Mundo de ficçãoIniciar sessãoEm meio ao caos de um atentado no Aeroporto de Madri, Matteo Giordano — um empresário italiano poderoso, acostumado a controlar cada detalhe da própria vida — luta para permanecer acordado enquanto o sangue e a dor ameaçam apagá-lo. O que o mantém ancorado é a voz calma de uma médica desconhecida, que segura sua mão e o guia, com firmeza e compaixão, até a chance de sobreviver. Duas semanas depois, ele desperta no hospital sem documentos e exigindo discrição absoluta: ninguém pode saber quem ele é, nem onde está. Determinado a agradecer à mulher que o salvou, Matteo mobiliza seu motorista e segurança, Javier, para encontrá-la apenas por um sobrenome comum — Gonzalez — e pela lembrança inconfundível daquela voz. Do outro lado está Carmen González, cirurgiã ferida por uma traição: o ex-namorado Pablo a deixou por Martina, sua prima, A família a pressiona a engolir a humilhação. Quando Matteo finalmente a encontra no Hospital San Gerónimo, o reencontro acontece sob tensão; Carmen o reconhece, mas, antes que qualquer explicação se complete, Pablo invade o consultório e expõe o passado dela. Para protegê-la — e, ao mesmo tempo, garantir a própria recuperação e manter em andamento uma fusão empresarial decisiva — Matteo improvisa uma declaração explosiva: apresenta-se como noivo de Carmen. A mentira vira proposta formal: ela será sua médica, vivendo em sua cobertura e liderando seus cuidados; em troca, ele sustentará a farsa do noivado diante da família dela. Presa entre a necessidade de recomeçar e o risco de se envolver com um homem intenso e misterioso, Carmen aceita o acordo que pode libertá-la… ou prendê-la a um jogo de aparências perigoso. Entre interesses, segredos e sentimentos cada vez mais difíceis de disfarçar, um contrato começa a se transformar em algo que nenhum dos dois planejou.
Ler maisMatteo Giordano
— Senhor! Fique comigo, não feche os olhos, está bem!
O som de zumbido em meu ouvido ecoava em minha cabeça. Eu tentava manter meus olhos abertos, mas as inúmeras dores que sentia naquele momento me impediam de sequer raciocinar.
Eu estava no Aeroporto de Madri, havia acabado de desembarcar de um voo vindo da Itália. Não era para mim estar ali, mas as coisas deram erradas nas últimas horas. Muito erradas.
— Consegue me ouvir? Por favor, fique comigo, ok!
Ouvi mais uma vez aquela voz doce que de alguma forma me trazia paz e uma segurança que não sabia explicar, mas precisava sentir em meio aquele caos.
— Se estiver me ouvindo, tente apertar a minha mão, sim? Estamos te enviando para o hospital mais próximo.
Eu não conseguia ver o rosto dela. O cheiro de sangue significava que eu estava bastante ferido e o sangue em meu rosto, tomando meus olhos me impediam de enxergar nitidamente. Havia um grande tumulto ao redor e eu tentava organizar a mente e entender o que aconteceu.
Tentei apertar a mão dela com toda a força que me restava. E não eram muitas. Me sentia zonzo e franco.
— Que bom que está me ouvindo. Tente manter os olhos abertos. Vai ficar tudo bem, mas você precisa ficar acordado até chegar ao hospital.
O barulho da sirene me deixa ainda mais atordoado. Ela tenta soltar minha mão e eu não a deixo.
— Vai ficar tudo bem, senhor! Eles vão te levar ao hospital e entrar em contato com a sua família. Você vai sobreviver.
Continuei segurando sua mão como se fosse a única forma de me manter vivo. Minha última esperança.
— Você precisa sair da ambulância, senhorita — uma voz masculina se aproxima e pede para ela sair.
— Dra. Gonzalez... — ela falou para o homem que a mandava sair de perto de mim
— Você não faz parte da nossa equipe, doutora. Precisamos levá-lo logo. Está muito ferido. Obrigada pelo que fez até agora com os primeiros socorros.
Eu continuo apertando sua mão. Não consigo falar ou me mexer. Ela não pode me deixar aqui sozinho.
— Tudo bem! Você vai ficar bem, ok? — Fala baixinho próximo ao meu ouvido. — Eu preciso ajudar outras pessoas e eles vão cuidar bem de você.
