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Autora: Edivania Rios Todos os direitos reservados – LEI Nº 9.610/98 História ambientada entre 1990 e 1998 Protagonistas: Karina e Gabriel Capítulo 8 Gabriel narrando… — Me desculpa entrar assim no seu quarto, Karina. Eu vim porque você entrou aqui calada e não falou com ninguém, achei estranho. — E eu sou obrigada a ficar dando explicação? Ah, já entendi — ela fez aspas com os dedos, cheia de ironia. — Para eu não ser a “riquinha mimada” como você vive me chamando, não é mesmo? Tenho que ser doce e educada igual a sua namorada, ou talvez eu nem saiba direito o que somos nós. Agora sai daqui imediatamente, eu não quero que você tenha essa liberdade de entrar no meu quarto quando quiser, seu idiota. Eu fiquei ali parado olhando para ela: toda linda, só de calcinha e sutiã, parecia uma modelo das revistas que a gente via na banca. Que mulher bonita! Fiquei doido de vontade, o meu lado de homem falou mais alto do que qualquer razão. — Por que você esconde toda essa beleza do mundo? — perguntei, com a voz rouca de desejo. — Sai daqui, Gabriel, não quero graça nenhuma com você — ela tentou me empurrar para longe. Cheguei mais devagar, com todo o cuidado, porque o desejo já estava me dominando por completo. — Posso te beijar? Estou te desejando muito, Karina, há muito tempo. — Não pode me beijar não! Você está com baba de serpente, beijou a cobra e agora vem aqui querendo me beijar também — rebateu ela, seca como sempre. Comecei a rir baixo. — Então eu lavo a boca direitinho! — Corri até o banheiro, lavei bem a boca e voltei rápido. Não ia deixar essa oportunidade passar, o meu corpo estava todo agitado, e ela é bela demais para qualquer um resistir. — E você vai trair a sua namorada? — perguntou ela, me olhando firme nos olhos. — Mas a minha noiva é você — respondi direto, sem enrolação. — Ah, claro! Então a chifruda sou eu, as coisas mudaram de lugar, né? — ela fechou a cara de vez. — Sai daqui, não quero mais nada com você. Vai arrumar outra trouxa para você brincar. E fique sabendo: a empresa do meu avô voltou a crescer, eu vou voltar para a casa dele e para o trabalho também, vou ter o meu conforto de novo. Mas já que vamos casar e você vai continuar tendo a sua amante às escondidas, eu não vou contar para ele quem é você — esse relacionamento me envergonha muito. — Então se for assim não vai precisar a gente casar. Nós combinamos muito bem só como pai e mãe do nosso filho — falei, sentindo o coração apertar. — Olha lá, você que sabe — respondeu ela, virando o rosto. — Eu não vou entrar num jogo que eu já sei que vou sofrer no final. Nesse mundo de hoje a gente ouve tudo, sente esse desejo que b**e forte, mas quando se envolve com esse tipo de homem, acaba pagando muito caro para sofrer depois. — Por que você iria sofrer? — aproximei mais dela, usando todo o sentimento que eu tinha. — Ou por que não aproveita o momento, se os dois estão sentindo o mesmo? — Ah, Gabriel… mesmo que o casamento seja só de aparências, mesmo que a gente não tenha nada de verdadeiro um com o outro, ninguém gosta de ser feita de boba, de ser chifruda — disse ela, com toda a sinceridade do mundo. — Então realmente não vai dar certo entre nós, Karina. — Pois é. — Então pelo menos vamos fazer um sexo gostoso, sem compromisso nenhum, sem promessas. Vou te mostrar o que é bom de verdade — falei, e antes que ela pudesse responder, a puxei para mim com todo o desejo que estava guardado. Apertei ela contra o meu peito, senti ela começando a se entregar, aquele gemido baixinho que só eu sei arrancar dela… ah, que som maravilhoso! — Gabriel, isso está muito errado — tentou dizer ela, mas já estava sem força para me empurrar. — Não tem nada errado, são só dois corpos que se querem há muito tempo — respondi, e comecei a tirar a roupa dela devagar. Nossa, que mulher perfeita! Coloquei a mão dela no meu corpo, ela abriu a boca de surpresa e me beijou ferozmente, como se fizesse anos que ninguém a tocava do jeito que ela merece. — Me faça sua mulher… que loucura é essa de você me tocar assim, que maravilha! — ela sussurrou contra a minha boca. Gostei muito de ouvir aquilo. Mostrei para ela tudo o que eu sentia, queria que ela soubesse cada coisa que ia sentir. Beijei, lambi os seus seios maravilhosos, fui fundo, senti ela estremecer toda nos meus braços. Estimulei cada ponto que a fazia sentir prazer, bati com o jeito