Seis meses se passaram quase sem que percebessem.
O tempo não curou nada — apenas ensinou os dois a disfarçar melhor.
Para Marina, a situação tornara-se sufocante. Amar em silêncio era como viver com o peito permanentemente comprimido, como se o ar nunca fosse suficiente. Todas as manhãs ela acordava com a mesma resolução: seria apenas profissional, contida, correta. E todas as manhãs essa promessa se quebrava em pequenos deslizes — no olhar que demorava mais do que devia, na atenção excessiva, no cuidado quase íntimo disfarçado de eficiência. Fingir que não sentia nada por Kaito exigia uma força que a deixava exausta.
Houve dias em que Marina chegou a considerar pedir demissão. A ideia de se afastar parecia, por instantes, a única saída para estancar aquela dor silenciosa. Mas bastava pensar nas contas, nos boletos acumulados, no sufoco que havia vivido após sair da cafeteria, para a realidade se impor com dureza. Ela não podia se dar a esse luxo outra vez. E, ainda que não admitisse