Ele solta a minha mão e de repente me vejo caindo em um vazio. Um precipício sem fundo e infinito...
...
O barulho do bip dos aparelhos daquele quarto de hospital eram um incomodo a mais além das dores que sentia em cada pedaço do meu corpo. Acordei e senti o cheiro forte de antisséptico e produtos de limpeza.
Há quanto tempo eu estava ali? Será que o meu avô já está sabendo do que aconteceu comigo. Que eu estava ali? Eu mesmo preciso entender o que aconteceu. Tudo ainda está confuso em minha cabeça.
— Olá! Que bom que acordou — a enfermeira que estava verificando meus sinais vitais percebeu que eu estava acordado.
— Onde ela está? — lembrei dela. Da voz doce que me trouxe paz naquele inferno.
— Ela quem, senhor? — a enfermeira pergunta, confusa. — Estamos esperando o senhor acordar e nos informar a quem devemos avisar que está aqui. Não havia nenhum documento com o senhor quando foi resgatado.
— A mulher que... — me lembrei que não fazia a menor ideia de quem ela era. Nem o seu rosto eu havia visto.
— Tinha alguém com o senhor no aeroporto? — ela parecia preocupada agora — aquele lugar ficou um caos. Essa pessoa também pode estar ferida. A maioria veio para esse hospital. Posso procurar saber.
— Não. Eu estava... sozinho.
— É bom vê-lo acordado. Vou chamar o médico e avisar que você finalmente acordou.
— Há quanto tempo estou aqui? — uma sensação estranha me percorreu o corpo só de imaginar que poderia ter morrido.
— Há duas semanas. Seus ferimentos foram bastante graves. O Dr. Ortega vai explicar tudo. Vou chamá-lo.
Ela sai do quarto e eu fico ali, preso aquela cama e aos meus pensamentos. Fechei os olhos e tentei trazer a memória tudo o que aconteceu até aquela explosão.
O doutor Ortega veio até o meu quarto minutos depois que a enfermeira saiu para informá-lo que acordei do coma.
— Bom dia! — ele me cumprimenta assim que entra no quarto e me vê acordado. — Sou o doutor Mário Ortega. Tenho acompanhado o seu quadro desde que chegou aqui.
— Obrigado, doutor — minha voz saiu franca, mas consistente. — Como estou agora? Quando vou poder ir pra casa?
— Bem, o seu quadro clínico está estável, mas ainda precisa de muitos cuidados. Tivemos que fazer duas cirurgias: no ombro direito para não perder os movimentos do braço e outra no abdômen de onde precisamos tirar vários estilhaços.
Ele me olhou por alguns segundos e fez uma pergunta que me fez congelar.
— O senhor lembra quem é? Qual o seu nome? Não conseguimos o identificar e esperávamos que acordasse para podermos avisar sua família.
— Ninguém me procurou? — quis saber e ter certeza de que meu avô não teve que lidar com isso.
— Você não estava com nenhum documento nas roupas. Nem celular ou qualquer coisa que nos desse uma pista de quem poderia ser ou a quem procurar.
— Minhas malas? O que aconteceu lá no aeroporto?
— Tivemos um atentado terrorista. O aeroporto foi quase todo destruído sobrou pouco pra se recuperar. Tivemos muitas vítimas. Você... teve sorte.
— Preciso de um celular. Posso usar o seu? Vou chamar alguém que irá resolver tudo no hospital. Preciso de discrição. Ninguém pode saber quem eu sou e que estou aqui.
Ele tira o aparelho de celular do bolso, desbloqueia e me entrega.
— Seu caso ainda precisa de cuidados. Se for exigir sair daqui para algum lugar onde tenha descrição, irá precisar de uma equipe médica para acompanhá-lo de perto. A cirurgia no abdômen foi bastante delicada.
— Tudo bem. A pessoa que virá aqui vai providenciar tudo o que for necessário.
Ele sai do quarto, me deixando sozinho para fazer a ligação que preciso. Digito o número da pessoa em quem mais confio nesse momento. Ele atende no terceiro toque.
— Javier... sou eu, Matteo.
“Senhor, onde você está? Minha virgem do Carmo! Que alívio ouvir sua voz, senhor Matteo” — ele parece surpreso e emocionado em me ouvir.
— Preciso que venha até aqui. Estou no Hospital Santa Isabel de Madrid — identifiquei o lugar através das etiquetas dos equipamentos e crachás do médico e enfermeira.
