Seis meses se passaram quase sem que percebessem.
O tempo não curou nada — apenas ensinou os dois a disfarçar melhor.
Para Marina, a situação tornara-se sufocante. Amar em silêncio era como viver com o peito permanentemente comprimido, como se o ar nunca fosse suficiente. Todas as manhãs ela acordava com a mesma resolução: seria apenas profissional, contida, correta. E todas as manhãs essa promessa se quebrava em pequenos deslizes — no olhar que demorava mais do que devia, na atenção excessiva,