Márcio Diniz
Acordei antes do despertador.
Isso não era comum. Meu corpo sempre respeitou rotina. Horários. Disciplina. Mas naquela manhã, havia um peso estranho no peito, como se algo estivesse desalinhado desde a noite anterior. Fiquei alguns segundos olhando para o teto, tentando identificar a origem da inquietação.
Não precisei pensar muito.
Ela estava ali.
Não como imagem nítida, mas como sensação. Um incômodo silencioso, persistente, que não desaparece quando se muda de posição.
Levantei