— Salve esse número. É do médico responsável por mim no hospital. Chama-se Doutor Mario Ortega. Procure somente a ele... — faço uma pausa para reunir os pensamentos — Javier, ninguém pode saber que estou aqui.
“Seu avô tem ligado com frequência, senhor. Como me avisou que iria viajar para descansar e não queria ser incomodado, eu achei que deveria dizer o mesmo a ele. Mas quando não deu notícias todos esses dias comecei a ficar preocupado.”
Ele fez silencio por alguns segundos.
— Se ele ligar novamente continue dizendo que estou viajando e não quero ser incomodado. Venha resolver minha situação no hospital. Estou aqui como um indigente, sem documentos e identificação.
— Você sabe onde está tudo o que é necessário. Tem acesso ao cofre, pegue tudo o que precisa e venha o quanto antes.
“Sim, senhor. Que bom que está de volta. A empresa está um caos sem o senhor.”
No final do dia o Javier apareceu no hospital. Trouxe toda a documentação para me registrar legalmente, com total sigilo e organizar uma possível transferência.
— Doutor Ortega, preciso saber se existe alguma doutora González aqui neste hospital — eu precisava agradecer aquela a mulher que me manteve vivo. A voz dela não me saia da cabeça.
— Não tenho conhecimento de nenhuma de nossas médicas com esse sobrenome, ainda que seja muito comum. Por que quer saber? Alguém esteve aqui e deu esse nome?
— Não doutor. Obrigada por tudo o que fez por mim. Serei transferido para casa em dois dias e estou contente por isso.
— Também estamos muito felizes por você, senhor Giordano. Sua recuperação está sendo muito boa, mas terá mais êxito com acompanhamento certo. Logo poderá voltar para algumas de suas rotinas.
Ele então sai do quarto e me deixa sozinho com o Javier.
— Preciso que faça uma coisa pra mim — digo para o meu motorista e segurança.
— O que precisar, senhor.
— No aeroporto, fui socorrido por uma médica de sobrenome “Gonzalez”. Não sei como ela é. Só ouvi sua voz. Se não fosse por ela, eu não estaria vivo. Preciso agradecê-la.
— Médicos servem para isso, senhor...
— Quero que a encontre. Ela fez muito mais que salvar minha vida... ela, de alguma forma, me deu esperança.
— Vasculhe todos os hospitais dessa cidade e a encontre.
— Mas como vou saber quem é ela? Esse sobrenome é muito comum aqui, senhor Matteo.
Penso em como saber quem á ela se não sei o nome, apenas o sobrenome e a profissão.
A voz.
— Dê um jeito de gravar a voz de todas as doutoras González que encontrar e me traga até aqui. Se eu ouvir aquela voz outra vez vou saber na mesma hora.
— Farei isso, senhor. Mas tem algo que deve saber.
— O que foi? — pergunto já apreensivo com alguma possível notícia sobre o processo da fusão ter dado errado — alguma coisa com a fusão. Alguém desistiu?
— Ainda não, senhor. Mas estão dizendo que se não aparecer até o final da semana ela poderá ser cancelada. E... o seu avô, ele também avisou que está vindo com o seu irmão no fim de semana.
Era só o que faltava. Encarar meu irmão novamente, depois de tudo e ainda ter que me explicar para o vovô.
Dois dias depois o Javier retorna com novidades.
— Senhor Matteo, trouxe algumas gravações de vozes para o senhor analisar. A dois dias que fico de hospital em hospital procurando essa tal doutora Gonzales. Aqui está o que consegui.
Ouvi um monte de áudios de conversas aleatórias que o Javier conseguiu em suas andanças com a missão de encontrar a doutora misteriosa.
Já estava impaciente e prestes a desistir quando meu coração disparou ao ouvir aquele som doce novamente
“... Vou tentar, Isabel. Só preciso ter coragem pra resolver minha vida. Agora já posso ir? Tem mais alguma coisa pra assinar?...”
“...Não quero te incomodar por mais tempo, amiga. Já protelei demais e preciso encarar minha realidade. Só precisava recarregar as energias longe daquela situação...”
— É ela. É a voz dela, Javier. Onde conseguiu gravar isso?
— Essa eu consegui ontem, chefe. Ela é cirurgiã no Hospital San Gerónimo.
