Carolina Corrêa
Cheguei em casa com os pés doendo e a alma cansada.
O pequeno apartamento em Cambridge me recebeu com o silêncio conhecido, quase acolhedor. Minhas colegas de quarto ainda não tinham voltado das férias na casa dos pais, e por um instante agradeci por isso. Eu precisava ficar sozinha.
Precisava de espaço para acomodar o que o dia tinha deixado em mim.
Fechei a porta com cuidado, como sempre fiz a vida inteira — como se o barulho pudesse acordar lembranças que eu preferia manter