Mundo ficciónIniciar sesiónNoviça e o CEO em Segredos Obscuros Às vésperas de fazer seus votos, Maria Carolina Corrêa aceita um estágio que deveria fortalecer sua fé — não colocá-la à prova. Na maior empresa de tecnologia do país, ela conhece Márcio Diniz Mormente, um CEO poderoso, arrogante e cercado por segredos. Entre fé e desejo, silêncio e poder, nasce uma ligação proibida capaz de destruir certezas, reputações e escolhas feitas diante de Deus. Quando segredos obscuros vêm à tona, amar pode se tornar o maior dos pecados.
Leer másMárcio Diniz Acordei antes do despertador.Isso não era comum. Meu corpo sempre respeitou rotina. Horários. Disciplina. Mas naquela manhã, havia um peso estranho no peito, como se algo estivesse desalinhado desde a noite anterior. Fiquei alguns segundos olhando para o teto, tentando identificar a origem da inquietação.Não precisei pensar muito.Ela estava ali.Não como imagem nítida, mas como sensação. Um incômodo silencioso, persistente, que não desaparece quando se muda de posição.Levantei-me, tomei banho, vesti um terno novo. Escolhi a gravata com mais cuidado do que o normal, como se isso pudesse restaurar algum tipo de controle. Enquanto me observava no espelho, percebi algo que me irritou profundamente: eu estava atento demais a mim mesmo.— Chega — murmurei.No caminho até a empresa, revisei mentalmente reuniões, contratos, metas. Me forcei a pensar em números. Em decisões objetivas. Em tudo aquilo que sempre funcionou como antídoto para qualquer ruído emocional.Funcionou…
Marcio Diniz Cheguei em casa mais tarde do que o normal.O apartamento estava exatamente como eu havia deixado pela manhã: silencioso, organizado, impessoal. Vidros amplos, concreto aparente, linhas retas. Tudo ali tinha sido escolhido para não exigir nada de mim além de presença. Nenhuma fotografia. Nenhuma lembrança fora do lugar. Nenhum passado me encarando das paredes.Afrouxei a gravata e a deixei cair sobre o balcão da cozinha. O gesto foi automático, quase agressivo. Sirvi um uísque sem gelo, mais por hábito do que por vontade, e caminhei até a janela. A cidade se estendia lá embaixo, viva, indiferente à minha irritação mal resolvida.Era para o dia ter acabado no escritório.Mas ela veio comigo.— Ridículo — murmurei, levando o copo aos lábios.Uma estagiária. Uma noviça. Uma garota que tropeça com café quente. Não havia lógica nenhuma em permitir que aquilo ocupasse espaço na minha cabeça. E ainda assim, minha mente insistia em voltar ao mesmo ponto.O momento exato em que l
MÁRCIO DINIZ O café ainda estava ali.Não no terno — aquele eu já tinha pendurado no banheiro executivo como um corpo caro demais para ser salvo —, mas em mim. No cheiro que parecia impregnado na memória. Na irritação que não diminuía, mesmo depois do banho quente, da camisa nova e da gravata perfeitamente ajustada.Eu odiava imprevistos.E odiava ainda mais quando eles tinham rosto, nome… e um véu.Encarei meu reflexo no espelho por alguns segundos além do necessário. O homem ali parecia o mesmo de sempre: postura firme, olhar calculado, expressão fechada. Mas algo estava fora do lugar. Não no rosto. Dentro.— Inacreditável — murmurei.O terno custava mais do que o aluguel mensal de muita gente. Mas nunca foi sobre dinheiro. Nunca é. É sobre controle. Sobre ordem. Sobre um dia que deveria ter seguido exatamente como eu planejei — e não ter sido sequestrado pelo tropeço de uma estagiária distraída vestida como se tivesse saído de outro século.Maria Carolina Corrêa.O nome surgiu sem
CAPÍTULO 3— Maria Carolina Corrêa O impacto do inesperadoEu ainda estava tentando decorar o caminho entre os corredores quando decidi buscar café.Talvez tenha sido ansiedade. Talvez o silêncio excessivo daquele lugar. Ou talvez meu corpo estivesse tentando se agarrar a algo familiar em meio a tantas vozes apressadas e telas brilhantes. Café sempre foi um pequeno conforto. Um hábito simples, quase doméstico.O copo estava cheio demais. O líquido, quente demais. E eu, distraída demais.Tudo aconteceu rápido e lento ao mesmo tempo.Meu pé prendeu levemente no tapete próximo à área de circulação principal. O mundo inclinou. O café escapou das minhas mãos como se tivesse vontade própria.E caiu.Diretamente sobre um terno preto impecável.O silêncio foi imediato.Levantei os olhos em pânico, sentindo o coração bater descompassado, e dei de cara com um homem alto, de postura firme, que parecia ter surgido do nada. O tecido escuro estava manchado, o vapor subindo lentamente, denunciando
Maria Carolina Corrêa O mundo fora do conventoAnos depois, quando recebi a carta de aceitação de Harvard, precisei reler três vezes para ter certeza de que não estava interpretando errado. Administração. Bolsa integral. Cambridge. As palavras pareciam grandes demais para caberem na vida que eu levava até então.Mostrei a carta à madre superiora com as mãos levemente trêmulas. Ela leu com atenção, em silêncio, e depois sorriu daquele jeito sereno que sempre me desarmava.— É um sinal — disse. — Um chamado.As outras irmãs concordaram. Disseram que eu deveria ir. Que conhecimento também era forma de serviço. Que Deus não chama apenas para o recolhimento, mas também para o mundo. Eu ouvi tudo com respeito e aceitei sem questionar. Nunca fui boa em questionar quando acreditava que algo fazia parte de um plano maior.Em nenhum momento pensei em recusar.Hoje moro em um pequeno apartamento em Cambridge, dividido com duas colegas de quarto tão silenciosas quanto eu. O espaço é simples, org
Maria Carolina Corrêa O que se perde cedo demaisSou Maria Carolina Corrêa, mas quase ninguém me chama assim. Desde muito cedo, aprendi que nomes longos carregam expectativas demais. Carol é mais simples. Menos pesado para uma criança. Mais fácil de caber no mundo — ou no silêncio dele.Eu tinha cinco anos quando comecei a entender que o amor não é garantido. Que ele pode desaparecer sem aviso, sem explicação, sem deixar instruções de como continuar respirando depois.Minha tia Maria Helena era tudo o que eu tinha. Não apenas uma parente distante que assumiu uma responsabilidade, mas alguém que me escolheu todos os dias. Ela cheirava a sabonete de lavanda e café recém-passado. Gostava de cantar enquanto varria a casa, desafinando de propósito só para me fazer rir. Dizia que Deus falava baixo, por isso a gente precisava aprender a escutar. Foi com ela que aprendi a rezar, mas também a fazer perguntas. A confiar. A existir.Quando ela morreu, o mundo não acabou de forma dramática. Não





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