Mundo de ficçãoIniciar sessãoNoviça e o CEO em Segredos Obscuros Às vésperas de fazer seus votos, Maria Carolina Corrêa aceita um estágio que deveria fortalecer sua fé — não colocá-la à prova. Na maior empresa de tecnologia do país, ela conhece Márcio Diniz Mormente, um CEO poderoso, arrogante e cercado por segredos. Entre fé e desejo, silêncio e poder, nasce uma ligação proibida capaz de destruir certezas, reputações e escolhas feitas diante de Deus. Quando segredos obscuros vêm à tona, amar pode se tornar o maior dos pecados.
Ler mais— Visão de Márcio Diniz— Tudo é um terreno — eu retruquei, mantendo a voz estável. — A diferença é quem tem poder para decidir o destino dele.Ela não recuou.Os olhos dela brilharam, não com raiva, mas com algo mais profundo. Algo que eu reconheci tarde demais.— E é isso que mais me assusta — disse ela. — Pessoas com poder demais e empatia de menos.A frase ficou entre nós como uma lâmina fina.Eu já ouvi acusações piores. Já enfrentei homens armados com ameaças reais, não morais. Ainda assim, aquela sentença simples teve mais peso do que qualquer confronto que já atravessei.Respirei fundo.— Você está ultrapassando limites, irmã.Ela deu um passo à frente.— E o senhor está esquecendo que nem tudo se compra.Houve um tempo em que eu teria encerrado a conversa ali. Virado as costas. Entrado no carro. Fechado aquela porta como fechei tantas outras ao longo da vida.Mas algo me manteve imóvel.Talvez o modo como ela sustentava o olhar. Talvez o fato de que, naquele pátio simples, me
— Visão de Márcio DinizEu saí da sala de reuniões antes que alguém tivesse coragem de dizer qualquer coisa.Não bati a porta. Não levantei a voz. Não precisei. O silêncio que deixei para trás foi mais pesado do que qualquer explosão. Caminhei pelo corredor envidraçado com passos firmes, sentindo os olhares me acompanharem com cautela. Ninguém ousou perguntar nada. Ninguém nunca ousa.Pessoas me cumprimentavam. Eu respondia por reflexo.Tudo seguia como sempre. Menos eu.A imagem dela não saía da minha cabeça.Maria Carolina. Carol. A noviça.A forma como se levantou na reunião. A maneira direta — quase imprudente — com que falou comigo diante de todos. Não havia desafio gratuito ali. Não era vaidade. Era convicção. Daquelas que não se aprendem em Harvard, nem em conselhos administrativos, nem em mesas onde decisões custam milhões.— Pessoas não são números.A frase ainda ecoava.Quantas vezes eu mesmo pensei algo parecido, muitos anos atrás? Antes de entender como o jogo realmente fu
— Visão de CarolO restante da reunião foi um borrão de vozes técnicas e gráficos que eu não consegui acompanhar. Meu coração ainda batia forte demais, como se eu tivesse corrido uma longa distância sem sair do lugar. Permaneci sentada, postura ereta, mãos unidas sobre a mesa, repetindo mentalmente tudo o que aprendi sobre silêncio e obediência. Mas, por dentro, eu tremia.Quando Márcio encerrou a apresentação, levantou-se sem olhar para ninguém em específico. Os outros começaram a conversar, a recolher papéis, a retomar a normalidade com uma rapidez quase cruel. Para eles, aquilo era só mais um projeto. Para mim, era o chão da minha história sendo calculado em metros quadrados.Levantei-me devagar e saí da sala antes que alguém pudesse me dirigir a palavra. Caminhei até o banheiro mais próximo e me tranquei em uma das cabines. Só então permiti que o ar escapasse dos meus pulmões em um suspiro descontrolado. Apoiei a testa na porta e fechei os olhos.— Calma, Carol — sussurrei para mi
Maria Carolina Corrêa O silêncio dele me acompanhou o dia inteiro.Não foi a arrogância, nem o tom duro, nem sequer a forma como me olhou de cima a baixo quando derrubei o café em seu terno impecável. Foi o silêncio. A ausência de palavras depois da discussão, o olhar fechado, distante, como se eu tivesse tocado em algo que não deveria.Saí da sala sentindo o chão menos firme sob meus pés.Caminhei pelos corredores de vidro da empresa com as mãos entrelaçadas à frente do corpo, tentando manter a postura que aprendi desde menina: cabeça erguida, passos contidos, pensamentos em ordem. Mas nada dentro de mim estava em ordem. O hábito de noviça parecia ainda mais deslocado naquele ambiente de aço, telas gigantes e pessoas que falavam em números como se fossem vidas descartáveis.Talvez fossem. Para eles, pelo menos.Para mim, não.Entrei no elevador sozinha e, quando as portas se fecharam, deixei escapar um suspiro longo, quase um pedido de socorro silencioso. Apoiei a testa no espelho f
MARCIO DINIZ MORMENTE A noite caiu sem pedir permissão.As luzes da cidade acenderam uma a uma, refletidas no vidro do meu escritório como constelações artificiais. Permaneci ali depois que todos foram embora. Gosto desse horário. É quando os prédios param de fingir que são apenas concreto e assumem o que realmente são: fortalezas de decisões tomadas à sombra.Servi um uísque, mas não bebi. O copo ficou intocado sobre a mesa, como tudo o que eu evitava encarar de frente.Eu tinha dado ordens. Alternativas ao projeto. Estudos paralelos. Planos de contingência.Nada disso era altruísmo. Eu não me iludia com essa palavra. Era sobrevivência estratégica. O tipo de ajuste fino que homens como eu aprendem a fazer quando percebem que um movimento errado pode derrubar uma estrutura inteira.E Maria Carolina Corrêa era exatamente isso. Um ponto de instabilidade. Não porque ameaçasse meu poder. Mas porque ameaçava o silêncio que eu tinha construído com tanto cuidado.Abri a gaveta inferior da m
Marcio Diniz Mormente Depois que ela saiu, o escritório ficou pequeno demais.Não fisicamente — aquele espaço tinha sido projetado para impor presença, para lembrar quem manda antes mesmo que eu dissesse qualquer palavra. Mas, naquele momento, as paredes pareciam guardar ecos que não eram meus. O som da porta se fechando ainda vibrava em algum lugar entre o vidro e a memória.Maria Carolina não tinha pedido nada. E isso continuava sendo o que mais me incomodava.Voltei para a mesa e abri o projeto mais uma vez. Era o que eu sempre fazia quando precisava calar algo que não devia existir. Trabalho. Números. Decisões. Um mundo onde tudo tem causa, efeito e preço definido.Mas, dessa vez, algo tinha mudado.O convento não era apenas um ponto no mapa. Era um erro meu que tinha aprendido a falar.Desci até o estacionamento privativo sem avisar ninguém. O motorista me aguardava, como sempre. Não fez perguntas. Nunca fazem. Entramos no carro, e a cidade começou a se mover do lado de fora do










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