Os meses passaram como folhas ao vento. Às vezes rápidos demais, às vezes arrastados, pesados como o peso do próprio corpo que agora me lembrava, a cada movimento, que havia outra vida crescendo ali.
Eu estava na escrivaninha, revisando um trecho do que esperava que fosse o penúltimo capítulo do meu livro. As costas doíam, e eu usava uma daquelas almofadas ortopédicas que Matheus comprou escondido, fingindo que era um “presente estiloso”. Ele achava que eu não percebia o quanto se preocupava —