MARCIO DINIZ MORMENTE
A noite caiu sem pedir permissão.
As luzes da cidade acenderam uma a uma, refletidas no vidro do meu escritório como constelações artificiais. Permaneci ali depois que todos foram embora. Gosto desse horário. É quando os prédios param de fingir que são apenas concreto e assumem o que realmente são: fortalezas de decisões tomadas à sombra.
Servi um uísque, mas não bebi. O copo ficou intocado sobre a mesa, como tudo o que eu evitava encarar de frente.
Eu tinha dado ordens.