A casa em que estávamos era pequena, arejada, com janelas abertas para o mar. O som das ondas era uma constante, uma música de fundo que me fazia respirar mais devagar. Havia paz ali — mas também havia silêncio, e o silêncio, às vezes, fazia barulho.
Matheus preparava o café da manhã com uma concentração quase infantil, de camiseta larga e cabelos bagunçados. Eu o observava sentada no sofá, as pernas dobradas sob mim, uma xícara morna entre as mãos.
— Você tá diferente — ele disse, sem me olhar