— Marque uma consulta com ela. Se não conseguir, me transfira a ligação para a administração do hospital, eu preciso encontrá-la o quanto antes. Ela será a minha médica particular.
Carmen González O que eu estava fazendo? Eu, uma médica, ali para cuidar de um paciente, me derretendo inteira apenas com o toque daquele homem que deveria estar moribundo. Para onde eu estava levando a minha mão? — Sr. Matteo... — tento me concentrar no meu dever para escapar daquela armadilha sensorial. — Esquece o "senhor". Me chama de Matteo... — Ele sussurrou, a voz carregada de uma urgência sombria. — Não tira a mão, por favor. Continua o que ia fazer. — Isso é loucura. Você não pode fazer esforço, seus pontos podem abrir... A mão dele subia pela minha perna, os dedos possessivos apertando minha carne, subindo em direção à minha bunda. Senti meu corpo incendiar. O ar-condicionado no mínimo era incapaz de resfriar o calor que emanava de onde ele me tocava. — Continua a mover sua mão, Carmen. Você está me deixando maluco com essa sua boca, seu corpo, essa pele... Ele subiu a mão e deu um aperto firme e luxurioso na minha bunda, cravando os dedos. Tentei resgatar a razão, ma
Eu aguardava ansioso pela resposta dela. Aquela tensão toda estava me deixando com dores no ombro e meu abdômen também começou a incomodar. — Por favor — eu me sentei devagar a poltrona em frente a sua mesa. — Preciso que o meu segurança vá até o carro pegar meus remédios. Estou sentindo dores e está na hora de tomá-los. — Deus! Eu imagino o quanto toda essa tensão pode ter provocado desconforto em você — ela vem pra perto e o seu cheiro me faz fechar os olhos e pensar como seria encostar naquela pela branca e suave dela. — Vou pegar água pra você tomar... — Não! — eu seguro as mãos dela e volto a ter a lembrança e o mesmo conforto que senti no aeroporto — fique aqui. Eu vou ligar e ele traz o remédio e a água. — Senhor... quero dizer, Matteo. Isso não faz o menor sentido. — Pra mim, faz todo o sentido. Você trabalha pra mim, cuida dos meus ferimentos e eu te ajudo com seu ex babaca. Ela solta minha mão e eu volto a ter aquela estranha sensação de vazio. Vejo sentar-se em s
Carmen González Meu Deus! O que foi isso que acabou de acontecer? Estou paralisada diante da dinâmica do acabei de ouvir no meu consultório. — É melhor você sair daqui, Pablo. Esse é o meu lugar de trabalho. Não tem o direito de vir até aqui e fazer esse escândalo todo. — Consegui falar contendo a vontade de chorar de tanta vergonha. — Que história é essa de noivo? Você até ontem nem tinha namorado — Pablo diz em tom de deboche e eu sinto vontade de dar na cara desse ididiota. — Desde quando eu te devo satisfação, Pablo. Você nunca me deu isso nem quando estávamos juntos, por que me cobrar isso agora? — retruco. Meu ex parece não se conformar que posso me dar bem em algum momento e isso me acende um alerta. Minha família de diverte e se satisfaz em me ver infeliz ou mal? — Não ouviu o que a Carmen falou? — o meu paciente, que acabou de me colocar em uma roubada insiste com o Pablo. — Eu vou embora. Mas você não vai ficar sem dar uma explicação sobre essa história de noivo.
Matteo Giordano Recebi alta do hospital, mas o Doutor Ortega deixou claro os cuidados que vou precisar em casa e assim que sai, segui direto para o Hospital San Gerónimo onde o Javier havia marcado a consulta com a doutora González. — O senhor tem certeza do que vai fazer, patrão? — meu motorista metido, pergunta me olhando pelo retrovisor. — E qual o problema em contratar uma médica exclusiva? Você mesmo a ouviu dizer que precisa de um outro trabalho. Vou oferecer esse trabalho e bem remunerado. O trânsito em Madri nesse horário da tarde é intenso. O barulho das buzinas e motores dos veículos tem me causado um certo desconforto após a explosão no aeroporto. — O senhor pode contratar apenas uma equipe de enfermeiros e auxiliares. — Há muito tempo não me sentia tão bem perto de outra pessoa, de uma mulher. Depois do que passei com a Elena não quis arriscar viver outra dor como aquela. Aquela mulher brincou com meus sentimentos como se eles não existissem. E agora quer fazer pa





Último capítulo