parecia quebrar só de olhar muito para ele.Ele apareceu ali. E mesmo com toda a raiva que sentia, lembrei de como ele me criou como uma princesa. Meus pais nunca me deram carinho, mas ele… ele sempre esteve lá.— A ingrata resolveu aparecer — disse com aquela soberba de
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