certo, ela começou a gritar de prazer — peguei a blusa dela e coloquei na boca para ela morder, para o nosso filho não ouvir nada do outro lado da porta. Também cuidei de cada detalhe, queria que ela soubesse o que é gozar de verdade, de todos os jeitos possíveis. — Põe esse pano na boca, meu amor… mas quero ver você se dobrar de tanto prazer comigo — falei bem baixinho no ouvido dela. — Gabriel, temos que usar camisinha — lembrou ela, ainda ofegante, meio perdida no sentimento. — Depois você toma a pílula do dia seguinte, não vai ter problema nenhum — respondi, sem parar de acariciar ela. — Está bem — concordou ela, quase num sussurro. Terminamos os dois juntos, ofegantes, suados e satisfeitos como nunca. — Você sempre usa camisinha com todos, Karina? — perguntei depois, enquanto nos recuperávamos ali deitados. — Claro, Gabriel. E eu devo perguntar a mesma coisa: e você? — Eu só transo com a Clarissa — respondi sincero, sem mentir. — E por que ela ainda não engravidou? — Porque ela não pode ter filhos — falei baixo, quase triste. — Sinto muito… então é por isso que o meu filho nunca teve um irmão, e pelo jeito não vai ter mesmo — disse ela, com pena na voz. — Pois é. Um dia eu quero adotar uma criança com ela, e você um dia quem sabe encontra alguém que te ame de verdade e também forma a sua família — falei, sentindo uma confusão enorme dentro de mim. Ela ficou me olhando por um instante, se vestiu devagar e saiu do quarto sem dizer mais nada. Quando cheguei na sala, a Clarissa estava me esperando com a cara fechada, cheia de raiva e mágoa. — Onde você estava, seu infeliz? — Estava com a minha noiva. E sim, eu fiz amor com ela — falei antes que ela pudesse perguntar ou adivinhar. Até eu não me entendo direito: uma hora penso em construir uma família com a Clarissa, outra hora estou aqui com a Karina, vivendo tudo isso como se não houvesse amanhã. — Você é um monstro, Gabriel — disse ela, com os olhos cheios de lágrimas. Deixei ela falar, não tinha nenhuma defesa para o que eu tinha feito. Um mês depois… Estou aqui com a Clarissa, ela me perdoou e eu terminei tudo o que tinha ficado com a Karina. Aluguei uma casa pequena mas arrumada aqui na cidade para morarmos só nós dois, e a Karina voltou a morar na casa do avô dela. O nosso filho fica um tempo comigo, um tempo com a mãe, como combinamos. A Karina não fala mais comigo, e eu sinto muita falta — porque o que tivemos na cama foi maravilhoso, ninguém nunca vai fazer ela gemer e estremecer do jeito que eu fiz. Mas eu estou tentando ser feliz com a Clarissa, estamos vivendo bem, tentando reconstruir tudo. — Gabriel, o seu filho pelo jeito gostou muito da riqueza da casa da mãe — disse a Clarissa um dia, meio triste. — Já faz uma semana que ele não aparece aqui. — Vou dar um jeito de saber por que ele não veio. Vou comprar um telefone fixo para poder ligar para eles quando precisar — respondi, pensando em como as coisas eram nos anos 90. — Por que não compra logo um celular? — sugeriu ela. — Vou ver, se for mais vantagem e mais fácil, compro mesmo — falei, sabendo que ainda era coisa nova e cara por aqui. Mais tarde fui até a casa grande do avô da Karina. Os empregados me deixaram entrar, mas disseram que a Karina estava doente — agora entendi por que o menino não apareceu. Fui levado até o quarto dela, e como já era tarde, o nosso filho já tinha voltado da escola, pois ele estuda de manhã cedo. A empregada bateu na porta devagar, e foi o menino quem abriu. — Papai! Que saudade que eu estava do senhor… mas a mamãe está muito doente. — Posso ver ela rapidinho, filho? — Espera um pouco, vou perguntar para ela — ele disse, e virou para dentro do quarto: — Mamãe, o papai está aqui na porta. — Vai com ele, filho — ouvi a voz dela, fraca e dura como pedra. Entrei devagar no quarto e vi ela: branca como papel, parecendo muito abatida. — Sai daqui, idiota! Leva o Allan contigo e ensina ele a fazer o dever direito — falou com toda a rispidez, sem me deixar chegar nem um passo mais perto. Fiquei assustado com a forma como ela me tratou, mas obedeci. Saí com o menino pela mão, e a empregada arrumou a mochila dele rapidinho. Sinceramente, fiquei com muita dó da Karina — a patricinha está sofrendo muito, mas não quer dar o braço a torcer de jeito nenhum. A gente poderia ao menos ser amigos, temos um filho para criar juntos… mas parece que ela não quer nem saber de mim de jeito nenhum.






